Os homenageados no Dia da Cidade de Portimão

Tal como é habitual, no decorrer da sessão solene do Dia da Cidade de Portimão, foram entregues medalhas e títulos honoríficos a alguns cidadãos e entidades.

Este ano, as medalhas principais, as de ouro, foram atribuídas, a título póstumo, a José Manuel Tengarrinha e Emídio Serrano. Com medalhas de bronze foram distinguidos o programa de rádio Choque Frontal ao Vivo e o empresário Henrique Diogo. Foi, ainda, concedida a Isaura Assunção Coelho o título de Cidadã Benemérita.

Nascido em Portimão, em 12 de abril de 1932, José Manuel Tengarrinha iniciou a sua vida política muito cedo, aos 15 anos, quando ingressou no Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil, de cuja Comissão Central foi membro. Participou em todas as grandes campanhas políticas da oposição democrática, entre 1958 e 1974, tendo sido candidato, pelo círculo de Lisboa, nas eleições realizadas para a Assembleia Nacional em 1969 e 1973.

Foi, ainda, fundador, em 1969, do Movimento Democrático Português (MDP/CDE), participou, no mesmo ano, no Congresso Republicano e, em 1973, integrou a Comissão Coordenadora do Congresso da Oposição Democrática.

Após o 25 de abril foi eleito presidente do MDP/CDE e, por esse partido, deputado à Constituinte e em diversas legislaturas. Foi vice-presidente da Comissão Parlamentar de Educação, coordenador e um dos redatores do projeto que daria origem à Lei de Bases do Sistema Educativo. Faleceu, de doença oncológica em 29 de junho de 2018.

Emídio Serrano nasceu em Lisboa a 24 de janeiro de 1939. Em 1945 foi para Angola, tendo regressado à capital portuguesa em 1956, onde frequentou a Faculdade de Direito. Depois de cumprir o serviço militar e de se licenciar vem para Portimão, em 1965, onde se estabeleceu como advogado.

Entre 1969 e 1973 fez parte da CDE (Comissão Democrática Eleitoral), que concorreu às eleições legislativas. Em maio de 1974 foi um dos fundadores da secção de Portimão do Partido Socialista (PS) e colaborou na constituição das secções locais daquele partido em todo o Barlavento. Em dezembro do mesmo ano foi eleito para a Comissão Política e a Comissão Nacional do PS, tendo pertencido a esta estrutura por diversos mandatos. Foi, ainda, coordenador da Distrital do Algarve do PS durante 3 anos.

Em 1975 foi eleito para a Assembleia Constituinte pelo círculo de Faro, onde participou ativamente em várias comissões especializadas, designadamente a dedicada à organização do poder local.

Em 1976 foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Portimão, cargo que exerceu ao longo de 3 mandatos, até 1986, ano em que é eleito vereador e no qual se mantém até 1990. Entre 1995 e 1999 assumiu funções de membro da Assembleia Municipal de Lagoa e foi, ainda, presidente do PS/Portimão em 1974 e entre 1990 e 1993. Faleceu em 18 de junho de 2018.

Henrique Diogo é um empresário natural de Lisboa que se estabeleceu em Portimão em 1999, à frente do McDonalds local.

A autarquia justifica a atribuição da medalha de bronze pela “relação que manteve nos anos seguintes com os mais variados quadrantes da vida social, cultural e desportiva” e o “forte apoio” que tem prestado a diversas instituições e clubes desportivos.

Também com a medalha de bronze foi distinguido o programa de rádio Choque Frontal ao Vivo, que é conduzido por Ricardo Coelho e Júlio Ferreira.

Trata-se de um programa que mensalmente é gravado ao vivo, normalmente, no pequeno auditório do Teatro Municipal de Portimão (TEMPO) perante uma assistência de cerca de 125 pessoas. José Cid, Fernando Mendes, Mário Mata e o humorista Serafim são alguns dos nomes mais conhecidos que já passaram por aquele palco.

Os órgãos autárquicos portimonenses decidiram ainda atribuir o título de Cidadã Benemérita a Isaura Assunção Coelho. Nascida em Portimão em 1926, tem uma vida de luta contra o antigo regime, pela democracia e pela igualdade de direitos das mulheres.

Uma das suas primeiras batalhas foi pela liberdade de casamento para as enfermeiras. Em 1953, durante a campanha para as eleições para a Assembleia Nacional foi presa, juntamente com outros jovens, quando se dirigia para a sede do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Na prisão foi sujeita ao regime de isolamento e espancada.

Apesar de se ter formado um grande movimento a favor da sua libertação, ela só aconteceria em 1956. Teve residência fixa em Portimão, na casa dos seus pais, onde era vigiada pela polícia política de então, a PIDE.

Mais tarde seria admitida na Liga dos Hospitais, de onde acabaria por ser expulsa pelo almirante Henrique Tenreiro, depois de saber do seu passado de resistência.

Após o 25 de abril recusou o cargo que lhe era dado de enfermeira-chefe dos Hospitais Civis de Lisboa, mantendo-se como enfermeira de 2ª classe na Maternidade Alfredo da Costa. Mais tarde subiria a enfermeira de 1ª e, posteriormente, a enfermeiro-chefe.

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