Longe das praias, perto da alma do Algarve: assim é esta terra (com vídeo)
O nome foi-lhe dado pelos árabes e carrega um profundo significado: Monchique quer dizer Montanha Sagrada.
Encravada na serra que lhe dá nome, esta é a vila mais alta do Algarve, situada a cerca de 450 metros de altitude, e sede de um concelho com pouco mais de cinco mil habitantes.
Monchique preserva com orgulho as suas tradições serranas e tem na aguardente de medronho um dos seus produtos mais emblemáticos.
A descoberta da vila pode começar no miradouro de São Sebastião. Deste ponto elevado, a vista abarca toda a vila, encaixada no verde da floresta.
Entre o casario branco destaca-se a igreja matriz, enquanto, num plano mais distante e sobranceiro, se vislumbram as ruínas do Convento de Nossa Senhora do Desterro, silencioso testemunho de outros tempos.
Depois de apreciar a paisagem, a caminhada continua por uma rua bem inclinada que conduz ao Largo dos Chorões, já no coração da vila. Aqui, o ambiente é particularmente aprazível. Um pequeno lago, esculturas e uma nora compõem o cenário, recordando um engenho outrora essencial para retirar água do subsolo, movido pela força paciente de um burro, de uma égua ou de um cavalo.
Seguimos então pelas ruas estreitas de Monchique, onde o casario típico da serra, muitas vezes antigo e de traços simples, acompanha o passo. Em vários pontos surgem figuras em metal, quase humanas, que parecem observar quem passa e dão um toque artístico e inesperado à vila.
Chegamos à igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A sua origem remonta ao século XV e tudo indica que foi construída no local onde antes existiu uma mesquita. No século XVIII, teve de ser recuperada devido aos danos provocados pelo terramoto de 1755. No seu exterior, merece especial atenção o elegante pórtico manuelino, um dos elementos mais marcantes do templo.
Ao longo de toda a caminhada, a serra faz-se sempre presente, envolvendo a vila. Mesmo no inverno, há flores coloridas à porta de algumas casas, sinal de vida e cuidado. Os edifícios mantêm uma arquitetura sóbria e tradicional, incluindo o edifício da câmara municipal, integrado de forma harmoniosa no conjunto urbano.
Grande parte das ruas é calcetada com pedras extraídas das próprias montanhas, reforçando a ligação íntima entre a vila e a serra. E basta levantar o olhar para descobrir outro elemento identitário: as chaminés típicas. Entre elas destaca-se a chaminé de saia de Monchique, com uma base larga que ocupa toda a dimensão da cozinha, concebida para resistir às condições mais agrestes da serra.
Monchique é isto mesmo: uma vila que se revela passo a passo, feita para ser descoberta a pé. Porque em cada esquina, em cada subida ou descida, há sempre algo que desperta a curiosidade e convida a ficar mais um pouco.
Assista aqui ao vídeo:



