“Este, sim, vai ser um mandato com condições para se fazer obra”

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Segunda parte da entrevista ao vice-presidente da Câmara de Lagos e presidente da concelhia local do PS, Hugo Pereira, em que se fala de algumas das obras que a autarquia pretende levar a cabo.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª

Algarve Marafado (AM) – Apesar da boa situação financeira, a Câmara parece que se tem limitado a uma gestão corrente da situação. No primeiro mandato, em termos de obras de alguma dimensão, limitou-se à recuperação da ponte de D. Maria. E, neste mandato, até a última fase do Anel Verde não avançou. A que é que se deve o facto de estarem paradas intervenções de alguma dimensão como esta?

Hugo Pereira (HP) – Os processos não estão parados. É preciso ver que, até 2017 e uma parte de 2018, estávamos numa fase de consolidação orçamental. Havia um conjunto de obras prioritárias que, com a retoma, foram desenvolvidas. Colocámos à frente o mais urgente, enquanto que o menos urgente ficou para uma fase posterior.

No caso específico da última fase do Anel Verde, neste momento já está a decorrer a preparação de um concurso de ideias para daí nascer o projeto da terceira fase dessa intervenção.

Mas a grande obra foi a recuperação financeira da Câmara. Num mandato conseguimos, por exemplo, pagar o PAEL, regularizar a dívida às Águas do Algarve e à Algar, conseguimos limpar toda a dívida que nos comprometia financeiramente, iniciámos, também, o processo de liquidação da Futurlagos e fizemos algumas obras para além da ponte de D. Maria como, por exemplo, a reabilitação da Escola Sophia de Mello Breyner Andresen e um outro conjunto de intervenções ao nível do saneamento e de intervenções de menor dimensão.

AM – E neste mandato?

HP – Neste mandato, a situação financeira é diferente. Temos, por isso, um conjunto de obras consideráveis em projeto, em fase de adjudicação e algumas delas já iniciadas. À primeira vista pode parecer que há pouca coisa a ser feita, mas a verdade é que há muitas obras a serem lançadas e a desenvolverem-se no terreno, a curto prazo.

Por exemplo, estamos a fazer a revisão do projeto da estrada da Meia Praia que já tinha sido aprovado. É verdade que era da responsabilidade de um grupo hoteleiro. Mas acabou por não a fazer. Entretanto, já chegámos a acordo com eles. E, com a situação regularizada, estamos a rever o projeto que já tinha alguns anos, a adaptá-lo aos novos tempos e queremos ver se conseguimos ter tudo em condições para se abrir o concurso ainda este ano. Trata-se de uma intervenção de quase 3 milhões de euros.

A estrada da Luz, que foi feita há muitos anos e que quase imediatamente começou a ser destruída com ramais, é uma obra há muito desejada. Vai comportar uma zona de passeio, ecovia e ciclovia para que, em especial, a partir do parque de campismo até à vila da Luz, possa haver trânsito pedonal e ciclável com segurança. Queremos ter esta obra, que vai custar mais de um milhão de euros, adjudicada no final deste ano.

A Escola da Luz já teve projeto aprovado. Entretanto, com a crise, caiu e está neste momento a ser revisto para ter o projeto feito também até ao final do ano.

Relativamente ao Museu, há obras a decorrer no seu interior e também vão avançar no antigo edifício da PSP para se possibilitar a sua ampliação. No total, trata-se de um investimento de cerca de 3 milhões de euros.

No centro histórico, na zona de S. Sebastião, temos a parte de saneamento já iniciada. É uma obra de um milhão de euros. Temos também uma, há muito desejada, que já está a decorrer: a requalificação da Rotunda das Cadeiras. A ideia é que fosse inaugurada no 25 de abril, mas não vai ser possível porque houve atrasos no decurso do processo, sendo expectável inaugurar durante este ano.

Depois temos o grande projeto, ao nível da habitação social, que poderá exigir um investimento entre 10 a 15 milhões de euros. Estamos em negociações com a Chesgal para ficarmos com dois terrenos que a cooperativa acabou por não conseguir construir, na zona do Intermarché. Num dos terrenos, no mais pequeno, vão ser construídos 12 apartamentos, salvo erro. Para o outro está aprovado um projeto para uma centena de apartamentos.

A tudo isto há que acrescentar outros terrenos no concelho que já são nossos e que estão em fase de projeto para neles se construir habitação social e a custos controlados, bem como lotes para autoconstrução. Esperamos lançar alguns desses projetos ainda este ano e os outro em 2020.

Ainda não chegamos a meio do mandato mas já temos muita coisa em cima da mesa. Este, sim, vai ser um mandato com condições para se fazer obra.

Intervenção nas rotundas de Lagos

AM – No plano de atividades para este ano, para além da intervenção na rotunda das Cadeiras, também está prevista a intervenção em várias outras, através da qual se pretende dar uma identidade própria ligada aos Descobrimentos. Em concreto, o que é que vai ser feito?

HP – Essa é uma ideia que está a ser trabalhada internamente com os serviços técnicos. Pretende-se criar um modelo de intervenção que seja mais ou menos comum e relacionado com os Descobrimentos nas rotundas da cidade que venham a ser intervencionadas, bem como nas que estão na EN 125, caso chegue a bom porto a negociação que estamos a desenvolver com a Infraestruturas de Portugal para que passem para a posse da Câmara.

O que a nossa arquiteta paisagística está a estudar é uma base comum a todas elas. Depois cada uma terá no seu interior uma peça única relacionada com os Descobrimentos.

AM – A Câmara tinha algumas queixas relativas ao resultado final da intervenção que foi levada a cabo na EN 125. Pretendia, por exemplo, que fossem construídas mais duas rotundas. E, nesse sentido, creio que contactou a Infraestruturas de Portugal (IP). Que resposta obteve?

HP –  Mostraram alguma abertura. Foi proposto fazer duas rotundas na zona de Odeáxere: a poente e a nascente. Onde se nota mais essa necessidade é antes de Odeáxere, no sentido Lagos/Portimão. Como é um local onde há muita atividade económica, tanto num lado como no outro da estrada, há que fazer face aos problemas que aí são detetados porque, neste momento, o que aí se vê é o caos completo. Quem circula nesse sentido e precisa de ir a uma empresa situada no lado esquerdo da estrada só pode virar ou em Odeáxere ou na rotunda da Horta 2.

Do lado contrário, quem sai de Arão e quer ir para Portimão também tem que se deslocar até Odeáxere e virar junto ao Campo de Futebol.

AM – Ainda não têm resposta da Infraestruturas de Portugal?

HP – Ainda não. Numa primeira fase, pediram-nos um conjunto de informações. Disponibilizámo-nos, inclusivamente, para suportar o pagamento de uma das rotundas, em conjunto com a fábrica que foi há pouco tempo inaugurada e estamos à espera que responda a esta nossa proposta.

Percebo que se trata de uma estrada cuja gestão está concessionada a uma outra empresa. E, por isso, a IP não tem autonomia total para tomar a decisão final, está, também, dependente da opinião da concessionária. Esperamos o mais rapidamente possível que nos seja dada uma resposta para se poder atuar  e fazer as duas rotundas ou, pelo menos, numa primeira fase, fazer uma delas, a que é mais necessária.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista e aqui a 3ª

(Entrevista e fotos: Guedes de Oliveira/Algarve Marafado)

 

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