Um prédio ‘revolucionário’

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Uma das principais revoluções urbanísticas de Portimão aconteceu em 1952. Foi nesse ano que, na Rua de Olivença, o industrial Manuel Gaspar Patrocínio decidiu construir o primeiro bloco de apartamentos da cidade, ainda hoje conhecido como “o prédio do Gaspar”.

O edifício terá surpreendido a população portimonense, pela sua grande volumetria, num gaveto com uma frente superior a 50 metros e três pisos de altura, com cinco portas de entrada autónomas, três na frente, na Rua de Olivença e duas na lateral do imóvel, uma na Rua Mouzinho de Albuquerque e a outra na Travessa de Olivença.

Introduziu ainda um novo conceito de organização dos edifícios da cidade, dividindo o prédio em apartamentos, novidade rapidamente repetida nas artérias mais próximas.

O “prédio do Gaspar” ainda mantém a arquitectura original, que marca o centro da cidade de Portimão.

Manuel Gaspar Patrocínio nasceu em Alcoutim, no dia 1 de Fevereiro de 1892, sendo filho de Gaspar Francisco Peres e de Maria da Felicidade, esta de ascendência espanhola. Manuel Gaspar terá começado a trabalhar ainda em Alcoutim, num estabelecimento comercial, tendo-se mudado para Portimão durante a Primeira Guerra Mundial, onde se tornou empregado bancário. Casou em Portimão, a 23 de Abril de 1923, com Hortense Mateus da Graça.

Iniciou a sua actividade industrial com a constituição da “Empresa Fabril de Conservas, Ld.ª”, detentora da fábrica de conservas “A Portuguesa”, que laborava próximo da Igreja de S. José, em Portimão. Pouco depois abriu a “Sociedade Peninsular de Importação e Exportação, Lda”, destinada ao comércio de conservas e de materiais para a indústria conserveira, detendo a fábrica “Esperança”, sita no Parchal.

Pessoa integrada na sociedade portimonense, Manuel Gaspar Patrocínio foi sócio de outras personalidades locais, como António Pacheco da Cruz, Giacomino Ferrari e António Taquelim da Cruz, tendo com este último criado um fumeiro, que exportava figos.

Vereador da Câmara de Portimão em 1924, chegou a criar um jornal local “A Cidade Nova” e foi um dos promotores da reorganização da “Associação Comercial e Industrial de Portimão”.

Em sociedade com José Mendes criou uma empresa de pesca. Na década de 1950 tornou-se sócio da empresa de camionagem “Castelo & Caçorino, Lda”.

Faleceu em Portimão, às 16 horas do dia 21 de Dezembro de 1959.

(Texto: Nuno Campos Inácio – Foto: http://static.panoramio.com/photos/original/70762049.jpg)

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