Um Choque Frontal mágico em Armação de Pêra

Choque_Frontal_Julio_RicardoM(Texto: Júlio Ferreira / Foto: jfigueirasphotography)

Podíamos sonhar com melhor forma de terminar esta primeira fase de uma aventura chamada “Choque Frontal ao Vivo” mas, seguramente, não seria a mesma coisa.

A viagem entre Portimão e Armação de Pêra na companhia do meu “irmão” João Sena serviu para falar sobre o programa de rádio gravado ao vivo mais badalado do momento e um pouco sobre a nossa triste e vil nacionalidade.

Apesar de ser um orgulhoso “Mouro” não significa que a desdenhe, não senhores. Eu cá gramo de sobremaneira de fazer parte de um país cuja fundação começou com um belo par de chapadas dadas por um filho de uma mãe (convenhamos que ela andava a pedi-las). É claro que depois desses anos áureos já não me orgulho de grande coisa, mas que no início aquela malta tinha razão, oh meus amigos, lá isso tinha!

Mas vamos ao que interessa, porque se começo a divagar, ai, ai, ai…

A completar 12 anos, Pedro Pinto e o produtor GI Joe recordaram numa noite inesquecível perante 1.000 pessoas uma “KIMAHERA” bem recheada de criatividade, emoção, com desconcertantes doses profissionalismo e pormenor. Esta editora de Hip-Hop nascida no Algarve presenteou todos os presentes com uma pequena amostra dos grandes talentos que a nossa região produz e que nós esperamos continuar a promover. Agregadores de talentos não só a nível musical, mas também de outras correntes artísticas como a dança e a poesia. Estou certo, que nos próximos anos dificilmente poderá acontecer algo assim, outra vez. Porque estas coisas, estes projectos, existem e acontecem num determinado contexto, em condições específicas que não se irão nunca repetir. Não há outro fenómeno assim na música urbana no Algarve e muito poucos em Portugal,

Nesta noite mágica e húmida, podemos assistir ao regresso ao ativo de Dezman” o homem nascido no bairro Caixa d`água em Silves com Shaolin Caixaguense, dez anos depois de Atmosfera Hostil. O cântico do imenso talento de “Reflect”, sempre pessoal, íntimo e dorido mas sempre atento à evolução das plataformas e conhecedor da posição da sua musica e do respeito que tem conseguido através da sua arte, profissionalismo e humildade. Sem a violência de um soco no estômago, mas revelando-se afinal ainda mais doloroso e cortante, a dança de “Laura Abel” entranha-se e, depois, corrói por dentro, tal a estética e beleza pensadas e executadas de forma sublime e perfeita.

As promissoras estreias de “Tats” e “Rita Vicente” que acabaram por desvendar os sonhos e os pesadelos dessa enorme partilha que se chama música. O músico, compositor e letrista “John Harth” deixou espectativa de um primeiro álbum (em fase de produção) recheado de coisas boas e surpreendentes.

O tom elegíaco que “Napoleão Mira” arrebatou corações e almas que, por instantes, pararam para o ver e ouvir. A sua voz revela-se num lugar de fronteiras difusas entre as canções faladas, procurando os instrumentos nunca a incomodar, propondo cenografias que nascem de ambientes tecidos por uma percussão que sublinha pulsações mais do que estrutura rítmica convencional.

Como o “Choque Frontal ao Vivo”, a “Kimahera” associa outras formas de arte. Nós a pintura, a arte ancestral de fazer vinho. Eles a dança, a poesia. Em comum a força imensa da palavra de forma a chegar ao coração das pessoas.

Esta noite inesquecível não poderia ter encerrado da melhor forma com o enorme talento da “Mariana Rodrigues” e das suas seguidoras na dança “OMG Family”.

Muito mais haveria para escrever sobre esta noite mágica que merecia ser imortalizada na tela pelo João Sena com banda sonora de “Reflect”.

“Kimahera” só há uma (mas mais deviam ser como ela).

Júlio Ferreira

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