A algarvia que é ascendente de Camões

Sangue mouro corria nas veias do autor de “Os Lusíadas”. Talvez isso explique, em parte, o espírito leviano e a paixão pela poesia, que tinha raízes profundas na região algarvia do período islâmico.

Essa ligação familiar e genética transporta-nos para o tempo da conquista definitiva do Algarve. Foi nesse tempo e neste reino, mais concretamente na cidade de Xantamaria de Hárun (hoje Faro), que viveu Madragana ben Aloandro, filha do Cádi da cidade, Aloandro ben Bakr.

Após a conquista definitiva do Algarve, Madragana conheceu o rei de Portugal D. Afonso III, de quem se tornou amante, tendo nascido cinco filhos dessa relação.

Convertida ao cristianismo, a jovem algarvia mudou o nome para Mór Afonso. Desta relação entre Afonso III e a algarvia moura Madragana descendem muitas famílias portuguesas e alguns dos monarcas reinantes da actualidade, como é o caso de Isabel II de Inglaterra. Segundo as genealogias clássicas, descende ainda o notável poeta Luís Vaz de Camões.

Camões era filho de Simão Vaz de Camões, filho de Guiomar Vaz da Gama, filha de Inês Gomes da Silva, filha de Jorge da Silva, filho de Gonçalo Gomes da Silva, filho de Isabel Vasques de Sousa, filha de Vasco Martins de Sousa Chichorro, filho de Martim Afonso Chichorro, filho de outro Martim Afonso Chichorro, filho de Afonso III e de Madragana ben Aloandro.

De recordar que Luís Vaz de Camões terá estado refugiado no Algarve, mais concretamente na Quinta de Santo António, em Monchique, onde escreveu um poema dedicado à ribeira de Boina.

(Texto: Nuno Campos Inácio)

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