Política

João Graça: “Podemos ir ao mercado e ver se sou tão ou mais conhecido que o atual presidente” (entrevista, 1ª parte, com vídeo)

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Primeira parte da entrevista ao candidato do Chega à presidência da Câmara Municipal de Portimão.

João Graça rejeita ser um paraquedista político, critica a gestão da Câmara, quer repescar a ideia de construir um teleférico e desafia Álvaro Bila a ir consigo ao mercado para ver quem é o mais conhecido.

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Algarve Marafado: O seu slogan de campanha é “Limpar Portimão”. O que é que isso quer dizer, o que há para limpar em Portimão?

João Graça (JG): O lema “Limpar Portimão” vem já da campanha nacional, o “Limpar Portugal”, utilizado pelo nosso presidente André Ventura e achei que, dado todo o passado obscuro e a dívida que foi criada e o não haver culpados até ao dia de hoje… porque foi feito um empréstimo, um resgate, a ser pago até 2043, ainda faltam 18 anos para o povo de Portimão acabar de pagar isso, com os seus impostos, taxas e taxinhas, é preciso limpar tudo o que foi feito, todos os negócios mais obscuros, todas essas situações para que o município possa investir nas pessoas e na cidade.

Limpar tudo isto, o amiguismo, o caciquismo, tudo o que foi criado com negócios e negociatas entre amigos, entre empresas ‘fantasma’. Portimão precisa e merece esta limpeza.

AM: Se for eleito qual é a primeira medida que vai tomar em relação a essa matéria?

JG: Como já anunciámos, vamos pedir uma auditoria externa, sei que também é difícil, que a maior parte dos processos que entupiram os nossos tribunais não deram em nada porque ninguém foi preso, ninguém foi formalmente acusado e responsabilizado e uma dívida com esta envergadura não pode passar em claro e sair só dos bolsos dos portimonenses.

“O objetivo é não acabar com nenhum evento”

AM: Na apresentação dos cabeças de lista do seu partido disse que um município que tem esses problemas financeiros não pode ter os eventos que tem. Se for eleito com que eventos vai acabar?

JG: Em princípio, o objetivo é não acabar com nenhum evento, mas provavelmente, reduzir os custos.

Acho que já fazem parte da cultura de Portimão, mas se tivermos que decidir entre uma infraestrutura importante para o concelho ou um evento, não vamos ter dúvidas: primeiro, a infraestrutura, o bem do cidadão.

Portanto, em princípio, não temos na agenda acabar com nenhum deles, mas, se calhar, apoiar de forma mais modesta, primeiro acabar com a dívida e investir em infraestruturas como as escolas básicas, pré-primeiras e ocupação de tempos livres.

Prefiro que um pai possa trabalhar e tenha onde deixar o seu filho nos tempos livres, que não tenha de procurar outro concelho para pôr o seu filho numa pré ou escola básica do que ter um concerto.

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Repescar a ideia do teleférico

AM: Mas, ao mesmo tempo que diz isso, também anunciou que tenciona ir repescar um projeto antigo, do tempo em que Manuel da Luz era presidente, de construção de um teleférico, que deve ser coisa para custar muitos milhões de euros. É algo que se justifica?

JG: Nós temos que pensar no futuro, isto não é uma candidatura para quatro anos, sabemos que não é uma obra que se poderá realizar de imediato.

Sou muito sincero, como disse no meu discurso de apresentação, não sabia que alguma vez alguém tinha tido esta ideia, mas como não fizemos o nosso programa dos pés para as mãos, andámos a estudar todas as propostas que encontrámos. Até já estava o nosso programa escrito quando alguém chegou com um recorte de um jornal que tinha essa proposta.

Temos o exemplo do Porto, na zona ribeirinha da parte de Gaia, o percurso é pequeno mas é um passeio muito bonito para os turistas. Temos também o exemplo de Lisboa, na zona da Expo, e penso que em Portimão, com as condições naturais que tem, com a cidade de um lado, o concelho de Lagoa do outro e o rio pelo meio, era um passeio fantástico.

Mesmo em termos de mobilidade, nesta altura do ano, para as pessoas irem para a praia, às vezes há um grande problema para estacionar na Praia da Rocha… o teleférico podia ter início ali na zona do Portimão Arena, ou da ponte, onde há mais estacionamentos, seria, se calhar, um bom meio, a pensar na mobilidade.

Poderá ser um meio termo entre um teleférico e um metro pendular, que existe por exemplo, no Dubai, que é um sistema em que o metro está suspenso em cabos. Isso poderia depois ser alargado ao resto da cidade, fazer um percurso, da zona ribeirinha ir até à Praia da Rocha, vir pela V6, passar no hospital e terminar no ponto de origem.

Temos de fazer alguma coisa. Portimão está a crescer cada vez mais e o trânsito está caótico, temos que arranjar um meio de transporte que dê condições às pessoas para se poderem deslocar. Estar a pôr mais autocarros poderá ser uma hipótese numa primeira fase, colocarmos autocarros mais pequenos, mais regulares, também a servir as freguesias da Mexilhoeira Grande e Alvor.

Criar um metro subterrâneo tradicional é extremamente caro e complicado, devido à proximidade da água, pelo que está fora de questão. Mas este tipo de teleférico ou metro pendular penso que seria uma forma de ajudar a mobilidade dentro da nossa cidade, para além de proporcionar um passeio bonito.

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O Algarve devia ter um oceanário

AM: Na altura em que surgiu essa ideia do teleférico foram anunciadas outras, como um insectário e um oceanário. Não vai pegar nessas?

JG: Essas, para já, não. Também estavam no mesmo artigo de jornal. No Algarve, temos o Zoomarine, mas penso que deveria haver um oceanário.

Como sabem, resido em Sagres e, há muitos anos, falou-se de um oceanário que ia ser feito numa zona espetacular, dentro da rocha, o que seria uma coisa única no mundo. Obviamente, não vamos estar a construir oceanários por todo o Algarve, se um dia se pensar a sério nisso na região e eu estiver a presidir à Câmara de Portimão vou tentar que ele seja feito no concelho, mas para já não será uma prioridade.

Nós aqui já temos grandes e boas infraestruturas, como o aeródromo, o autódromo, o porto comercial e, portanto, se pudermos trazer mais, ótimo, até porque quero fazer de Portimão o verdadeiro coração do Algarve, mas temos de pensar em toda a região e se o oceanário for construído noutro sítio, também não vemos isso com maus olhos.

AM: Os seus adversários políticos dizem que é um paraquedista, que caiu do céu em Portimão. Como é que responde a isso?

JG: Em 2009 e 2010 já andava por Portimão, dei muitas horas de formação na Conservatória e em 2012 trabalhei na Conservatória do Registo Civil de Portimão. Há sete anos que estou casado, a minha esposa nasceu no Alentejo mas foi batizada numa igreja em Portimão e há 6 anos que é raro as pessoas não me verem no mercado a distribuir o nosso jornal ou com a minha família na rua. E depois, se alguma coisa me falhar, tenho a meu lado, a minha grande equipa, que é toda daqui.

Se eu fui capaz, como presidente da Distrital – como todos sabem, não sou do Algarve, tenho 52 anos, mas estou na região desde os 7 – em 6 anos conseguir ajudar o nosso partido a ser o maior partido do Algarve, conseguir, juntamente com os outros deputados eleitos pela região, que se fale mais do Algarve, também serei bem capaz e muito capaz de fazer tudo por tudo em Portimão, porque esta é agora a minha cidade, é este o concelho que vou querer defender e limpar para fazer dele o coração do Algarve.

“Não caí aqui de paraquedas”

AM: Quanto tempo esteve a trabalhar em Portimão?

JG: As formações eram normalmente de uma semana, dei formação do cartão do cidadão e do passaporte eletrónico. Eram duas ou três semanas e depois quando regressei dos Açores, onde trabalhei, vim diretamente para a Conservatória de Portimão e estive aqui cerca de 6 meses.

Relembrar também que no dia em que nasceu o meu filho, de manhã, entre as 8h30 e as 9h00, estava em direto na SIC Notícias pois foi quando o meu sindicato fez aquele protesto em frente onde hoje funcionam as vergonhosas instalações da Conservatória, sobre as quais este município poderia ter feito mais e melhor, na altura. Acompanhei esse processo porque era dirigente nacional do meu sindicato e estava aqui a lutar pelos portimonenses.

Quando era mais novo e andava nas discotecas vinha muitas vezes para Portimão, vinha também aqui às compras e, portanto, a minha ligação à cidade não é de agora, não caí aqui de paraquedas.

Mas mesmo que tivesse caído, mesmo que estivesse em Lisboa e o presidente André Ventura tivesse dito que precisava que eu fosse candidato a Portimão, teria vindo na mesma, porque é uma questão de competência e vontade, é fácil conhecer os problemas e tenho o resto da equipa da terra a ajudar.

Não interessa de onde vimos, interessa é a nossa competência e a vontade de mudar. Na rua não ouço as pessoas a dizerem que vim para aqui de paraquedas, aliás, podemos fazer um teste, ir ao mercado municipal, correr todas as bancas e ver se sou tão ou mais conhecido que o atual presidente, não acho que isso seja um impedimento.

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Túnel sobre a linha férrea não vai melhorar a circulação

AM: Um dos problemas de Portimão, tal como, de resto, de muitas outras cidades, é o do trânsito. Que ideias tem para ajudar a diminuir os problemas que existem a este nível?

JG: Temos várias ideias, os pontos estão identificados. O túnel da Cardosas foi uma boa solução na altura, mas é preciso fazer mais, é preciso pensar na principal rotunda da V6, onde fica o supermercado Modelo Continente, temos de pensar nessa zona porque é uma das que bloqueiam o tráfego.

As entradas também, a da Penina muitas vezes bloqueia, tal como a das Cardosas, vamos ver como vai funcionar – temos algumas dúvidas – a alternativa junto ao Portimão Arena…

AM: Acha que quando esse viaduto entrar em funcionamento, a circulação naquela zona da cidade vai melhorar ou não?

JG: Acho que não. Uma parte das pessoas que circulam naquela zona é para saírem de Portimão, mas há muitas que vão ao centro comercial [Aqua]. A travessia da linha de ferro, a gente sabe que é perigosa, mas felizmente, não tem sido um dos sítios críticos em termos de acidente.

No futuro, o que vai acontecer? Quem vai para o centro comercial vai ter de virar à esquerda, ir à rotunda e entupir aquela zona. Desejo que as coisas funcionem porque é uma obra na qual se gastou milhões de euros, penso que ela foi pensada por técnicos, mas na nossa opinião não é a solução ideal.

Ela passaria, se calhar, por o comboio ter uma travessia superior ou no subsolo, o que, como é lógico, iria acarretar a paragem, durante alguns tempos, da linha férrea, mas isto é mesmo assim. Qualquer obra que se faça nesta altura já deveria ter sido pensada e planeada há muito tempo.

Temos algumas ideias mas só quando tivermos no terreno, com os orçamentos na mão é que podemos tomar decisões, mas estamos muito preocupados e conhecemos bem os pontos críticos.

Não perca, a seguir, a 2ª parte da entrevista

Assista aqui ao vídeo:

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