Política

Nuno Cordas quer que Portimão siga Faro e crie um parque de estacionamento para mais de mil viaturas (entrevista, parte 2, com vídeo)

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Segunda parte da entrevista a Nuno Cordas, candidato da CDU à presidência da Câmara de Portimão, em que se fala de trânsito, estacionamento e apoios sociais.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

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AM: Ao nível da circulação automóvel e do estacionamento, o que pode ser feito para minorara os problemas atuais?

NC: A V6 foi construída há mais de 30 anos e não houve uma visão mais pragmática relativamente àquilo que era a aproximação à orla costeira e à procura daquelas zonas, ou seja, não se fez uma infraestrutura com mais vias e mais direcionada para escoar o trânsito do centro urbano.

Temos o problema central do estacionamento nas zonas de veraneio, que é uma completa desorganização. Portimão é procurado pela sua identidade, pelas suas praias, mas, a este nível, não posso dizer que exista um estacionamento a sério, a não ser aquele da Praia da Rocha e o adjacente à marina.

As praias de maior extensão do concelho são as de Alvor, mas não existe aí um parque de estacionamento que seja digno desse nome. É uma completa desorganização, muitos deles são parques de terra, são usados por privados e por instituições que se socorrem desta altura do verão para angariar alguns fundos, são terrenos supostamente privados, mas o interesse público aqui tem de se sobrepor.

As pessoas, quando não querem usar o transporte público ou o táxi, vão dos próprios hotéis para o centro da vila Alvor e para as praias através de caminhos de terra.

Toda esta zona não foi devidamente pensada e infraestruturada para que nós, nesta altura do ano, em que a população praticamente triplica, recebamos os nossos turistas nas melhores condições.

Não chega só termos boa comida, bons restaurantes e boas pessoas, se a gente gosta de receber pessoas temos também de ter infraestruturas para que essas pessoas consigam ir à praia com qualidade.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Precisamos de um parque com capacidade para 1000/1500 viaturas

AM: E quanto ao estacionamento no centro da cidade? Há pelo menos dois terrenos privados que são usados para estacionar largas centenas de carros. Um dia em que os donos construam lá prédios, onde é que se vai estacionar em Portimão?

NC: Vou dar o exemplo de Faro, que tem perto do seu centro histórico um parque de estacionamento para cerca de 1500 viaturas, que é o largo de S. Francisco. Portimão devia ter pensado num estacionamento desta dimensão para fazer chegar as pessoas ao centro urbano da cidade, onde existem os serviços e o comércio local, isto era imperativo.

Neste momento estão a ser usados esses terrenos, que são particulares, mas, voltando a parafrasear o que já disse há pouco: o interesse público tem de se sobrepor ao privado. Se existe ali possibilidade de edificar alguns prédios, porque não, tudo bem, mas tem de haver da parte do município uma visão estratégica para compensar naquela zona uma falta de estacionamento.

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O que se está a fazer e o que se fez nos últimos anos com a falta de estacionamento é tentar demover as pessoas, através do estacionamento pago e da ação coerciva de 3 ou 4 brigadas de fiscalização. As pessoas muitas vezes acabam por ter de pagar uma coima por deixarem o carro uns cinco minutos para ir ao comércio local. Essa forma coerciva não é a mais correta para tentarmos solucionar da melhor forma o problema grave de estacionamento. Existe uma necessidade urgente de criar uma infraestrutura que comporte 1000, 1500 viaturas e que dê suporte a essa zona.

As pessoas quando procuram o comércio local, vão ajudá-lo, mas o facto de terem dificuldade em estacionar a sua viatura faz com que se afastem do comércio local e vão para os grandes centros comerciais, que foram importantes numa determinada altura para haver uma oferta diversificada, criaram empregos, mas afastaram as pessoas do comércio local.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Há necessidade de nova entrada em Portimão

AM: As vias de entrada em Portimão, em muitas alturas, já não respondem à procura. Na sua opinião, é necessária uma nova entrada?

NC: Portimão não só precisa de uma nova solução para a entrada como também necessita de mais escoamento de trânsito. Vamos ter muito brevemente uma via impedida que é a de acesso ao largo Gil Eanes, devido à eletrificação da linha férrea e a solução que foi apresentada foi a construção de um viaduto superior que vai ter à parte sul da estação dos caminhos de ferro. Isso não vai resolver os problemas de tráfego automóvel.

AM: Acha que vai melhorar ou piorar a circulação naquela zona?

NC: A circulação naquela zona vai afunilar por um simples facto, devido à entrada na cidade pela ponte velha que vai pela rua Infante D. Henrique até ao Largo Gil Eanes. Essa via, obviamente, depois vai desviar para a direita em direção ao viaduto… estamos a falar de uma via que vai aceder à parte norte da cidade, os serviços estão concentrados na zona urbana, na zona antiga e os carros vão parar a essa zona.

Um dos principais problemas de trânsito é o afunilamento na V6 porque é a única via de escoamento, sobretudo nesta altura do ano, não só para a praia mas também para muitas zonas da cidade. Temos de pensar não só a longo e médio prazo, mas também de identificar os erros que foram cometidos no passado. Há necessidade de uma nova entrada em Portimão ou a ampliação de vias existentes.

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Quando pensamos na praia de Alvor, temos o acesso através da estrada da Penina que foi agora alvo de uma intervenção e que estamos à espera que seja ampliada. Em Portimão ou fazem uma infraestrutura subterrânea ou então na zona da avenida Paul Harris, quando estamos a entrar na V6 tinha de haver uma infraestrutura que continuasse a via para as praias, escoando o trânsito.

Todas estas infraestruturas julgo que já foram pensadas, que já estiveram no papel, no entanto não houve vontade política ou houve vontade política mas não houve alguma interligação com o poder central para que essas infraestruturas passassem do papel para a prática. Estamos a falar de situações que são feitas ad hoc, não se pode agarrar em soluções apenas para o curto prazo.

É necessária uma intervenção no jardim Gil Eanes

AM: Voltando ao viaduto que está a ser construído por cima da linha férrea. Não acha que se podia aproveitar a oportunidade para, a seguir ao Centro de Emprego, criar uma nova estrada – aproveitando parte da que já existe, mas que é estreita e tem muitas curvas – que levasse o trânsito a uma nova liação à EN 125, que ficaria localizada sensivelmente a meio caminho entre o hospital e a ponte nova?

NC: São tudo soluções que já foram pensadas e só falta mesmo colocar em prática. A nossa ideia para termos um Portimão que fosse facilmente organizado em termos de mobilidade era centralizar um polo de transportes (gare rodoviária e estação) de onde pudesse o trânsito confluir dali para o resto dos destinos.

Relativamente ao que falou, era mais fácil esse acesso, os autocarros quando vêm para Portimão não usam ou usam muito dificilmente a rotunda das Cardosas para aceder à gare do terminal rodoviário. Vão pela zona da Companheira, que é uma estrada muito estreita, para aceder ao terminal rodoviário. Essa era uma situação muito mais prática e fácil que era simplesmente fazer um acesso pela zona do hospital, a sul da Companheira, que direcionava para aquela zona.

O viaduto vai também ter consequências na circulação na zona do largo Gil Eanes, vai ter que haver uma intervenção não só na vertente do estacionamento, mas na melhoria das infraestruturas e do próprio jardim, pois aquilo de jardim já tem pouco e já foi o grande porta estandarte da cidade de Portimão. Aquele jardim teve muita vida há anos, mas tem vindo a definhar.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Mais creches para as famílias

AM: Quem tem filhos pequenos, uma das maiores dores de cabeça que tem em cada ano é saber em que creches é possíveis deixar as crianças, pois as vagas são poucas e os preços não são baratos. Imagino que defenda que deve ser feito um investimento muito forte nessa área.

NC: Sim. O acesso à creche e o aumento da rede pública de creches é uma das nossas bandeiras, para garantir o apoio às famílias que não têm onde colocar as suas crianças.

Acho que o município tornou público que vai aumentar o número de vagas, o que está no horizonte são 200 nos próximos 5 anos, mas já precisávamos dessas vagas há mais de 10 anos. Queremos que Portimão tenha um desenvolvimento sustentável, que as famílias procriem, se fixem cá, mas temos que arranjar condições para que elas vivam dignamente. E o acesso à creche pública e gratuita é um direito de todas as famílias. No entanto, aquilo que a maior parte das famílias tem verificado é a dificuldade em aceder até a uma creche privada.

Existem em Portimão infraestruturas que podem ser usadas para esse efeito, como, por exemplo, a antiga escola de hotelaria e turismo. Temos, na zona do ‘liceu’ um outro imóvel, que está abandonado e que também podia ser usado para esse fim. Portanto, temos locais, falta é a vontade política.

Aumentar o número de lugares não só para a creche como para o ensino pré-escolar é uma prioridade relevante no nosso programa. E também, falando agora na população sénior, contribuir para que essas pessoas, que terminam a sua parte ativa na sociedade e já estão a entrar na reforma continuem a ter uma vida saudável e ativa.

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AM: Você foi candidato há quatro anos, agora é novamente. A que se deve isso: gostou da experiência ou foram os seus camaradas que o convenceram?

NC: É uma decisão que tem de ser tomada pelo próprio depois de ser formulado o convite. Pertenço à comissão política do PCP, são colocados aqui em causa não só a disponibilidade do candidato como também a responsabilidade de aceitar o projeto da CDU, que é coletivo. Foi uma proposta que a CDU me fez, pela minha experiência, pela minha proximidade à população local, e depois de refletir, querendo eu que Portimão seja uma cidade melhor, mais capaz, com uma visão virada para a sustentabilidade, descarbonização, mas também no progresso social, foi um convite que aceitei com muita vontade.

AM: E o objetivo eleitoral imagino que seja ter um melhor resultado que há 4 anos…

NC: O objetivo é ter o melhor resultado possível. Temos de ser pragmáticos e confrontar os problemas sociais, mas não desistir. Temos cada vez mais forças reacionárias de direita, com políticas que se afastam dos valores da democracia que estão nefastamente a contribuir para que a nossa democracia e os nossos valores sociais se degradem.

AM: Isso acontece porquê? Já fizeram essa reflexão?

NC: É uma reflexão que todas as pessoas que se aproximem da política têm de fazer. Acho que é necessário termos uma esquerda coesa, uma política de esquerda que confronte os problemas atuais da sociedade e que faça com que os valores de Abril e da Constituição sejam respeitados porque existe uma grande vontade dos partidos de neoliberais, de extrema direita em colocar a mão na Constituição da República Portuguesa. Nós sabemos porquê. Hoje em dia muitas das questões que são consideradas inconstitucionais, se alterarmos a Constituição deixam de o ser.

Assista aqui ao vídeo:

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