Fecho de fronteiras “acabará com os fluxos e será a paragem total da atividade turística”

O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, diz que obrigar as empresas a pagar parte dos ordenados aos trabalhadores que ficarem em casa é uma medida que não faz sentido.

No âmbito do pacote de medidas para fazer face ao alastramento do vírus Covid-19, o Governo aprovou linhas de crédito para as empresas, em especial, uma de 60 milhões para as microempresas do setor turístico. É a medida que se justificava ou seria necessário ter ido mais longe?

Não sei se será suficiente ou não, mas tenho a certeza de que, se não chegar, o Governo alargará os valores.

Essa linha de crédito é direcionada para empresas muito pequenas, sobretudo restaurantes e bares que tenham poucos trabalhadores. A generalidade das empresas do setor turístico, tal como de todos os outros, pode recorrer é a uma outra de 200 milhões de euros.

Para além dessa houve várias outras medidas tomadas na 5ª feira. Na generalidade, concorda com elas?

Neste momento, ninguém está em condições de dizer se as medidas que foram tomadas, a esse nível, são suficientes porque estamos perante um problema novo.

De qualquer forma penso que a decisão de colocar as empresas a pagar metade dos 66% de salário aos trabalhadores que fiquem em casa para cuidar dos filhos que não vão à escola não é uma medida muito feliz e não merece o nosso acordo.

É uma decisão que não vai de encontro às medidas que têm sido tomadas, por exemplo, na Alemanha, em que o Governo assume a totalidade da responsabilidade nesta matéria.

Em vez de linhas de crédito deveriam ter sido aprovados subsídios?

O que digo é que é uma decisão que não vai de encontro às que têm sido tomadas noutros países, as linhas de crédito serão, digamos, o mal menor.

Mas é contraditório abrir esse mecanismo para ajudar as empresas e depois obrigá-las a pagar parte do salário a pessoas que não vão estar ao seu serviço.

Prevê que a possibilidade de um dos pais ficar em casa a cuidar dos filhos que não vão à escola cause grandes problemas às empresas do setor?

Claro que trará problemas e só não serão muito grandes porque, eventualmente, não haverá muita ocupação e os trabalhadores não serão tão necessários. Vai depender da procura turística e não sabemos a forma exata como é que ela irá comportar-se no futuro próximo.

Para já, em termos turísticos, pode dizer-se que a Páscoa está perdida?

Havia a expectativa que, devido a esta situação, os portugueses viajassem menos para o exterior e fizessem férias no seu próprio país, mas agora estamos confrontados com a recomendação que as pessoas fiquem em casa e não saiam…

Como é que estão a ocupação e as reservas?

É uma situação que está em evolução permanente, vai-se alterando de dia para dia. Não se falava na hipótese de encerrar fronteiras ou limitar a entrada de estrangeiros, mas agora isso parece ser cada vez mais uma possibilidade, o que, a acontecer, acabará com os fluxos turísticos e será a paragem total da atividade.

LEIA TAMBÉM:

Número de infetados na região com Covid-19 sobe para sete

Reforço da linha Saúde 24 passa pelo Algarve

Duas ofertas de emprego para autarquia algarvia

(Visited 5.516 times, 1 visits today)
pub
ViladoBispo_Banner_Fev