Câmara de Portimão promete disponibilizar 31 habitações para fixar profissionais de saúde

Dentro de dois anos, a Câmara de Portimão espera ter disponíveis 31 habitações que serão prioritariamente destinadas ao alojamento de profissionais de saúde.

A informação foi avançada pela presidente do Município, Isilda Gomes, no final de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal, ocorrida na segunda-feira, destinada a debater os problemas da Saúde.

Nesta altura, referiu a autarca, “temos 2 apartamentos na Casa da Proteção Civil e mais uma casa na baixa”, onde podem ser alojados médicos e enfermeiros de que o concelho está muito carenciado. A curto prazo, e no âmbito do processo de transferência de competências do poder central, a Câmara deverá receber de volta, do Ministério da Justiça, 4 apartamentos que ficarão destinados ao mesmo fim.

Entretanto, está a decorrer o processo que há-de levar à construção de 224 apartamentos, dos quais “200 são para ser vendidos a custos controlados e 24 ficarão para a autarquia”, que os pretende utilizar para a fixação de profissionais de saúde e, eventualmente, também de forças de segurança. Contudo, estes imóveis só deverão ficar concluídos dentro de cerca de dois anos.

No decorrer desta sessão, que contou com a participação dos responsáveis máximos da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Paulo Morgado, e do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), Ana Gomes, uma das justificações dadas para os problemas existentes foi, exatamente, a dificuldade em contratar médicos.

Por exemplo, a questão do fecho do bloco de partos do Hospital do Barlavento em alguns fins de semana “tem a ver com a falta de pediatras”, explicou Ana Gomes aos deputados municipais.

Custo da habitação afasta médicos do Algarve

A dificuldade que se verifica no recrutamento dos profissionais de saúde deve-se a várias situações. Desde logo, “ao facto do custo de vida no Algarve – sobretudo ao nível da habitação – ser mais caro do que noutros pontos do país e a remuneração que podemos oferecer ser a mesma”, referiu a responsável máxima do CHUA.

Outra das situações que afasta os médicos e enfermeiros da região é, em muitos casos, a circunstância de as condições técnicas e materiais que têm à sua disposição deixarem muito a desejar.

A presidente do CHUA diz que desde que a sua equipa tomou posse colocou em prática um programa de obras de requalificação e compra de equipamento, mas avisa que não será a curto prazo que todos as situações ficarão resolvidas, pois houve “um grande desinvestimento” no passado e as intervenções que são necessárias “têm um atraso de mais de 20 anos”.

Ainda assim, de acordo com as suas contas, o número de cirurgias e de consultas no Hospital do Barlavento “aumentaram 20%”. O problema é que do lado da procura houve um aumento muito superior a isso.

Um dos casos concretos de que se falou nesta sessão foi a dos utentes da Mexilhoeira Grande de cuja Extensão de Saúde saiu, recentemente, uma médica, ficando apenas uma outra a tempo inteiro. O presidente da ARS, Paulo Morgado, disse que foi a profissional em causa que decidiu sair e que até agora não foi possível encontrar um substituto.

No entanto, a situação poderá vir a ser colmatada nos próximos tempos, uma vez que no mais recente concurso de recrutamento aberto “há uma vaga para essa Extensão de Saúde”.

Este responsável adiantou que, enquanto essa situação não é resolvida, uma forma de minorar o problema passará pelo recolocação em funcionamento de uma Unidade de Saúde Móvel, que, nos últimos tempos, devido à pandemia, tem estado parada. Isso vai permitir que, com regularidade, uma equipa médica se desloque às zonas mais distantes do centro do concelho e preste um apoio complementar às populações locais.

No decorrer da sessão ficou, no entanto, claro que, pelo menos a curto prazo, os principais problemas que afetam os serviços de saúde pública no Algarve não vão desaparecer. O aumento de vagas no Mestrado de Medicina da Universidade do Algarve e, sobretudo, a há muito aguardada construção de um novo Hospital Central do Algarve é que poderão vir a dar um contributo decisivo para que isso aconteça.

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