O mistério da elevação de Monchique a vila pelo rei D. Sebastião
Monchique celebrou os 251 anos da sua elevação a vila e passagem a concelho, decidido pelo rei D. José, através de alvará assinado em 16 de janeiro de 1773.
Mas, e se, afinal, a passagem a vila tiver acontecido 200 anos antes, no decorrer de uma visita ao Algarve levada a cabo pelo então rei D. Sebastião?
Esse foi o tema da apresentação do historiador e investigador José António Martins, numa conferência que teve lugar na sede da Junta de Monchique, este sábado, dia 20 de janeiro.
A dúvida justifica-se por o cronista da viagem, João Cascão, ter escrito que o monarca decidiu, ao visitar o então ‘lugar’ de Monchique elevá-lo à condição de vila. Mas acrescentou que a Câmara de Silves, de cujo território Monchique fazia parte, contestou a decisão, depreendendo-se daqui que essa tomada de posição terá feito o rei recuar nas suas intenções.
Mas José António Martins defende que “não seria, de certeza, a opinião contrária de Silves que faria o soberano voltar atrás”, até porque, na altura, já tinha perdido a glória e brilho de outros tempos e era, então, “uma cidade em ruínas, sem grande número de habitantes e não teria força política para contraditar a decisão do rei”.
O problema, referiu José António Marques, é que não é conhecida documentação que garanta que o rei manteve ou não a sua decisão, pelo que, até ver, é impossível chegar a um consenso sobre o que realmente aconteceu.
Para que isso possa ser possível, defende que é necessário levar a cabo uma investigação quase detetivesca nos arquivos, quer do poder central, quer na Câmara, na Misericórdia e bibliotecas. Tem sido dessa forma que, por vezes, foram encontrados documentos que dão novas pistas e informações sobre episódios e dúvidas históricas e pode ser que um dia também nos dêem uma resposta a esta questão.
“Não se pode dar nada como garantido”
Na abertura deste colóquio, o presidente da Câmara, Paulo Alves, lembrou que “em termos administrativos e de território, Monchique nem sempre foi como é atualmente”. O concelho chegou a incluir nos seus domínios as zonas da Sra. do Verde e da Mexilhoeira Grande, que, como se sabe, entretanto, passaram a integrar o concelho de Portimão.
O atual ‘desenho’ administrativo de Monchique parece consolidado, mas quer a este nível, quer no que diz respeito à “grande evolução” que houve no país e também no concelho após a revolução do 25 de abril, o autarca defende que “não se pode dar nada como garantido, há que continuar a lutar”.
Esta sessão contou também com a participação de Diogo Vivas, responsável pelo Arquivo Municipal de Lagoa, que passou a concelho na mesma data de Monchique, e teve a vereadora Helena Martiniano como moderadora. Estava, igualmente, prevista a participação da professora universitária Andreia Fidalgo, o que, por motivos de saúde, acabou por não acontecer.

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