As ‘confissões’ de José Cid no «Choque Frontal ao Vivo»
Foi com um espectáculo de José Cid, no Teatro Municipal de Portimão (TEMPO), este Sábado, que o programa «Choque Frontal ao Vivo», da Alvor FM, celebrou o seu primeiro aniversário.
Tal como é habitual, este foi um pretexto não só para apreciar, ao vivo e a cores, temas bem conhecidos e outros novos, como, também, para ficar a saber um pouco mais sobre a carreira, a vida e as ideias do convidado.
E, se calhar em primeira mão, ficou-se desde logo a saber que José Cid é um grande apreciar da doçaria algarvia, em especial dos Dom Rodrigos, e da água de Monchique. Também se ficou a conhecer um pouco dos seus tempos de menino, em que se deslocava da sua terra natal, a Chamusca, para Santarém, numa camioneta que transportava tudo e mais alguma coisa, inclusivamente “cabras e fardos de palha”.
Essas viagens frequentes eram feitas para ter aulas de piano, na capital ribatejana, uma vez que era sabido que o miúdo tinha grande apetência para a música.
Mas as coisas até começaram por não correr muito bem, uma vez que a professora pôs-lhe pautas à frente e “não gostei nada, aquilo parecia-me matemática”, disciplina que detestava. Em alternativa, passou a pedir-lhe que tocasse trechos musicais e, de ouvido, ele repetia-os, o que deixava a professora espantada. Dessa capacidade nata resultou que lhe fosse colado o ‘rótulo’ de ‘menino-prodígio’, que, muitos anos depois, deu nome a um dos seus temas musicais.
E, por falar em músicas, algumas das que se ouviram ao longo de mais de uma hora de espectáculo fazem parte do seu mais recente trabalho discográfico, «Clube dos Corações Solitários do Capitão Cid», que qualifica como uma espécie de “arco-íris musical”, com temas de cariz pop e rock e, sobretudo, muitas baladas, das quais confessa ter muita dificuldade em eleger uma como favorita.
Este «Choque Frontal ao Vivo» deve ter deixado muito satisfeita uma das pessoas presentes na plateia, que levou consigo um disco da primeira edição de «10.000 anos depois entre Vénus e Marte», o qual, assegurou José Cid, pode valer-lhe uma pequena fortuna.
Caso queira vendê-lo e encontre o comprador certo, sobretudo se for japonês, pode conseguir até cerca de “5 mil euros”.
Este é um dos trabalhos discográficos de que, visivelmente, José Cid mais se orgulha, pela sua qualidade e por ter obtido reconhecimento internacional, com algumas revistas, entre as quais a conceituada Billboard, a colocarem-no na restrita lista dos melhores discos de sempre do rock progressivo.
José Cid diz haver grande qualidade na música portuguesa e lamenta que não exista um maior reconhecimento internacional, sobretudo em países com uma relação de proximidade geográfica, cultural ou até linguística com o nosso país.
Por exemplo, no Brasil diz haver “uma arrogância impressionante” em relação à música e cultura portuguesas. Uma das poucas vezes em que um tema seu teve sucesso do outro lado do Atlântico foi quando a banda «João Penca e seus Miquinhos Amestrados» gravou uma versão de «Como o macaco gosta de banana». A música “esteve 9 meses no top, mas nunca recebi um tostão de direitos de autor”.
Regresso ao Festival da Canção
Também os nossos ‘hermanos’ espanhóis não dão praticamente hipótese nenhuma aos artistas portugueses, mesmo quando reconhecem que têm qualidade. A esse propósito, lembrou um episódio ocorrido consigo na Eurovisão, quando, em 1980, representou o nosso país com “Um grande, grande amor”. Uma directora da televisão espanhola foi dar-lhe os parabéns por interpretar “a melhor canção que Portugal já apresentou”, ao mesmo tempo que o informava que, apesar disso, o seu país ia dar-lhe… “zero pontos”!
Havia grande expectativa em relação à classificação da sua canção, que era uma das favoritas, mas “os astros não se conjugaram e a nossa televisão também não se interessou muito”, pelo que acabou em 7º lugar, o que até era, na altura, o melhor resultado de sempre do nosso país no Eurofestival.
José Cid aproveitou a oportunidade para elogiar o trabalho “brilhante” que Salvador e Luísa Sobral fizeram, nesta última edição, que, como se sabe, culminou com uma vitória histórica para Portugal, “com um tema que é o oposto daquelas canções que se cantaram na Eurovisão”.
Este ano até pode ser o próprio José Cid a voltar a representar o nosso país no concurso, pois vai participar no Festival da Canção com uma canção da sua autoria. Chama-se «O Som da Guitarra é a Alma de Um Povo» e quando acabou de a compor gostou tanto dela que, ao contrário do que tinha pensado, optou por não a entregar a outro intérprete e resolveu ser ele próprio a cantá-la, juntamente com o seu sobrinho Gonçalo Tavares.
Assume que “adoro esta canção, é das melhores que escrevi na minha vida”, mas isso não significa que esteja convencido de que a vitória vai sorrir-lhe. Até porque, para além da vitória em 1980, ficou por 7 vezes em segundo lugar noutras participações no concurso, pelo que “já estou vacinado”.
Ao longo da conversa, conduzida por Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, veio à baila a célebre foto de 1994 em que aparece nu, apenas com um disco a tapar-lhe as partes mais ‘sensíveis’ do corpo. José Cid diz que posou “despido de preconceitos”, como forma de protesto contra a intenção das multinacionais do sector de imporem às rádios os discos que deviam passar.
Recentemente, o seu nome também foi notícia por uma das grandes vedetas mundiais do rap, Jay-Z, ter usado um pequeno trecho de um tema antigo seu e de Tózé Brito. José Cid parece não ter apreciado muito o resultado final, mas fica é à espera que chegue o dinheiro dos direitos de autor, o qual vai “investir num bom álbum de alguém que cante bem”.
No que à sua carreira diz respeito, apesar de ter lançado agora um novo disco, confidenciou que já está a gravar o próximo, em que volta ao rock sinfónico. O nome escolhido é «Vozes do Além» e “aborda a ideia da reencarnação”. Pelo menos, poeticamente garante que terá uma qualidade superior a todos os anteriores, uma vez que vai contar com textos de poetas consagrados como Sophia de Mello Breyner, Natália Correia e Frederico Garcia Lorca, entre outros.
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