“Se não forem tomadas medidas para resolver o problema, vamos endurecer o protesto”

Este sábado decorreu, em Portimão, uma manifestação pela melhoria dos serviços de saúde na região, em especial do Hospital do Barlavento.

Um dos responsáveis pela iniciativa foi João Pires, que faz um balanço muito positivo da manifestação, e promete endurecer o protesto se os problemas não forem resolvidos.

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Que objetivo teve esta manifestação?

Pretendeu-se, essencialmente, chamar a atenção das entidades competentes, neste caso, do Ministério da Saúde, para um problema que atingiu um nível para lá de tudo o que é expectável, desejável a aceitável.

Que balanço faz da iniciativa? Valeu a pena?

Valeu, por duas razões. Esta foi uma iniciativa da sociedade civil, o que é completamente diferente de muitas outras, promovidas por este ou aquele partido, em função de quem está no Governo. O PS só se mobiliza quando a direita está no poder e vice-versa. Isso faz com que o hospital seja instrumentalizado nas lutas eleitorais entre eles, sendo a resolução dos problemas não um objetivo em si mesmo, mas um meio para atingir fins políticos.

Sendo uma manifestação promovida pela sociedade civil é diferente, é muito mais sincero, as pessoas vieram pela sua própria iniciativa e não porque receberam um e-mail da direção do partido ao qual pertencem.

A outra razão pela qual considero que valeu a pena é porque isto vai ter consequências. Fica a promessa que se não forem tomadas medidas para resolver o problema de uma forma efetiva, nós vamos endurecer o protesto.

De que forma?

Limito-me a dizer que vamos ter outras ações.

A adesão à manifestação foi a que esperava?

Foi mais do que esperava porque sei que é muito difícil mobilizar as pessoas e por isso contava com a presença de, sensivelmente, metade das pessoas que lá estiveram. Também em termos de cobertura mediática estava à espera de menos. Portanto, os objetivos foram cumpridos e até ultrapassados, pelo que estamos muito satisfeitos.

Na base dos problemas que afetam os hospitais algarvios está a falta de médicos, porque muitos deles se recusam a vir para o Algarve. Como é que é possível resolver esse problema?

Há quem ache que é necessário oferecer grandes incentivos financeiros, mas receio que o problema tenha de ser resolvido de outra forma. A formação especializada dos médicos é tirada em ambiente prático em unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), dura vários anos e, uma vez concluída, muitos deles vão exercer a sua profissão em empresas privadas.

O que faz sentido, na minha opinião, e resolveria, na generalidade, o problema, é que eles tenham de permanecer um período mínimo de tempo no SNS para, de alguma forma, restituírem o investimento que nós, comunidade, fizemos na sua formação.

Trata-se de um sistema que já existe, por exemplo, com os pilotos da Força Aérea. Há, igualmente, empresas privadas de transporte que pagam cartas especializadas a trabalhadores, com a ressalva de que terão de permanecer na empresa durante determinados anos. Inclusivamente, certas unidades hospitalares privadas começam agora a dar a possibilidade aos médicos de fazerem algumas especialidades, com a contrapartida de se manterem ao seu serviço.

Portanto é do mais elementar senso comum que se faça o mesmo no SNS.

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