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Álvaro Bila quer expropriação do Convento de S. Francisco se donos não chegarem a acordo (entrevista, parte 2, com vídeo)

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Segunda parte da entrevista ao candidato do PS à presidência da Câmara Municipal de Portimão.

Álvaro Bila fala sobre os projetos que tem para a criação de mais parques de estacionamento e assume que o projeto de construção de um campus universitário em Portimão é mesmo para seguir em frente, tal como a instalação de um parque empresarial no concelho.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Terminamos, assim, um conjunto de entrevistas a todos os candidatos à presidência da Câmara de Portimão, que pode ler ou reler aqui. Também pode ver o essencial das entrevistas em vídeo, aqui.

ASSISTA AO VÍDEO AQUI

Algarve Marafado (AM): Que parques de estacionamento quer fazer?

Álvaro Bila (AB): Queremos fazer estacionamentos para 2.500 viaturas, mas acho que temos condições até para ampliar esse número. Tive uma reunião com um dos proprietários  da Cerca da Colégio, a tão falada ‘Horta do Burro’, que é ume espaço que permite fazer um bom parque de estacionamento. Aquilo é um terreno com capacidade construtiva, não de todo para fazer parque de estacionamento, mas podemos ficar com uma parte isso.

AM: A ideia é fazer um silo?

AB: A ideia é fazer um silo, temos que aproveitar bem o terreno.

AM: Tem ideia de quantos lugares esse silo vai ter?

AB: Não sei ainda. Mas os 2.500 lugares prometidos é sem contar com esta possibilidade. Se conseguirmos fazer com os proprietários da Cerca do Colégio teremos muito mais estacionamento em Portimão nos próximos anos e acho que será uma boa medida para aquela zona.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Mais parques de estacionamento

AM: Um apanhado que eu tinha feito no ano passado sobre os projetos que a câmara tinha, ao nível do estacionamento, dava um total cerca de 1.300 lugares. Para além desses e do que acaba de referir, quais sãos  os outros grandes projetos para atingir os tais 2.500 novos lugares?

AB: Por exemplo, o Largo Gil Eanes tem de ser todo reformulado e vamos arranjar zonas de estacionamento aí. Há, também, um terreno junto à rua Infante D. Henrique, que adquirimos, que vai contar com um pequeno parque.

Lembro que, este ano, só em duas ruas, fizemos bolsas com capacidade para mais cerca de 70 estacionamentos: na avenida Sá Carneiro e na rua situada entre a zona dos edifícios Gémeos e o Centro Social da Quinta do Amparo.

AM: Um local onde muitas pessoas deixam as suas viaturas é no terreno situado nas traseiras da câmara. Quando os proprietários disserem que não querem ali mais carros, que alternativas tem?

AB: Perto daquela zona, por trás do Cinemas de Portimão, também queremos fazer um silo de estacionamento com capacidade para 250/300 viaturas. O mesmo acontecerá junto ao Complexo Desportivo de Alvor.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Relocalizar o estádio de futebol?

AM: Olhando para o longo prazo, em termos de planeamento, não acha que faria sentido, pelo menos, pensar na possibilidade de relocalização do estádio de futebol para uma zona mais afastada do centro. Está numa zona nobre bda cidade, é apenas utilizado para os jogos de um clube de futebol e ali podia ser feito, por exemplo, um grande parque de estacionamento à superfície ou subterrâneo, com um jardim à superfície?

AB: Primeiro temos de fazer investimento naquilo que a cidade precisa já e não pensarmos outra vez em coisas megalómanas, que era mudar agora um estádio de futebol. Temos de pensar é no que a cidade precisa nos próximos quatro anos e de trabalhar com o objetivo de lhe dar novo dinamismo e de dar à população aquilo que ela precisa.

Todas essas obras podem ser pensadas e planeadas mas num futuro mais longínquo.

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AM: Portanto, não é algo que esteja nos seus planos?

AB: Não, para já, não. Não vamos querer endividar mais o município, vamos querer fazer coisas bem pensadas e bem planeadas.

Projeto do campus universitário é fundamental

AM: Que visão tem para o futuro de Portimão, em termos económicos? Em que atividades e indústrias pode o concelho apostar para tentar não estar tão dependente do turismo?

AB: Temos que atrair conhecimento e atraindo conhecimento com o campus universitário com o campus universitário acho que é a melhor coisa que a cidade vai poder. Temos que a associar a novas tecnologias e ao autódromo e fazer também um parque empresarial. Portimão não tem, neste momento, um parque empresarial onde as empresas se possam fixar. O novo Plano Diretor Municipal (PDM) vai definir essas áreas e será um polo que vai dinamizar e diversificar a nossa economia.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

AM: Como é que está o processo do campus universitário?

AB: Estamos na fase de alteração do plano daquele local, mas, ao mesmo tempo, já lançámos o concurso para o edifício, porque já temos os critérios definidos pela universidade daquilo que pretende para o campus. Temos de ser rápidos, não podemos perder mais tempo.

AM: Há quem diga que, como se está a fazer um concurso internacional, há o risco de aparecerem outras entidades e a Universidade do Algarve ficar de fora…

AB: Não sei do que estão a falar. O concurso é para a obra, para construir o campus universitário, tendo os critérios sido definidos pela Universidade do Algarve.

AM: Portanto, está definido que é a Universidade do Algarve que vem para ali?

AB: Está definido que é a Universidade do Algarve.

AM: Para além do campus universitário, que outros equipamentos vão ser ali instalados? Também vai ter residências para estudantes?

AB: Gostávamos de fazer as residências no centro da cidade. Para além do campus, vai ter a piscina municipal, uma creche e um grande parque urbano.

AM: Como é que está o processo de construção do parque tecnológico do Autódromo? Em tempos tinha sido anunciado que ia avançar, mas entretanto nunca mais se falou nisso…

AB: Com a morte do grande amigo Paulo Pinheiro – e meu colega de escola primária – como podemos todos concordar, baixou um bocadinho o ímpeto, mas, neste momento, a informação que tenho da parte da administração é que é um projeto para continuar.

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Projeto da Mata da Rocha: tentar negociar melhor

AM: Há uma série de projetos para empreendimentos turísticos no concelho. Só para a zona da mata da Rocha e do Porto Comercial estão previstas mais cerca de 1.100 novas camas. Se tivesse hipótese, chumbaria aqueles projetos?

AB: Se houvesse hipótese de minimizar esses projetos, acho que Portimão devia fazê-lo. Mas não podemos comprometer o futuro da cidade porque se já há direitos adquiridos e projetos aprovados, não os podemos inviabilizar, a cidade não se pode comprometer a ter de, depois, pagar grandes indemnizações. Agora podemos é tentar sempre negociar mais e melhor para a nossa cidade e é isso que vamos fazer.

AM: Ainda recentemente, também para a zona da Rocha, foram anunciadas quatro torres de 17 andares…

AB: Foi anunciada uma torre, o alvará é que dá para quatro torres.

AM: Está a dizer que as outras três podem não vir a ser feitas?

AB: Não estou a dizer isso, o que digo é que o projeto daquele alvará dá para quatro torres e neste momento vai avançar uma.

Voltando à Mata da Rocha, queremos ter mais espaço para a população de Portimão, com grandes zonas verdes.

AM: E no João d’Arens? Sempre vão avançar aqueles hotéis que estavam previstos?

AB: Eu sobre o João d’Arens acho que já disse tudo, já tenho dado provas que considero ser aquela uma zona que se quer o mais verde e natural possível. Portanto, como era um projeto ainda não aprovado, temos feito tudo para que não seja uma realidade nos moldes em que foi apresentado.

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Investimento em creches e escolas

AM: No seu programa indica também como grandes prioridades a construção de novos equipamentos para crianças e jovens. Em concreto, o que pretende fazer, a este nível?

AB: Isso é quase como a habitação. Os pais têm que ter sítios onde colocar os seus filhos porque sem isso não há dignidade. No pré-escolar tivemos agora 250 novos alunos. No edifício da antiga Escola de Hotelaria, no Alto Alfarrobal, vamos fazer salas de aula. Isso vai-nos dar alguma folga para podermos planear as novas construções que queremos fazer, que são a ampliação da Escola do Chão das Donas, a reabilitação da Escola Manuel Teixeira Gomes, com mais salas…

AM: Isso estava previsto já há algum tempo. Vai agora avançar?

AB: O anteprojecto está terminado, agora estamos a fazer o levantamento e estudo sísmico.

AM: É a câmara que vai financiar isso ou o Governo?

AB: Está classificada como uma escola prioritária, não entrou no lote das que vão agora ser reabilitadas porque o projeto não estava terminado, mas depois  queremos negociar com o Governo… quando passou para o município foi com a obrigação do Governo financiar a intervenção.

AM: Aquilo é praticamente construir uma nova escola, não?

AB: Não, é aproveitar os edifícios existentes e ampliar aquele parque escolar. E também queremos construir mais uma escola do 1º ciclo junto à da Bemposta.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Levar a videovigilância a outras zonas do concelho

AM: Em termos de segurança, está previsto que o sistema de videovigilância abranja mais zonas, sobretudo a do comércio. Tem ideia sobre quando isso poderá acontecer?

AB: Esse processo também já está em concurso, no que diz respeito à zona ribeirinha, gare rodoviária, estação da CP e parte antiga da cidade. Mas queremos expandir mais para mais zonas da cidade e também para Alvor. No futuro, acho que até as Cardosas devem passar a ter videovigilância.

Penso que é necessário, hoje em dia não podemos ter medo de estarmos a ser vigiados através do sistema de videovigilância, quem se comporta como deve ser não tem que ter medo disso.

Quando se fala de segurança, temos que ter a noção que com o licenciamento zero, as câmaras deixaram de ter mão nas lojas que vão abrindo e na dispersão de algum comércio que, depois, funciona fora de horas. Vamos querer alterar o regulamento para reduzir o número de horas que estes estabelecimentos podem estar aberto.

AM: O Álvaro Bila foi, durante vários anos, presidente de Junta, que está situada na zona comercial e, portanto, testemunha privilegiada da evolução daquela zona. Acha que hoje é uma zona mais perigosa do que há alguns anos?

AB: Fui presidente de Junta, agora sou presidente de Câmara e continuo a viver naquela zona. Como dizia, devido ao licenciamento zero, temos algumas lojas de conveniência ou minimercados abertas até mais tarde e as pessoas que ali ficam são quase todas do sexo masculino, pessoas de outras culturas e isso causa uma ideia de insegurança.

Como moro no centro, passo todas as noites a pé por aquela zona e conheço bem a realidade. É natural que as pessoas sintam a diferença e temos de lutar para que isso não aconteça, temos que integrar essas pessoas – as que estão legais. Mas elas, acima de tudo, têm de respeitar regras, não pode haver o consumo de álcool em qualquer lado e a qualquer hora, na via pública.

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Fiz uma denúncia ao Ministério Público

AM: A parte da integração passa também muito pela habitação. Sabe-se que há casos em que muitos desses imigrantes vivem ‘amontoados’ nas mesmas casas. A câmara está atenta a essa realidade?

AB: Desde que sou presidente de câmara, temos feito várias iniciativas de fiscalização e com a PSP e até com a ASAE para verificar alguns sítios desses.

Mas também como presidente de Junta estive atento a isso. Até fiz uma denúncia ao Ministério Público por serem sempre as mesmas pessoas a dizerem que os fulanos A, B e C moravam numa determinada habitação. Como é que tinham este conhecimento todo? O problema é que a justiça não pode demorar tanto tempo. Acho que esta denúncia foi feita em 2019 e até hoje ainda estou à espera da resposta.

Expropriação do Convento de S. Francisco

AM: Qual vai ser o futuro do Convento de S. Francisco? Vai pedir ao Governo que faça a expropriação?

AB: Fiz questão de marcar uma reunião com todos os proprietários do Convento e dizer que, se não houver uma resolução, vou pedir ao Governo para expropriar.

AM: Qual foi a reação deles?

AB: Alguns também acham mal aquilo estar tão degradado, ficaram de se reunir para depois falarmos novamente. Entretanto, caiu o Governo e agora há eleições locais. Portanto, num futuro próximo reunirei novamente com eles para dizer que vou pedir ao Governo para que seja expropriado.

AM: A sua antecessora dizia que o problema maior é que entre eles não há consenso. Foi isso que também constatou?

AB: Não há consenso. Foi isso que também vi, com todos reunidos, mas ficaram também a perceber que, da minha parte, vai haver força para isto: se não chegarem a consenso e não fizerem nada para que o Convento seja reabilitado, vou pedir que aquele edifício passe para a posse do Governo, como já devia estar há muito tempo.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Converter antiga Adega em Museu do Vinho

AM: Relativamente ao edifício da antiga Adega tem alguma solução para ele?

AB: Portimão está a crescer, em termos de adegas e de produção de vinho e, portanto, acho que devemos fazer ali um Museu do Vinho. É importante renovarmos um património que é da cidade, que foi feito por um grande arquiteto, que tem grandes obras na nossa terra e não pode estar ali a degradar-se.

AM: Já deu alguns passos nesse sentido?

AB: Reuni com os proprietários das adegas de Portimão, também com um que estava na Adega Cooperativa de Lagoa para juntarmos uma equipa alargada para conseguirmos fazer com que aquela obra seja uma realidade.

AM: Há muitas campanhas eleitorais em que se diz que se vai reabilitar o auditório. Será desta?

AB: Está finalizado o projeto, apesar de já ter ali alguns moradores a reclamarem que aquilo volte a ser um auditório porque já estão habituados ao silêncio.  Mas vai ser uma realidade porque o auditório marca também uma época. Eu, a primeira vez que vi os Xutos & Pontapés foi naquele auditório, acho que marcou-nos e temos que ter orgulho nas nossas raízes, nas nossas gentes e nos equipamentos que marcaram uma época e hoje têm que ter alguma função.

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Provas dadas e trabalho feito

AM: Está confiante que o PS vai outra vez ganhar e com maioria absoluta?

AB: Estou confiante que as pessoas me reconheçam capacidade de trabalho. Em todo o lado por onde tenho passado, tenho feito sempre trabalho pela minha terra. Adoro a minha terra, aliás, amo a minha terra, sou muito bairrista.

O povo é que sabe, eu tenho provas dadas e, portanto, no dia 12 cá estarei para ser julgado pela população, mas espero que a população também reconheça que por todos os lados por onde passei sempre lutei por Portimão, tanto nos Escutas como nos Bombeiros e na Junta de Freguesia e vou continuar a lutar.

Sempre tive um gosto enorme em colaborar com todas as instituições de Portimão, vou fazer tudo para dignificar e para deixar melhor a minha terra do que quando a encontrei.

AM: E se não conseguir maioria absoluta, já tem um plano B, já sabe com quem se vai ‘coligar’?

AB: Acho que temos que trabalhar com todos e, nessa altura, vamos ver e conversar. Todos os que estiverem por bem e que amem Portimão é com eles que vou trabalhar.

Vamos querer dar brilho, de novo, a Portimão

AM: Para além destes, há mais alguns temas que considere essenciais?

AB: Por exemplo, a classificação da Ria de Alvor, que acho que vai ser muito importante. Já iniciámos conversações com a câmara de Lagos porque há uma associação que temos de reativar para que a classificação seja uma realidade, ela está criada, é só reativá-la.

Vamos querer dar brilho, de novo, a Portimão, é isso que os portimonenses merecem. Sei bem o que passámos nestes 10 anos em que tivemos em endividamento excessivo e por isso foi das primeiras medidas que tomei foi, através da amortização da dívida, deixar de estar nessa situação e agora as disponibilidades financeiras que o município tem devem ser devolvidas aos portimonenses com obra e é isso que quero fazer.

Convém também explicar rapidamente que qualquer obra para a qual tivéssemos que nos endividar na banca, os juros seriam muito mais elevados do que aqueles que estamos a pagar ao FAM, que são de 0,95%.

Assista aos vídeos:

EVENTOS NO ALGARVE