Está difícil a vida de músico

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A vida dos artistas algarvios já teve dias bem melhores. O desabafo foi feito pelo músico Carlos Coelho no programa Pedra de Toque, apresentado por Jorge Magalhães, na Rádio Solar.

Um dos problemas é “o material estar cada vez mais caro, pois os instrumentos musicais são considerados artigo de luxo, com o IVA à taxa máxima”. Mas, para além dos instrumentos, um músico precisa também de ter material de som e luz que tanto possa ser utilizado num pequeno restaurante como num espaço de 2 ou 3 mil pessoas. E, como o material não se desloca sozinho para os locais dos espectáculos, precisa, ainda, de contar com uma viatura suficientemente grande para o transportar.

Ora, tudo isto implica custos avultados e o problema é que o trabalho está cada vez mais escasso e, sobretudo, é cada vez mais mal pago.

Uma das razões, queixa-se Carlos Coelho, é que como muitos “directores e gerentes dos hotéis não querem estar a chatear-se com nada, contratam empresas de espectáculos de Lisboa e de outros pontos do país para se responsabilizarem pela animação nos seus hotéis”.

Estas empresas, acusa, “caem aqui como sanguessugas” e, como querem ganhar o máximo possível, vão contratar animadores e músicos pelo valor mais baixo possível sem se preocupar minimamente com a qualidade dos espectáculos.

Desde que os supostos músicos “façam barulho” está tudo bem, mesmo que façam playback. Este tipo de situação dá uma má imagem aos turistas e, por outro lado, impede que os músicos da região sejam minimamente remunerados pelo seu trabalho, tendo, hoje em dia, grandes dificuldades em ganhar o que ganhavam “há 25 ou 30 anos atrás”.

Outra concorrência desleal é feita por estrangeiros que vêm de férias para o Algarve, no Verão, de dia vão para a praia e à noite actuam praticamente a troco de dormida e refeição.

Mas, na opinião de Carlos Coelho, também alguns políticos têm grandes culpas no cartório. Na altura das eleições, “gostam muito que os artistas locais vão lá para os comícios, mas quando, depois, se apanham no poleiro, estão lá 4 anos e esquecem-se que esses músicos precisam de ganhar para viver”. Quando resolvem fazer festas, não têm problema nenhum em “contratar um artista de Lisboa que leva 50 ou 70 mil euros, mas se for um músico local a pedir 200 ou 300 dizem que não há verba.”

 

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