Margarida Costa: Uma mulher que fez o ‘estágio’ de bombeira ainda na barriga da mãe

A vida de Margarida Costa esteve desde sempre ligada ao mundo dos ‘soldados da paz’ portimonenses. Desde logo porque o seu pai era bombeiro e a mãe, costureira, fazia fardas de cotim para os elementos da corporação. De forma que, diz, “ainda na barriga dela, já eu andava nesse ambiente”.

Isso fez com que, muito jovem, tenha resolvido seguir os passos do progenitor. Na altura, tirou um curso de socorrismo e começou a trabalhar nas ambulâncias. O primeiro serviço que lhe atribuíram ficou-lhe na memória: foi o transporte da vítima mortal de um acidente rodoviário ocorrido na zona da Mexilhoeira Grande.

Contudo, a situação que a chocou mais foi a de “um atropelamento, na V6, de uma senhora irlandesa que estava na passadeira com uma criança de 2 anos”. Ao chegar ao local “fiquei com ela e um colega meu foi dar assistência à criança que tinha sido arrastada”. Foram feitos todos os esforços para salvá-la, mas acabaria por falecer.

Apesar da missão de socorrista ser muito dura e cheia de momentos maus, também lhe proporcionou grandes alegrias, sobretudo quando contribuía para que o desfecho dos acidentes não fosse fatal, conseguindo salvar a vida dos envolvidos.

Para além de rapidez e da escolha das técnicas que, em cada situação, são as corretas para socorrer quem precisa, aquele trabalho criava uma envolvente emocional muito intensa, que ela e os seus colegas tinham de saber gerir da melhor maneira possível.

Era frequente que familiares de pessoas que iam ajudar “estivessem ansiosas para que, rapidamente, as transportássemos para o hospital, mas, muitas vezes, essa não era a forma correta de abordar aquele caso específico”.

Devido a esse tipo de circunstâncias, havia que lidar com a revolta e o desespero de muita gente. Nessas alturas, havia que tentar acalmá-las, explicar-lhes que o risco de levar o paciente rapidamente para o hospital era maior do que a prestação de socorro no local.

Nos primeiros tempos “não conseguia abster-me desse tipo de situações, mas aos poucos fui aprendendo a lidar com isso, tinha que prestar o melhor apoio possível a quem estava numa aflição, independentemente do que à volta se passava, do que se dizia e das emoções que se geravam”.

Mas confessa que isso era bem mais difícil quando era chamada a emergências que envolviam familiares e amigos pois “aí, a gente treme toda, queremos sempre salvar todas as vítimas, mas quando pela frente encontramos alguém que conhecemos, as coisas tornam-se psicologicamente bem mais complicadas”.

A sua ligação à área do socorrismo foi tão forte que, apesar de, atualmente, por motivos de saúde, já não estar no ativo, ouvir a sirene de uma ambulância é algo que continua a mexer consigo e a deixa em estado de alerta.

(Texto originalmente publicado no Portimão Jornal, que pode ler na versão impressa ou online aqui)

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