Foi cometido um “crime” contra o Hospital do Barlavento

Segunda parte da entrevista à candidata do Partido Socialista, Isilda Gomes, levada a cabo pela Rádio Portimão, em colaboração com o Algarve Marafado.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Um dos temas de maior polémica no momento é o da construção da gare rodoviária e da visita promovida ao espaço pela Câmara. Pelos vistos, aquilo não foi uma inauguração, supostamente, a gare não era para ficar, de imediato, a funcionar – embora pareça que algumas carreiras, agora, passam por lá. Serviu para quê aquela visita?

De facto, os autocarro já por lá passam e tem outra coisa mais importante, é que já foram dadas ordens e penso que, neste momento, estarão em execução, para que nenhum autocarro permaneça na zona ribeirinha. Há dias em que há uma fila enorme de autocarros estacionados na zona ribeirinha e têm que sair dali, porque considero que não é uma imagem própria de uma cidade turística por excelência, de uma cidade com qualidade.

Quanto à iniciativa da Câmara, serviu exactamente para fazer uma visita, até porque havia muita gente que, sem me ter dito, já lá tinha ido e estava a fazer críticas que não correspondiam minimamente à verdade. Diziam até que nem havia uma sala de espera para os passageiros e que as pessoas iam continuar à chuva.

Então, optei por abrir as portas e mostrar o que lá está. A inauguração havemos de fazê-la com dignidade e com tempo.

Há quem diga que a única razão que houve para aquela visita foi para mostrar obra a 3 ou 4 semanas das eleições.

A obra está lá, não preciso de a estar a mostrar.

Mas é pouco funcional, não?

É muito funcional. Aliás, nós vamos fazer naquela zona um espaço intermodal. Temos ali o comboio muito próximo e há uma carreira do Vai e Vem que passa lá de meia em meia hora. Portanto, as pessoas têm transporte para vir para o centro da cidade ou para a estação ferroviária.

Não sei se querem que mostre os e-mails que recebi de cidadãos que diziam ser uma vergonha as pessoas estarem a apanhar o autocarro à chuva e ao sol, como estavam.

Desafio a verem as restantes gares rodoviárias aqui do Algarve quais as que têm melhores condições, eventualmente, poderá haver uma ou duas…

Aquela até tem banheira e tudo…

Não havia razão nenhuma para estarmos a retirar a banheira e ter que substituir os azulejos todos. Estamos num período em que também não podemos gastar aquilo que queremos. Então se podíamos evitar mudar os azulejos todos daquela casa-de-banho, mantendo a banheira, qual é o problema?

Uma das críticas principais que se faz é que fica um pouco fora de mão para quem vem para o centro. No vosso programa eleitoral há a proposta de fazer uma via de ligação à Rua Infante D. Henrique, através de um viaduto sobre a linha de comboio. É uma proposta que tem pés para andar, já falou com o Governo e com a CP?

Tem muitos pés para andar. É uma proposta para ser estudada neste mandato, as pessoas não podem continuar a pensar que temos de fazer tudo num ano ou num mandato. Nós temos 24 milhões de euros para gastar [no mandato], há que fazer opções e ver onde é que é mais importante e premente fazer o investimento.

Todos sabemos que a mobilidade, em Portimão, é complicada, sobretudo, na zona ribeirinha e para aí também temos uma alternativa, que vamos executar. Vamos criar condições para que a entrada em Portimão [através da ponte ‘velha] seja feita pela rua Júdice Biker, isto é,  por onde agora é feita a saída e que a saída passe a fazer-se pela zona ribeirinha, retirando uma casas velhas que estão ali.

Já chegou a acordo com os donos desses imóveis?

Tivemos uma reunião há poucos dias, estamos a trabalhar nisso e é um projecto que quero levar por diante. Até porque abre-se aquele espaço todo do Jardim 1º de Dezembro, em frente ao TEMPO, com visibilidade para o rio, fica um espaço desafogado e, por outro lado, permite uma acessibilidade muito mais fácil, sem ter que toda a gente passar, obrigatoriamente, pela rua Direita.

Também há, no vosso programa, a promessa de conseguir mais estacionamento não tarifado. Como é que vai fazer isso? Vai rasgar os acordos que a Câmara tem com as concessionárias do estacionamento?

Não é rasgar os acordos, de maneira nenhuma. É negociar com as empresas e já estamos a fazê-lo. Temos 716 lugares tarifados no centro da cidade e queremos que fiquem apenas 152. O que se passa é que foram distribuídos 400 cartões a residentes e é claro que não há rotatividade.

Se só tivermos 152 tarifados, ficam mais de 500 para quem lá mora e para quem visita o centro da cidade. E esses 152 serão tarifados a 60 cêntimos, descendo dos actuais 80 cêntimos e serão tarifados só durante o dia, até às 18/19 horas.

É isto que queremos fazer, porque se continua a dizer que não há movimento no centro da cidade porque o estacionamento é tarifado. Então vamos tentar resolver o problema e vamos ver se, depois, as pessoas vão para o centro da cidade.

Acha que é dessa forma que consegue reanimar o centro da cidade?

Nós já fizemos várias coisas pelo centro da cidade. Desde logo, a colocação das velas, do sombreamento. Fizemos um acesso directo a partir da V6…

Qual é a opinião dos comerciantes sobre esse sombreamento?

É boa, é óptima. Aliás, há até comerciantes em zonas em que ainda falta uma ou duas, que estão  reclamar porque também querem. A nossa ideia é ampliar o espaço com as velas.

Outra medida de apoio foi isentar do pagamento de taxas quem quer pôr ornamentos (vasos) à entrada das lojas. Agora, eu também acho que tem de haver, da parte dos comerciantes, capacidade de iniciativa e, da parte dos proprietários dos imóveis, a consciência de que não se pode ganhar mundos e fundos com as rendas daqueles espaços e que mais vale, se calhar, durante um determinado período ganhar menos, relançar o centro e depois, aí sim, aumentarem as rendas.

Portanto, a Câmara tem alguma culpa, mas não tem toda…

Bem, pode dizer-se que, não havendo estacionamento, as pessoas não vão ao centro, mas não há garantia que, depois, os trabalhadores das lojas não vão encher esses espaços, não os disponibilizando a quem quer ir às lojas. Isto é tudo, também, uma questão cívica.

“Acho que tem de haver outra dinâmica da parte dos comerciantes”

Em Faro existe uma iniciativa levada a cabo ao longo de 9 sextas-feiras, durante o Verão, em que as lojas ficam abertas até à meia-noite e há animação nas ruas. Portimão é uma cidade mais turística, tem multidões de gente, sobretudo em Agosto, a andar na zona ribeirinha. Seria assim tão difícil fazer da Alameda da Praça da República um pólo de animação, a partir do fim da tarde, e tentar atrair esses turistas para o centro da cidade, onde as lojas estariam de portas abertas?

Nada difícil. Eu tenho dito aos comerciantes que abram as portas que nós colocamos animação. Acho que tem que haver uma outra dinâmica da parte dos comerciantes. Nós abrimos o Balcão Único no centro da cidade, que atrai  milhares de pessoas por mês àquela zona. E eu disse-lhes que o Balcão único estará aberto até à hora que as lojas estejam.

Não teria sido uma boa ideia colocar no centro da cidade a incubadora de empresas, que acabou por ser instalada no Autódromo? Há tantos espaços fechados, não se arranjava forma de encontrar um ou dois onde se colocasse a incubadora, dando, por essa via, mais um contributo para a reanimação do centro da cidade?

A incubadora, no lugar onde está é gratuita, nós não pagamos nada. Eu falei há pouco no valor das rendas no centro da cidade, que são exorbitantes, e para montar uma incubadora como a que nós temos no Autódromo precisávamos de um espaço muito grande, que nos ia ficar muito caro. E, portanto, optámos por aquele espaço, que tem muita dignidade e que está a ser um sucesso extraordinário.

Estive a dar uma vista de olhos pelos rankings das escolas e cheguei à conclusão que a mais bem colocada de Portimão está no ranking 300. Porque é que acha que as escolas do concelho são tão más?

Não me diga isso, não concordo nada com isso. A ideia que tenho do funcionamento das nossas escolas é muito boa, digo-lhe  com toda a frontalidade e honestidade. Os resultados têm, às vezes, formas de ser medidos que, provavelmente, até nem correspondem bem à realidade.

Mas também lhe digo que as escolas secundárias não têm nada a ver com as câmaras. Têm autonomia pedagógica, autonomia de funcionamento, a Câmara não é para aí chamada.

Mas fazem parte da qualidade de vida dos portimonenses.

Exactamente. Mas essa pergunta devia ser endereçada aos directores das escolas, mas respondendo por eles, e não fugindo à questão, posso dizer-lhe que tenho muito orgulho nas escolas que temos e no trabalho que é desenvolvido pelos nossos professores. Como não trabalho nas escolas, não faço parte de qualquer conselho pedagógico, não faço sou directora de escolas, não me pergunte se há falhas no interior das escolas porque não estou lá. O que lhe posso dizer é que, por vezes, nesses rankings, a análise que é feita não é a mais correcta.

Como é que geriu o parque escolar que lhe diz respeito e que propostas tem para o futuro, nesta área da educação?

Temos intervenções programadas para várias escolas e algumas delas são de fundo. Há algumas em que vamos ter de construir salas novas e refeitórios. Temos que construir uma nova creche porque temos poucos espaços de acolhimento para crianças até aos 3 anos. De resto, é a manutenção do parque. Ainda temos uma escola primária com amianto, que vamos retirar. Vamos melhorar os espaços exteriores, para que as crianças tenham melhores condições para brincar, para que usufruam melhor dos seus espaços de lazer.

“O espaço junto ao Mercado Municipal, onde agora estão barracas, vai ser um parque de lazer”

Falando de espaços exteriores, essa é uma área em que há muito a fazer em Portimão, só agora se começam a surgir algumas obras. O que é que vai fazer nos espaços públicos?

As obras só agora começaram a ser feitas porque, de acordo com a Lei dos Compromissos, não tivemos fundos disponíveis até Julho do ano passado e sem isso não se podia fazer adjudicações. A partir daí começámos a lançar os concursos e qualquer concurso leva, no mínimo 6 meses, é uma coisa altamente dolorosa.

Por outro lado, infelizmente, muitas das empresas locais faliram. Então, quem é que se candidata? Empresas de fora que concorreram a obras em todos os municípios e deu-se o caricato desta situação com a rotunda que estivemos a fazer junto ao Mercado: a empresa era a mesma que estava a fazer a EN 125 e então estava 8 dias na nossa rotunda, 8 dias na EN 125 e andámos nisto…

O caderno de encargos não indica o timing de conclusão da obra?

Sim, e fixa penalização, que as empresas pagam. E pedem adiamentos, invocando determinadas circunstâncias… Mas mesmo emitindo as multas, não conseguimos que o trabalho seja feito. Isto foi muito difícil porque começámos a lançar concursos uns atrás dos outros e acabaram todos por cair nesta altura.

Mas também sempre disse aos portimonenses que não é por estarmos em período de eleições que vamos deixar de fazer as obras. Vamos fazer intervenções em todos os jardins e criar novos espaços ajardinados e novos.

O espaço junto ao Mercado Municipal, onde agora estão barracas, vai ser um parque de lazer. Vamos realojar os cidadãos de etnia cigana que lá estão e assim que isso estiver feito, começamos a construir o parque.

No sítio onde é, hoje, o viveiro, vamos construir um jardim e o viveiro vai passar para junto da Quinta Pedagógica. No local da antiga ETAR já está a ser feita a secagem das lamas de algumas lagoas e vai ser feito um parque urbano, que vai ter ligação à cidade, através da zona das sardinhas. Vai haver um corredor verde na zona do Barranco do Rodrigo…

Quando é que se vão começar a notar essas mudanças na cidade?

Vão começar a ser notadas já, porque o concurso para o arranjo dos jardins já está a decorrer, mas nesta altura estão a cortar a erva que aqueles espaços têm e só depois é que vão começar as intervenções de fundo.

Há 4 anos, por esta altura, falava-se muito na problemática da saúde no concelho de Portimão. Na altura, tomou posições fortes que, seguramente, lhe renderam bastantes votos. Nestes 4 anos poucas melhorias relevantes parecem ter acontecido nesta área, em especial no Hospital do Barlavento, mas, agora, não a ouvimos praticamente falar sobre isso. É por o seu partido estar agora no poder?

Não. Essa é uma das minhas principais preocupações. E, de facto, o dr. Pedro Nunes, anterior administrador do Centro Hospitalar cometeu, eu diria que um autêntico crime, tendo chegado a uma situação em que para colocar, de novo, o Hospital de Portimão a funcionar em pleno vai levar muito tempo.

Mas, mesmo assim, tudo aquilo que me foi pedido, eu fiz. Foi-me solicitado uma vez para disponibilizar um apartamento para residência de médicos e pedi para se arrendar um apartamento para esse fim.  O facto deste Governo ser do meu partido dá-me a vantagem de não ter que andar a falar publicamente, pois posso fazer a minha influência junto de quem tenho que a fazer.

Mas a verdade é que isso parece não ter tido grandes resultados. Sinceramente, já esperava que a situação nesta altura fosse outra, que as coisas tivessem evoluído de uma forma diferente?

Quando se fazem tantos concursos para médicos que ficam desertos, obviamente que não nada a fazer. Mas não sei se ouviram uma entrevista do senhor ministro da Saúde, em que disse que todos aqueles que fazem a sua formação nos hospitais públicos depois têm que permanecer no Serviço Nacional de Saúde durante, pelo menos, 5 anos. Isto pode ser uma forma de combate a esta falha.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista
(Entrevista conduzia por João Cardoso, Jorge Eusébio e Rui Miguel)

Leia também:

As propostas do «Nós, Cidadãos» para Portimão

As propostas do PS para Portimão

 As propostas da coligação «Servir Portimão» 

As propostas do Bloco de Esquerda para Portimão

(Visited 505 times, 1 visits today)
pub
ViladoBispo_Banner_Fev
pub
pub

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.