Política

“Sousa Cintra tem ajudado o concelho de Vila do Bispo”

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Segunda parte da entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, em que se abordam a situação financeira da autarquia e alguns dos principais projectos para os próximos tempos. Adelino Soares também fala da sua relação de amizade com o empresário Sousa Cintra.  O bom relacionamento, garante, tem trazido benefícios para o município.

Algarve Marafado (AM) – As divergências que tem tido com a concelhia local do PS têm alguma coisa a ver com a sua relação com o empresário Sousa Cintra?

Adelino Soares (AS) – Sousa Cintra é meu amigo pessoal, é um empresário de renome a nível nacional, é uma pessoa que tem muitas propriedades no concelho e com o qual o município não se deve incompatibilizar.

Daquilo que tem sido a gestão municipal, até hoje não tenho tido razão de queixa dele, tem ajudado em muitas situações, veja-se o caso da legalização do Bairro da Liberdade, em Sagres, de 94 moradias. Sem a ajuda de Sousa Cintra teria sido completamente impossível resolver o problema, que se arrastava há 40 anos.

AM – Mas há adversários políticos seus que dizem ser esta uma relação suspeita.

AS – Não acredito que, em situação alguma, o facto de uma pessoa se relacionar com outra isso tenha algum tipo de suspeição. Se há alguma coisa que eles acham que seja suspeita ou que esteja menos bem, há entidades próprias para fiscalizar.

Daquilo que tem sido o meu relacionamento pessoal e institucional com a pessoa em causa, tem sido, até hoje, muito produtivo para o município. O facto de ser uma pessoa amiga, com quem eu gosto de estar, uma pessoa que tem feito bem a este território, não faz com que me esconda dessa situação.

AM – Com os investimentos que tem feito, nomeadamente, ao nível do petróleo, Sousa Cintra é uma mais-valia ou, por assim, dizer, um fardo político para si?

AS – Na sua actividade empresarial, ele saberá onde deve ou não investir, isso a mim não me diz respeito. Do ponto de vista do território de Vila do Bispo, temos andado a divulgar e a estudar cientificamente todas as potencialidades do território, em todas as vertentes que turisticamente se podem explorar e essas não são compatíveis com a exploração de petróleo.

A minha posição sobre isso é clara, foi manifestada no seio da Associação de Municípios do Algarve (AMAL), em que todos os presidentes de Câmara assumiram a sua discordância em relação à possibilidade de exploração de petróleo na região. O facto de ter esta posição, não quer dizer que não reconheça muito mérito a Sousa Cintra em muitos dos investimentos que faz e não inviabiliza que possa ser seu amigo.

Dívida da Câmara é de 6,5 milhões de euros

AM – Qual é o valor total previsto do Orçamento da Câmara para o próximo ano e quais as prioridades nele definidas?

AS – O valor do Orçamento é de 15,5 milhões.

As prioridades têm a ver com a concretização de alguns projectos que estão financiados, a nível comunitário, entre os quais a recuperação dos Celeiros, em Vila do Bispo.

Há um projecto que não tem comparticipação, mas que é um compromisso assumido com a população e com os responsáveis do Clube Recreativo Infante de Sagres, que é a sua nova sede. Embora seja um edifício da Câmara, vai ser gerido por esta colectividade que tem um enorme historial.

Temos outros investimentos que queremos fazer para o ano, como a recuperação do Mercado de Sagres, que estão dependentes de investimento comunitário.

Estamos, neste momento, a ultimar a questão da transição da Estrada Nacional 268 (entrada de Sagres) para o Município e, em 2017, pretendemos fazer o projecto para, de uma vez por todas, resolver um problema que persiste há muitos anos, a entrada de Sagres, que não é nada digna para a localidade e que, ao nível da segurança, continua a trazer problemas, ao longo de todo o ano.

É um projecto que implica um investimento avultado, de 2,5 a 3 milhões de euros, que terá de ser diluído ao longo de vários anos, pois não temos tal capacidade de investimento num só ano.

AM – O acordo para a passagem da estrada para a Câmara está fechado ou é apenas uma expectativa que tem?

AS – Falta apenas o parecer jurídico que autorize essa passagem a título definitivo. Havia a intenção de passar a responsabilidade para a autarquia, ficando a titularidade na mesma na Infraestruturas de Portugal. Para nós era complicado fazer investimentos em algo que não é nosso e informámos que aceitaríamos essa responsabilidade desde que a via passasse para o município e é isso que, em princípio, até ao final do ano, quero ver concluído.

Uma outra questão, que estamos a ultimar é a possibilidade de construção de um grande reservatório de água, alterando o ponto de entrega da água por parte da empresa responsável pela distribuição em alta, a Águas do Algarve  e, desta forma, resolver o problema do abastecimento a Sagres.

O problema do fornecimento de energia eléctrica a Sagres foi resolvido – e aqui, voltando um pouco atrás na entrevista – através de um protocolo feito com Sousa Cintra, que permitiu que resolvêssemos o problema das quebras de energia, que ali existiam, com frequência.

O problema do saneamento ficou resolvido, com a construção da nova ETAR. Falta resolver o problema do abastecimento de água, e de acordo com o que foi discutido na última reunião que tivemos com os responsáveis da Águas do Algarve, tudo indica que, para o ano, possamos iniciar a resolução deste problema que também persiste há muito tempo.

AM – Mas essa é uma obra a cargo das Águas do Algarve, não?

AS – A construção do reservatório, que já faz parte do sistema de distribuição de água em baixa [até à casa das pessoas], fica a cargo do município, enquanto que a abertura da conduta até este reservatório é da responsabilidade da Águas do Algarve.

AM – Essa intervenção implica um investimento grande?

AS – Sim, vai ser um investimento grande. Ainda não sabemos qual o valor exacto, mas vão ser uns milhões de euros, que serão repartidos pela Águas do Algarve (a conduta) e a Câmara de Vila do Bispo (o reservatório). Em 2017 vamos adquirir dois reservatórios de água mais pequenos, um para a Pedralva e outro para as Hortas do Tabual, cujo custo ronda, cada um deles, à volta de 50 mil euros. A ideia que temos é que o reservatório de que estamos a falar, pelas suas dimensões, poderá custar entre os 250 e os 300 mil euros.

AM – Qual é a dívida que a Câmara tem, nesta altura?

AS – É de cerca de 6,5 milhões de euros, sendo que apenas 1,5 é de médio/longo prazo e os restantes 5 milhões de curto prazo, o que dificulta mais a nossa gestão. Seria mais fácil para nós passá-la para médio/logo prazo. O nosso objectivo e amortizar essa dívida – já baixámos a que encontrámos, em 10 milhões – para criar estabilidade para o futuro para que o município possa voltar a reinvestir com maior consistência do que tem feito até aqui.

Requalificação do Cabo de S. Vicente

AM – Como é que está o projecto de construção de uma ciclovia que é suposto ir de Sagres até Sines?

AS – Neste momento, o que está previsto, no que nos diz respeito, é a parte de entrada do concelho, do ponto de vista de quem vem de Aljezur, até ao Cabo de S. Vicente. Estamos a falar de um investimento de 1.150.000 euros que acreditamos poderá ter um financiamento comunitário à volta dos 70%. A juntar a essa verba há mais cerca de 20% que deverá ser financiada pelo Turismo de Portugal.

AM – Há um outro projecto relacionado com o Cabo de S. Vicente. Em que consiste?

AS – Queremos estruturar todo o espaço da venda ambulante que, actualmente, está desordenado e dar boas condições às pessoas que ali exerçam a actividade. Também queremos ordenar o espaço, em termos de estacionamento, e criar zonas seguras de miradouro.

É uma acção que não é muito fácil, pois envolve várias entidades, como a Agência Portuguesa do Ambiente, a CCDR, o Turismo de Portugal, entre outras. Das várias reuniões tidas com estes organismos resultou um estudo prévio e queremos agora concretizar o projecto, para que ele possa ser financiado e executado.

(Entrevista: Guedes de Oliveira/Jorge Eusébio)

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