Vai ser preciso tirar férias para ir de Sagres a Faro pela EN 125

Logo_Opiniao_JorgeEusebio_PqCorrendo o risco de me tornar chato, volto a falar das obras na EN 125. Como se esperava, mais uma vez, não ficaram concluídas na data prevista, o que é pena. Desde logo pelas razões óbvias, mas também porque se isso tivesse acontecido seria um milagre. E, dessa forma, entraríamos também na vertente do turismo religioso, fazendo concorrência a Fátima. Era bom.

Mas, do que hoje quero falar é do futuro. Partindo do princípio optimista de que um dia as obras chegarão ao fim como é que será voltar a circular naquela estrada?

Olhando para o troço que já está concluído, entre Lagos e Sagres, as perspectivas não são nada animadoras. A estrada ficou cheia, em praticamente toda a sua extensão, de traços contínuos (muitos deles duplos) e de separadores que tornam virtualmente impossível aos condutores fazerem ultrapassagens, mesmo nas muitas rectas existentes.

E, curiosamente, um dos escassos metros em que se esqueceram de colocar traço contínuo é uma zona em que, aí sim, é realmente perigoso ultrapassar, pois situa-se numa descida (ou subida, dependendo do sentido em que se transita) em curva.

Se este modelo for replicado em toda a EN 125, imagino que um desgraçado que viva em Sagres e precise de ir a Faro tenha que tirar férias para o efeito, uma vez que, seguramente, não vai conseguir fazer a viagem de ida e volta num único dia.

E, a avaliar por aquilo que se vê na parte da estrada entre Lagos e Portimão que já tem sinalização horizontal, dá a sensação que é isso que vai acontecer. Aí também a empresa concessionária da obra investiu forte em tinta branca. Mas, atenção, nem tudo é mau, parece que os automobilistas vão conseguir recuperar algum tempo no interior das povoações, como se verifica em Odiáxere, em que não há traço contínuo em lado nenhum.

Portanto, em estrada aberta, mesmo em rectas com excelente visibilidade, é proibido ultrapassar, mas, no interior das povoações, com pessoas a atravessarem a estrada a todo o momento, já não há problema nenhum em fazê-lo. É capaz de haver alguma lógica nisto, mas, seguramente por culpa própria, não consigo vislumbrá-la.

Concluindo e resumindo: mesmo depois de concluídas as obras, a EN 125 não resolve minimamente os problemas de mobilidade do Algarve, pelo que há, urgentemente, de encontrar forma de acabar com as portagens na Via do Infante.

PS: Admito que nem todos os algarvios fiquem indignados com os traços contínuos em toda a EN 125. Os que trabalham na GNR e PSP são capazes de achar uma boa ideia. Assim, não precisam de ir muito longe para fazer uma colheita porreira de multas de trânsito, pois haverá sempre gente que arrisca pisar o risco por não querer perder uma hora ou duas para fazer 30 ou 40 quilómetros. 

(Opinião, Jorge Eusébio)

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