Atribuição de pelouros provoca ‘guerra’ política no PS de Albufeira

As eleições do passado dia 26 de setembro mantiveram o PSD à frente do executivo municipal de Albufeira, mas sem maioria absoluta.

Em face disso, e para que possa ter condições políticas para desenvolver o seu projeto político, o presidente da Câmara, José Carlos Rolo, ofereceu pelouros a Ricardo Clemente, que tinha encabeçado a lista do PS às autárquicas.

O vereador aceitou, mas, ao que parece, à revelia da comissão política local do partido, que é dirigida pelo nº2 da lista e também vereador Victor Ferraz.

Em comunicado, aquela estrutura política veio dar a sua versão dos factos, acusando Ricardo Clemente de, logo que foram conhecidos os resultados eleitorais, ter comunicado ao partido “a sua abertura para aceitar pelouros”.

No texto, acrescenta-se que nos dias seguintes avolumaram-se as suspeitas de que já haveria um acordo daquele eleito com o PSD, o que terá mesmo sido confirmado pelo próprio, ao assumir que se tratava de “uma opção pessoal e que o partido deveria fazer o que entendesse”.

Mais tarde, em contacto telefónico, o presidente da Câmara terá informado o líder do PS/Albufeira que “queria apresentar uma proposta de acordo conjunto para os três órgãos, uma vez que não pretendia negociar com os independentes”.

Em face disso, foi realizada uma reunião entre os dois partidos, no decorrer da qual o PS “rejeitou a proposta final do PSD, uma vez que esta transformava a perda de maioria nos três órgãos pelo PSD, numa posição de maioria absoluta, ficando o Partido Socialista numa posição de subserviência, subvertendo a vontade do voto popular que atribuiu mais votos a toda a oposição”.

Gorada a possibilidade deste acordo abrangente, José Carlos Rolo acabou por negociar diretamente com Ricardo Clemente, tendo oficializado, no passado dia 21, a atribuição de pelouros aos eleitos da coligação Ser Albufeira, pela qual concorreu, e a este vereador, que, muito provavelmente, deverá perder a confiança do seu partido.

Em post publicado na sua página de Facebook, Ricardo Clemente diz que “a minha decisão prende-se com a vontade que tenho em ajudar e servir a minha terra”. Para além de justificar dessa forma a sua opção, lança farpas em relação ao responsável máximo da concelhia local do seu partido, acusando-o de se ter oferecido a José Carlos Rolo, “no domingo das eleições, ainda faltava sair o resultado final”, para viabilizar a governação autárquica.

Esta acusação provocou “indignação e estupefação” em Victor Ferraz, conforme escreve num texto também publicado no Facebook. O líder do PS/Albufeira desmente a afirmação de Ricardo Clemente e garante que em momento algum terá abordado José Carlos Rolo para solicitar qualquer lugar, “até porque sempre me mantive coerente, em caso de derrota ficaria na escola onde sou diretor”.

Qualifica como “graves” as afirmações feitas pelo, até há dias, seu colega de lista, as quais “terão consequências legais, uma vez que afetam o meu bom nome, caso não seja retirado o post”.

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