Política

Nuno Cordas: “Em Portimão, as pessoas não conseguem habitação a um preço compatível com os seus salários” (entrevista, parte 1, com vídeo)

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Nuno Cordas é o candidato que a CDU apresenta à presidência da Câmara de Portimão, repetindo a candidatura de 2021.

Na 1ª parte desta entrevista falamos, essencialmente, das questões relacionadas com a dificuldade que os portimonenses sentem em conseguir adquirir habitação a preços compatíveis com os seus salários.

O candidato considera que isso é o resultado de anos de políticas erradas, a este nível, e da especulação imobiliária.

Leia aqui a 2ª parte da entrevista

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Algarve Marafado (AM): Quais são os objetivos para estas eleições no concelho de Portimão?

Nuno Cordas (NC): Nós continuamos o nosso percurso dentro daquilo que era a nossa proposta eleitoral em 2021. Nos últimos 4 anos, os problemas em Portimão continuaram os mesmos.

Temos o problema gritante, à cabeça de todos, que é o da habitação. Outro é o da mobilidade, associado ao do estacionamento. Depois, os problemas estruturantes, que nos acompanham há muitos anos a esta parte. Naquilo que são as nossas propostas, elencamos essencialmente a ajuda à população para contribuir para que os problemas sociais não se agravem.

O acesso à habitação é extremamente complicado, temos, a nível nacional, um salário mínimo líquido de 774 euros, o que faz que parte da população que vive em Portimão não consiga aceder à habitação.

É um problema do poder central, não cabe só ao poder local resolver o problema da habitação, mas a nossa luta será para que não só existam melhores salários, melhores condições de vida, mas também para garantir o acesso à habitação a essas pessoas.

Leia aqui a 2ª parte da entrevista

Isto é o culminar de um conjunto de políticas de habitação erradas

AM: Na habitação parece-me existirem dois problemas. O primeiro é que há pouca. Mas, muitas vezes, quando se constrói habitação supostamente para as classes média e média/baixa verifica-se que os preços são basicamente os de mercado ou pouco menos do que isso. A câmara diz que a culpa é do poder central, que define os preços…

NC: Nós temos de olhar para o problema da habitação pela sua raiz. O problema central não é só a especulação e os custos elevados da sua aquisição, neste momento… cabe ao Estado e ao poder central, e isso está instituído na Constituição Portuguesa, garantir o acesso à habitação a custos que nós, portugueses, consigamos comportar.

O que  se passa relativamente à habitação? Isto é o culminar de um conjunto de políticas erradas que têm assolado o nosso País que contribuem para que exista uma especulação imobiliária e que os preços tenham escalado. Habitações de tipologia T2, que se queria a custos controlados, neste momento estão a um preço de 200/220 mil euros na cidade de Portimão.

Ora, a política dos solos fez com que, mesmo aqueles que estavam no erário público e que eram do domínio do poder local, fossem, muitos deles, vendidos ou colocados na esfera dos privados para os seus negócios.

A partir daí, os terrenos ficam à mercê dos privados e da especulação imobiliária e passamos a falar de um preço que é praticamente impraticável, estamos a falar de uma habitação que é de luxo.

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Escalada de preços muito desfavorável para as famílias

Ao nível da habitação para arrendamento controlado, temos uma crescente procura e, nos últimos 5 a 10 anos, a escalada de preços tem sido muito desfavorável para as famílias, refletindo também o que foi a compra de casas pela esfera privada e pelo capital estrangeiro.

Quando falamos em ajudar as famílias, em contribuir para a política de habitação social, estamos a falar não só não só de organização e estratégia, no sentido de pressionar o poder central a fazer com que se cumpra aquilo que está na Constituição da República, mas também contribuir para que a nossa população consiga aceder à habitação a um custo controlado.

Há um determinado valor de mercado na aquisição do terreno, da matéria-prima e na construção. A partir dali, temos também o outro valor que é pago de acordo com a zona onde está o terreno, todos esses valores são somados. A intervenção da Câmara deve ser chegar a esses preços e fazer um custo que seja razoável e comportar o remanescente para que as pessoas consigam ter acesso a uma habitação a preços que sejam compatíveis com os seus salários.

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Se, por um lado, os preços aumentaram e continuam a aumentar, contribuindo também para que exista… e isto tem sido gritante nos últimos anos, a compra de imóveis de luxo no concelho de Portimão e por todo o Algarve, por capital estrangeiro, sobretudo fundos imobiliários, que têm alguns benefícios fiscais, não pagam alguns impostos durante um certo período. Tudo isso faz com que a especulação e toda esta esfera de preços aumentem e as pessoas não consigam adquirir a habitação a um preço que seja razoável.

Por exemplo, um enfermeiro que viva sozinho, com um ordenado na ordem dos 1300/1400 euros, que é o salário médio, neste momento, pedir à banca um empréstimo para comprar habitação é extremamente ou quase impensável de conseguir, quanto mais uma família que tenha um ordenado mínimo e que leve 774 euros para casa de vencimento líquido.

Leia aqui a 2ª parte da entrevista

AM: Tendo em conta que, como referiu, os preços da habitação têm muito a ver com a localização, não acha que, no caso de Portimão, se devia investir mais na freguesia da Mexilhoeira Grande, onde, apesar de tudo, o custo dos terrenos não é tão elevado como junto à cidade?

NC: Portimão tem a antiga malha urbana a necessitar de uma remodelação profunda, precisamos de lhe lavar a ‘cara’. Mas temos nas freguesias, sobretudo na Mexilhoeira Grande, terrenos que podem ser perfeitamente aproveitados para construção desse tipo de habitação, com preços mais acessíveis, o que também contribui para que não exista tanto afunilamento de pessoas na malha urbana.

Assista aqui ao vídeo:

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