Desfile de candidatos no cemitério de animais

Foi  ao fim da tarde de 8 de Setembro. Fazia sol e também calor amenizado por algum vento que teimava em soprar. Naquela ala do cemitério, junto ao canil de Lagos, uma parcela tinha sido reservada para o cemitério de animais. E, para isso, um projecto realizado por uma firma de arquitectura vinha dar corpo a uma das  pretensões mais votadas do orçamento participativo de Lagos.

E com esta realização, de grande alcance simbólico, a avaliar pelos candidatos e políticos que ali acorreram para não se deixar passar uma ocasião como esta, Lagos passou a ser, depois de Lisboa e Santa Maria da Feira, a terceira terra com cemitério para animais.

A atenção e o bom trato a animais é, sem dúvida, um traço civilizacional que convém prosseguir e realçar. E tudo deve ser feito com conta e medida. Mas a avaliar pelos candidatos e políticos que ali se decidiram juntar, esta parecia ser a iniciativa do século. Mas era bom de ver que nem todos lá foram para se associar ao cemitério dos animais. Os candidatos quiseram mostrar-se ou não estivéssemos em campanha para as autárquicas.

Outros, como o deputado municipal do CDS/PP, agora transformado em independente, anda a tentar conquistar as boas graças da Câmara, sabe-se lá com que intenções. O panegírico ao executivo, na última Assembleia Municipal, chama a atenção até ao mais distraído.

Mas posto de parte este desfile de vaidades políticas a que nem o Bloco de Esquerda ficou indiferente, era de realçar a pose institucional encabeçada pela presidente da Câmara, demais vereadores, corpos policiais como a PSP e GNR e muitos mais técnicos municipais. Tudo para se enfatizar esta inauguração do cemitério de animais.

Depois das placas descerradas, de se abrir a porta de entrada para a última morada dos animais, o desfile continuou. Tudo feito a rigor. Até pela configuração em madeira parecia dar-se a entender que estávamos a entrar nos futuros passadiços da Ponta da Piedade. E assim percorremos esse trajecto e ouvimos as explicações, para as gavetas, incrustadas num muro que fora construído e onde vão repousar os restos dos animais que, depois de deixar a vida, com sorte, vão parar aquelas instalações.

Feito o percurso do cemitério dos animais e dando início à dispersão daquele desfile político, todos sentiram o dever comprido por participarem nesta realização e por, com a sua presença, avalizarem e apoiarem uma causa que, cada vez mais, ganha adeptos em termos sociais como é a dos animais. É por isso que a este cemitério ninguém poderia faltar; a começar pela nossa política.

(Guedes de Oliveira)

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