Recriação da descarga de sardinhas à moda antiga é para continuar

Esta terça-feira foi recriada, em Portimão, a forma como antigamente se fazia a descarga da sardinha. Uma iniciativa que levou muita gente à zona ribeirinha e que é para continuar nos próximos anos, diz a presidente da Câmara, Isilda Gomes.

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Como é que surgiu a ideia de fazer esta recriação?

Acho que se deve dar a conhecer as nossas tradições, mostrar a nossa história e recriar a memória do concelho. Os portimonenses construíram esta cidade tendo como bases essenciais as atividades da pesca e da conserva. Uma vez que há muitos anos que o peixe deixou de ser descarregado desta maneira, muita gente tinha uma saudade nostálgica desses momentos e do ambiente que se gerava.

É importante mostrarmos aos nossos filhos e netos esta e outras atividades, mas nem só os mais novos desconheciam esta forma de descarregar a sardinha. Ainda hoje encontrei uma senhora de 70 anos, que não é de Portimão, está cá a passar férias, que não a conhecia, agradeceu-me muito e pediu para continuarmos esta iniciativa, porque ela e a família gostariam muito de, no próximo ano, voltar a assistir a esta descarga à moda antiga.

E isso vai ser possível? A iniciativa é para continuar?

É para continuar. Penso que o sucesso foi tal que se não voltássemos a fazer esta recriação certamente que as pessoas iam achar estranho. Foram muitas as centenas, diria mesmo, milhares de pessoas que acorreram à zona ribeirinha, pelo que o que temos de fazer agora é melhorar e tornar cada vez mais real esta recriação.

Aliás, deparámo-nos com homens que trabalharam na pesca e que disseram ter pena por não terem sido chamados a participar. Obviamente que não os convidámos porque não os conhecíamos, mas em face dessa vontade, no próximo ano iremos abrir inscrições para que estas e outras pessoas que fizeram esse trabalho possam dar os seus contributos.

Portanto, por aquilo que está a dizer, pensa que a concretização da ideia correu bem, foi uma aposta ganha?

Correu muito bem e a isso não é alheio o facto de ter levado muito tempo a ser preparada. O Museu de Portimão e a área da Cultura da Câmara fizeram um trabalho extraordinário, levaram a cabo pesquisas documentais e ouviram pessoas que trabalharam na pesca para obter o máximo possível de pormenores sobre como é que se faziam as descargas de peixe, de forma a termos uma recriação o mais fidedigna possível.

Esta quarta-feira começa mais um Festival da Sardinha, com algumas alterações. O que espera desta edição?

Tenho a expectativa que atraia ainda mais gente do que é habitual. No ano passado tivemos cerca de 50 mil pessoas e sentia-se que o espaço era pequeno para tanta gente. Este ano, a área escolhida é mais ampla, mais aberta, mais confortável, vamos ter mais tendas, mais restaurantes, mais polos de animação, quatro palcos, e portanto, vai ser mais agradável para as pessoas passearem por aquele espaço e usufruírem de tudo o que temos para lhes oferecer.

 

 

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