A Avenida pervertida ou valorizada com a venda ambulante?

Lagos é uma cidade eminentemente turística. E tem muito para oferecer aos muitos visitantes que, de inverno ou de verão, escolhem esta cidade como espaço para descansar e para desfrutar da sua natureza e de toda a sua beleza.

Ninguém fica indiferente à sua paisagem urbana e natural. Basta percorrer a sua longa avenida para se deslumbrar com a sua textura e com esse curso de água que acaba por nos levar a confluir com as águas do mar.

Para além da natureza, há muito, pela cidade dentro, a oferecer a quem nos vem visitar. E, por mais polémica que seja, também a venda ambulante se pode integrar em tudo o que a cidade tem para dar. Mas, para isso, tem que ser regulada e enriquecida na sua oferta, na sua apresentação e na sua organização. E sempre tem levantado um coro de vozes contra e a favor pela forma como se apresenta, onde se localiza ou por alguma anarquia que a consegue rodear.

É o caso da avenida. É um espaço aberto e que convida a passear ao longo da sua larga e comprida calçada sempre ladeada pelas águas prateadas daquele corredor constantemente a correr em direcção ao mar. E foi nesse espaço de excepção que a venda ambulante encontrou a sua localização. Depois de tempos dispersa pelos mais diversos recantos da baixa da cidade, a sua anarquia era evidente e exigia uma solução com alguma urgência.

E após algumas polémicas que subiram de tom, a solução foi a sua localização ao longo de um pequeno traçado da nossa longa e comprida avenida. As vozes voltaram a ouvir-se e a manifestar-se contra o que parecia ser uma mancha naquele local tão especial. Mas as tendas estilizadas, em forma de cone invertido, pareciam atenuar esse estendal que se iria implantar ao longo daquele espaço.

Sem barrar o corredor para passear e até para correr ao longo daquele passeio, a venda ambulante, com outra apresentação, parecia adquirir outra dignidade com a sua nova localização. E todos pareciam ganhar, a começar pela venda ambulante. Mas, a par dessas tendas estilizadas e de cor branca para terem a mesma uniformidade, outros utensílios começaram a implantar-se como os chapéus erguidos no ar e outros acrescentos que em nada vieram dignificar aquele espaço. E o que parecia uma valorização e uma dignificação da própria venda ambulante, começou a degenerar com a criação de um ambiente que em nada contribui para a valorização daquele espaço de venda ao ar livre.

Torna-se, por isso, urgente que a venda ambulante apresente uma imagem de uniformidade capaz de valorizar aquele passeio e a própria cidade, que deixe diante de si espaço para os clientes poderem escolher e até mexer nas mercadorias sem se impedir quem aí está a passear ou até a fazer a sua corrida, que esteja organizada e, naturalmente, que a sua envolvente seja valorizada.

Ter-se-á, por isso, que recuperar os espaços ajardinados das suas traseiras e evitar carrinhas abertas, a fazer de armazéns, que acabam por dar uma imagem pouco condizente com a valorização que se pretende com esta localização da venda ambulante na cidade de Lagos.

Também não conferem bom aspecto àquela paisagem as refeições improvisadas que aí se costumam fazer e que acabam por maltratar a imagem que se quer dar àquela actividade que dá variedade à nossa oferta turística. Se estes aspectos menos positivos, a par de outros que há que melhorar, vierem a ser corrigidos, a nossa avenida não correrá o risco de ser pervertida. Pelo contrário, a venda ambulante até poderá dar um contributo importante para a sua valorização e para a sua dignificação.

(Opinião – Zé de Lagos)

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