Uma nova forma de projetar edifícios

(3ª parte de uma reportagem inicialmente publicado no Portimão Jornal, que pode ler na edição impressa ou online, aqui. Pode também ler a 1ª parte aqui e a 2ª aqui).

Um dos empreendedores que funcionam a partir da StartUp Portimão é Nuno Rio, com o seu projeto empresarial ‘Planobim’. Tal como o nome indicia, trata-se de uma empresa que utiliza a tecnologia Bim (Building Information Modeling), através da qual é possível construir modelos tridimensionais digitais muito rigorosos e pormenorizados de edifícios, aeroportos e outros empreendimentos.

A empresa de Nuno Rio “trabalha, por um lado, na digitalização e criação de um modelo virtual de edifícios que já existem e, por outro, na criação, de raiz, deste tipo de modelos, mas para imóveis que ainda vão ser construídos”.

Uma das grandes vantagens que este arquiteto e docente considera existir na adoção da tecnologia que utiliza é que “ela otimiza os processos de controlo e gestão dos investimentos, o que se reflete na diminuição de custos”. Há estudos internacionais que indicam que, por esta via, se conseguem “poupanças de 70% em trabalhos a mais”.

Isso consegue-se porque, desde logo, o projeto tridimensional permite “conceber, de forma digital, todas as vertentes do edifício, de forma a que quando se chega à parte da construção praticamente o que há a fazer é ‘apenas’ a montagem de peças pré-construídas, sem erros e sem enganos”.

Por outro lado, quando a equipa que está no terreno se depara com qualquer problema imprevisto, “por exemplo, o solo ser diferente do que se esperava, temos a possibilidade de cruzar os dados de forma mais dinâmica e, numa manhã, tomar decisões para resolver a situação, o que, se calhar, em condições normais, levaria 15 dias”.

Praticamente no início da pandemia, um feito que espantou o mundo foi a construção de um hospital em poucas semanas, na China, um processo que teve por base esta tecnologia.

Em face de todos estas vantagens, a utilização da tecnologia Bim já é obrigatória em vários países do mundo e “também deverá passar a sê-lo em Portugal, dentro de dois ou três anos”. A partir daí, alargam-se bastante as perspetivas de negócio da sua empresa.

Numa primeira fase, “o impulso deverá ser dado pela administração pública e pelas grandes empresas privadas, devendo posteriormente ser propagado em cadeia pelo resto da economia”. Nuno Rio trabalha, profissionalmente, com esta tecnologia há já algum tempo. A ideia de criar uma empresa é antiga, mas só no início deste ano é que decidiu “colocá-la em prática”.

Apresentou-a à equipa da StartUp Portimão, que “teve uma grande abertura, disponibilizou-me um espaço, deu-me muito apoio e os resultados têm sido positivos, tenho o processo mais avançado do que esperava ter, nesta fase”.

Este é primeiro desafio empresarial de Nuno Rio que, nos últimos 15 anos, tem estado ligado às áreas de projeto e construção de edifícios, enquanto profissional na área, bem como à formação profissional e ao mundo académico. Também teve uma passagem pela política autárquica, como vereador do PSD no concelho de Vila do Bispo.

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