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Ganhou a Europa e marcou gerações: o coração histórico e económico de Silves voltou a bater (com fotos)

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Depois de se manterem fechadas ao longo de 16 anos, as portas do Museu da Cortiça, em Silves, voltaram a abrir-se no sábado, dia 4 de julho.

Para já, tratou-se de uma cerimónia destinada apenas a convidados, mas, no próximo sábado, dia 11, qualquer pessoa poderá visitar este equipamento, que recorda a importância que a indústria corticeira teve no Algarve e, em especial, naquele concelho. Os interessados devem reservar os seus bilhetes aqui.

As empresas Antrix e Carvoeiro Branco são os atuais proprietárias daquele e dos restantes espaços que integram a Fábrica do Inglês.

Compra à segunda tentativa

O responsável máximo das duas empresas, Erik de Vlieger, disse aos jornalistas que o trabalho que tem sido desenvolvido por uma equipa liderada pelo arqueólogo e professor universitário Jorge Custódio, ainda não está completo, encontrando “a cerca de 90%”.

Mas, tendo em conta os muitos anos que esteve fechado e a importância que tem para Silves, “disse ao meu pessoal para, mesmo assim, reabrir o museu”.

Contudo, nos primeiros tempos apenas será possível visitá-lo em dias específicos, pretendendo-se que, posteriormente, o museu fique aberto de forma permanente.

Foi só à segunda tentativa que Erik de Vlieger conseguiu adquirir o complexo da Fábrica do Inglês. A sua primeira oferta tinha feita há cerca de 10 anos e foi recusada pelo banco que a detinha, que preferiu vendê-lo a outro interessado.

Mas, daí para cá nada foi feito, o espaço ficou a deteriorar-se, até que este empresário holandês, que diz também já se considerar algarvio, resolveu voltar à carga, tendo “ido novamente ao banco com um cheque e comprado” aquele conjunto de imóveis.

Uma luta que chegou ao fim

A presidente da Câmara de Silves, Luísa Conduto, mostrou-se muito feliz por ser, finalmente, possível “testemunhar e celebrar a devolução ao concelho, ao Algarve e a Portugal de um património cultural que esteve guardado no silêncio e na saudade durante cerca de 16 anos”.

Lembrou que, ao longo desse período, “muito lutou o município de Silves para proteger e classificar tão distinto e singular património de inestimável valor histórico e cultural, que testemunha a evolução da indústria corticeira nacional e que estabelece um forte vínculo identitário com a população da cidade de Silves”.

Visivelmente emocionada, terminou a sua intervenção recordando o antigo diretor do museu, Manuel Ramos, que já faleceu, cujo “apego emocional, ativismo incansável e luta autoimposta pela reabertura da Fábrica do Inglês e do seu Museu da Cortiça foram a chama que manteve este sonho vivo nos anos mais difíceis”.

Um museu que já foi o melhor da Europa

Esta fábrica de cortiça foi fundada em 1894. Anos mais tarde, seria gerida por Victor Sadler – conhecido como o “Senhor inglês” que inspirou o nome do complexo – que o transformou numa das maiores unidades industriais de cortiça de Portugal, servindo de sustento para gerações de habitantes locais.

Em 1999 foi transformado num espaço cultural e turístico, tendo como uma das suas principais atrações o Museu da Cortiça, que, em 2001, conquistou o Prémio Luigi Micheletti de Melhor Museu Industrial da Europa e recebeu mais de 100 mil visitantes.

A sua atividade foi interrompida em 2009 devido à insolvência da empresa proprietária.

No ano passado, a Fábrica do Inglês foi adquirida pela Antrix e Carvoeiro Branco, que definiram como primeiro objetivo reabilitar e reabrir o Museu.

No resto do espaço irá ser instalado um hotel de 50 quartos, construídos apartamentos e recuperados e mantidos, sob a mesma forma, alguns dos equipamentos que aí funcionaram.

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