Política

João Vasconcelos diz que o PS de Portimão falhou rotundamente na habitação e no trânsito (entrevista, parte 1, com vídeo)

Partilhe a notícia
pub
pub
pub
pub

Primeira parte da entrevista ao candidato da coligação «Unidos por Portimão», que junta o Bloco de Esquerda e o Livre, à presidência da Câmara de Portimão, onde se fala, essencialmente, de habitação, estacionamento e vias de comunicação.

Pode também ler aqui a 2ª parte da entrevista

ASSISTA AO VÍDEO AQUI

Algarve Marafado (AM): Nos últimos tempos, o João Vasconcelos tem andado fora da ribalta, pelo menos não tem tido intervenção política com a intensidade que, durante muitos anos, teve. Regressou agora por estar com saudades destas ‘guerras’ políticas ou é mais um serviço que entende dever prestar ao seu partido?

João Vasconcelos (JV): Bem, não se trata propriamente de guerras políticas. Quando deixei as funções de deputado e de vereador da Câmara de Portimão fiz um compasso de espera até porque havia, a nível familiar, outras prioridades e tive que tentar colmatar essas situações.

Também estive, a nível académico, a fazer alguns estudos e, naturalmente, que não podemos fazer tudo ao mesmo tempo.

Mas estive sempre disponível para o meu partido e não só, para ouvir as reivindicações das pessoas, colaborando, dentro do possível, a nível local e distrital, claro que com menos intensidade política, como disse.

Nos últimos tempos, e tendo em conta as novas eleições autárquicas, não pude fugir ao apelo de várias pessoas, camaradas meus e de outras áreas políticas, e pensei que era chegada a hora de dar um contributo para a vida de Portimão.

O Bloco de Esquerda não atravessa um período bom

AM: Não me lembro de alguma vez o Bloco de Esquerda ter concorrido coligado em Portimão. Porque é que isso acontece agora?

JV: Como sabe, o Bloco de Esquerda não atravessa um período bom e entendemos que era preferível haver uma junção de vontades políticas, e não só, também sociais, potenciando assim uma expressiva votação nesta coligação que junta o Bloco e o Livre, mas também muitos independentes.

Aliás, as nossas listas contêm mais de 90% de independentes, pessoas próximas do Bloco e pessoas próximas do Livre, que julgaram haver uma possibilidade de alterar o marasmo e a estagnação que vigoram, de há alguns anos a esta parte, em Portimão.

AM: E qual é o objetivo, em termos de resultados? É ser eleito vereador?

JV: O objetivo é ter o máximo possível de votação, como disse isto é a junção de um conjunto de vontades, aliando a experiência das pessoas mais velhas com a irreverência, a criatividade e o dinamismo dos mais jovens.

Temos pessoas muito jovens, o que me alegra bastante e que dá uma grande potencialidade a esta candidatura. Por outro lado, há pessoas experientes que têm provas dadas e que concorrem a vários órgãos. Vamos tentar ter a melhor votação possível mas os eleitores é que que sabem.

Penso que esta coligação, com as propostas que tem, está aberta a pessoas de todas as sensibilidades políticas, desde a esquerda à direita, que poderão votar em nós porque isto é uma força de vontades sem exclusivismos, sem vaidades, apenas nos move o interesse e as preocupações das populações de Portimão, Alvor e Mexilhoeira Grande.

Atual presidente da câmara segue a mesma linha de rumo

AM: Há cerca de um ano que Portimão tem um novo presidente de câmara. Como é que tem visto a sua ação? Acha que há diferenças significativas em relação à gestão da anterior líder da autarquia ou é mais do mesmo?

JV: Um ano não dá para ver grandes diferenças mas penso que o atual presidente e candidato do PS está a prosseguir a mesma linha de rumo seguida pelo PS ao longo dos últimos anos. Tem sido uma evolução na continuidade.

É preciso não esquecer que esse partido está na Câmara de Portimão há cerca de meio século, mais propriamente 49 anos, e acho que as pessoas já estão um bocadinho aborrecidas desta exclusividade, de ter um único partido durante meio século à frente dos destinos da autarquia.

ASSISTA AO VÍDEO AQUI

A “fraude” da construção de habitação social

AM: Um dos problemas principais com que as pessoas se confrontam é o da habitação. Que propostas tem a coligação nessa área?

JV: Uma das áreas em que o PS tem falhado rotundamente é na da habitação.

Basta ver que, desde há muitos anos a esta parte, não foi construído qualquer fogo de habitação social ou de preços acessíveis ou controlados e agora aproveitando as verbas do PRR e da pressão de várias pessoas é que estão a ser construídos alguns.

Mas, no entanto, isso não deixa de ser uma fraude, pois essas casas, que têm servido para muitas campanhas eleitorais da parte do PS, vão ficar quase aos preços de mercado. Aumentaram algumas 50 e até 100%. Portanto, isso não é justo, não é aceitável que assim continue.

Temos algumas propostas nessa área. Para já, devia de ser criada uma bolsa de emergência habitacional que contemple as pessoas mais desfavorecidas nesta área: sem habitação, os sem abrigo, pessoas com graves carências habitacionais, que vivem em casas degradadas. Isso podia ser feito através de casas camarárias e da aquisição de outras habitações.

Por outro lado é preciso que haja um maior investimento nesta área para construir casas com rendas acessíveis.

Também é preciso que pelo menos que sejam reservados 25% dos novos edifícios a serem construídos sejam colocados a preços acessíveis.

É, ainda, necessário fazer o inventário do património municipal e até ao nível do poder central, para que o mesmo possa ser colocado ao serviço das pessoas com graves carências habitacionais.

Defendemos, igualmente, que as empresas que se dedicam a construir habitação a preços acessíveis e controlados tenham uma redução das taxas.

Mudar o regulamento do alojamento local

AM: Um dos fatores que fazem aumentar ou diminuir o preço da habitação é a localização dos terrenos. Não acha que se tem construído muito da cidade e que, de alguma forma, se podia utilizar terrenos que existem na freguesia da Mexilhoeira Grande, que não são tão caros? Não deveria haver orientação para se construir mais nessa freguesia?

JV: Sim, com certeza, até porque essa freguesia tem uma área rural desertificada e também a população local tem carências habitacionais, isso não se verifica só na cidade.

Também defendemos que seja vedada a venda de terrenos com pendor habitacional e, por outro lado, é preciso que o regulamento do alojamento local seja alterado para que possa ser limitado e neste caso concreto possa dar lugar a habitações dignas e a preços acessíveis.

Acho que a câmara tem que ter uma estratégia e deve ter, mas por vezes a estratégia errada, a esse nível, e deve olhar para essas vertentes até porque a carência habitacional no concelho de Portimão a par de outros concelhos é bastante grave e essa é uma das prioridades que nós temos.

ASSISTA AO VÍDEO AQUI

Nova ponte de ligação ao concelho de Lagoa

AM: Outros dos principais problemas de Portimão são a circulação de trânsito e o estacionamento. Que soluções tem para eles?

JV: Essa é outra grande falha dos executivos do PS ao longo destes últimos anos, tendo em conta que Portimão é uma cidade bloqueada e em certas épocas do ano (Páscoa, Verão, Ano Novo) é um sufoco transitar na cidade de Portimão, em especial nalguns troços.

E aí reparamos que foi um erro da parte do PS ter construído grandes superfícies praticamente em todas as entradas e saídas da cidade. Aliás, é um dos concelhos onde o índice de metros quadrados de superfícies comerciais é maior, a nível europeu. Foi um erro da parte destes executivos.

E aquilo que está previsto a nível de projetos imobiliários ainda vai aumentar o problema. Veja-se a proposta que há para a zona da mata da Praia da Rocha, a construção de mais 700 fogos naquela área é uma catástrofe para a cidade de Portimão, em termos de planeamento urbanístico, de trânsito e a outros níveis.

Defendemos a construção de mais parques automóveis a preços acessíveis em zonas onde mais fazem falta: Portimão, Praia da Rocha, Alvor… E, por outro lado, que seja criado um dístico para residentes, como existem em alguns outros concelhos, para regular um pouco a ocupação e o estacionamento.

Por outro lado, defendemos há muito tempo que seja estudada a possibilidade da construção – claro que a câmara tem de fazer esforços nesse sentido perante o governo central – de uma ponte rodoviária que ligue a zona sul de Portimão ao concelho de Lagoa para que haja o escoamento de trânsito.

AM: Uma ligação a Ferragudo?

JV: Sim, naquela zona entre a Bela Vista e Ferragudo, é preciso estudar essa possibilidade.

ASSISTA AO VÍDEO AQUI

Viaduto já devia ter sido feito há muito tempo

AM: Há um viaduto que está agora a ser construído, sobre a linha  férrea. Acha que a circulação vai melhorar quando ele entrar em funcionamento?

JV: Espero que sim, espero que melhore, é uma zona difícil, vamos ver. De qualquer modo, é uma obra que, se calhar, já devia ter sido feita há muito tempo e outras desse nível na cidade para que haja maior fluidez de trânsito.

AM: Na zona envolvente vão ter que ser feitas alterações na circulação quando esse viaduto entrar em funcionamento. Quais devem ser essas alterações? Por exemplo, deve-se inverter o sentido de trânsito na rua Infante D. Henrique?

JV: Vamos ter de estudar essa possibilidade, porque não é uma situação fácil.

Não se planeou devidamente, temos muitos anos de atraso, agora o que se vai fazer é sempre com prejuízo, mas mais vale tarde do que nunca. É preciso estudar as questões do trânsito numa ótica integrada.

De qualquer modo há outras soluções que poderão minorar essa situação que têm a ver com a questão das prioridades ao nível da mobilidade ao nível dos transportes públicos.

É previso pensar que o automóvel não é solução para tudo dentro das cidades, há que tomar medidas nesse sentido e se houver menos tráfego automóvel, se houver prioridade a nível de outros meios de transporte com certeza que isso ajudará à circulação das pessoas e a uma cidade mais verde, mais sustentável e com uma mobilidade a favor dos cidadãos.

Pode também ler aqui a 2ª parte da entrevista

Assista aqui ao vídeo:

EVENTOS NO ALGARVE