Festival do falar algarvio

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Arranca esta Quinta-feira, 10 de Maio, e desenvolve-se até Domingo, 14, o FOrA – Festival da Oralidade do Algarve, que tem como objectivos divulgar tradições e encorajar o diálogo inter-geracional, sensibilizando a população para a importância de uma herança que marca a identidade da região.

Organizado pela Associação Teia d’Impulsos vai levar o património oral do Algarve a Portimão, Alvor e Odeceixe, com uma agenda preenchida que inclui debates, conferências, oficinas, performances, cinema e música, com vista a promover a oralidade e o património cultural imaterial do território. 

O festival inicia-se no Museu de Portimão com o colóquio “Se a memória não me falha… História Oral: metodologias e boas práticas”, um espaço de debate e de apresentação das mais recentes tendências e projectos desenvolvidos neste campo em Portugal e que conta com a participação de investigadores e responsáveis por museus e arquivos de todo o país.

Após a sessão de abertura, que tem lugar às 10h30 da manhã, José Gameiro (director do Museu Municipal de Portimão), Emanuel Sancho (do Museu do Trajo de São Brás de Alportel) e José Luís Catalão (do Museu do Trabalho Michael Giacometti de Setúbal) partilham experiências e reflectem sobre como os equipamentos que lideram poderão melhor contribuir para a prática e promoção da História Oral.

Pelas 14h00, Rui Aballe Vieira e Susana Martins, investigadores do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, debatem os limites e potencialidades da memória oral e historiografia.

Pelas 15h00, Soraia Simões (do IHC – FCSH/Nova), Alexandre Cerveira Lima (Arquivo de Memória do Vale do Côa) e Natércia Coimbra (Centro de Documentação 25 de Abril) falam da organização de arquivos sobre a História Oral.

Pelas 17h00 tem lugar uma visita guiada ao museu, após o que se segue o último debate do dia sob o título “Arqueologia e memória: a História oral enquanto ferramenta ao serviço da arqueologia” protagonizado por Cristóvão Fonseca da Universidade Nova e Luís Martins do Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da FCSH/NOVA.

O dia finaliza com a cerimónia de abertura oficial do FOrA que acontece no auditório do Museu de Portimão, com um concerto dos OrBlua, um trio de músicos multi-instrumentalistas que concilia a música tradicional com o contemporânea e o experimentalismo. Carlos Norton, Inês Graça e Nuno Murta dão corpo a este projecto, criado em 2011, e cujo último álbum – “Retratos Cinéticos” – trilha o caminho de “uma sonoridade lusa que cheira a Algarve, a mar, a serra, a mediterrâneo, a Europa, a mundo que recolhe cheiros, cores, histórias, memórias, paisagens e sonhos”.

O encontro “Se a memória não me falha… História Oral: metodologias e boas práticas” prolonga-se às 10h30 da manhã do dia 11 de Maio no Espaço Raiz (antiga escola primária da Pedra Mourinha), com a acção de formação “História Oral: ferramenta ocasional ou indispensável? Questões práticas”, a cargo de Rui Aballe Vieira.

No mesmo dia, no mesmo espaço, Ana Machado (do Teatro Experimental de Lagos) realiza uma Oficina de Contadores de Histórias a partir das 17h00. As inscrições para este evento bem como para o colóquio são totalmente gratuitas (mas obrigatórias) e podem ser realizadas no site www.teiadimpulsos.pt.

À noite, às 21h30, o TEMPO – Teatro Municipal de Portimão – exibe os documentários “Documentar o Algarve Interior”, um projecto da Algarve Film Comission, com o apoio financeiro do PRODER. São nove curtas-metragens, realizadas em vários concelhos do Algarve em colaboração com talentos locais, e que apresentam de forma dinâmica tradições e práticas populares que fazem parte da memória e identidade colectiva do interior algarvio. A sessão contará com a presença dos dois responsáveis por este projecto, Laura Carlos e Eduardo Pinto.

No dia 12 de maio, pela manhã, um conjunto de escolas do município de Portimão acolhe a iniciativa “A Escola de Outros Tempos”, a cargo do Teatro Infantil de Portimão, que visa iniciar um diálogo entre gerações, ao sensibilizar os mais novos para as diferenças que existem entre a escola que têm hoje e a que tinham os seus avós quando eram crianças.

À tarde, o festival ruma ao concelho de Aljezur naquela que é a estreia da Oralidade do Sudoeste. O Grupo Desportivo Odeceixense recebe, pelas 18 horas, a iniciativa “Pelo Fio da Memória”, uma sessão de lengalengas, trava-línguas, dizeres e cantares das freguesias de Odeceixe e do Rogil. Esta é uma iniciativa do projecto Entrelaçar, uma parceria entre a Câmara Municipal de Aljezur e a Associação Tertúlia.

À noite, pelas 21h30, o FOrA regressa a Portimão, mais propriamente à Casa Manuel Teixeira Gomes, para evocar a memória e a história oral do clube de futebol da cidade. “O que dizer do Portimonense? Memórias de um clube da terra” é o nome da tertúlia que reúne algumas das figuras-chave da história do Portimonense, num serão de muitas recordações.

No Sábado, dia 13 de Maio, o FOrA tem um programa especial dedicado em grande parte ao grande poeta do povo António Aleixo. Durante a manhã, o Mercado Municipal de Portimão ganhará um colorido diferente com as suas audazes quadras enquanto à tarde a poesia segue para a baixa da cidade, apresentando aqui e acolá a poesia tradicional.

Ambas as performances – Aleixo vai ao Mercado e Aleixo vai à Baixa – são desenvolvidas pelo Teatro Infantil de Portimão. Pelas 15h30 o Café Concerto do TEMPO recebe uma tertúlia intitulada “Novas Ideias para o Património Cultural Imaterial”, onde as investigadoras Nélia Olival e Andreia Pintassilgo dissertarão sobre as melhores formas de promover a memória e as tradições locais.

Segue-se a apresentação do livro “Catálogo dos Contos Tradicionais Portugueses”, trabalho de fôlego de Isabel Cardigos e Paulo Correia (investigadores de literatura oral do Centro de Estudos Ataíde de Oliveira) e as “Histórias de Sal”, da contadora de histórias Ana Machado.

Ao final da tarde, por volta das 18h00, o FOrA atravessa o jardim e chega à Casa Manuel Teixeira Gomes, onde o grupo Canto Renascido cantará poemas do cancioneiro tradicional, com direcção do maestro António Vinagre.

Após o espectáculo musical, Dário Guerreiro e os seus convidados convidam o público a calçar as luvas e a entrar no ringue de uma autêntica Batalha de Sotaques, revelando de forma divertida as diferenças que marcam o complexo sotaque algarvio. À noite, pelas 22h00, o Clube União abre as portas para o Baile FOrA, ao som das vozes e acordeões de Pedro Silva e Marcelo Rio.

O Sábado também é dia da oralidade em Alvor. A partir das 16 horas, todos são convidados a aparecer no Castelo de Alvor e a pendurar dizeres típicos da vila na Oficina do Estendal. Já à noite, pelas 21.30, ouvem-se Estórias do Nosso Povo, sobre encantamentos e criaturas fantásticas, uma iniciativa da ALVORecer integrada no programa de comemoração do 5.º aniversário da associação.

O último dia do festival é dedicado ao futebol. Pelas 11h15 de domingo, o FOrA marca presença no dérbi algarvio Portimonense-Olhanense. Este é um jogo solidário – a iniciativa À Bola para Ajudar convida o público a levar bens para partilhar com instituições de solidariedade social em troca de um bilhete para o jogo.

O festival termina com uma festa no Espaço Raiz, sede da Teia d’Impulsos, em Portimão. Há gastronomia típica de Monchique, música e uma oficina de danças tradicionais.

 

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