Lagoa quer alargar a época balnear

A Câmara de Lagoa pretende criar condições para, na prática, alargar a época balnear. O objetivo, diz o presidente da autarquia, Francisco Martins, é conseguir manter, ao longo de todo o ano, estruturas de apoio a quem procura a costa do concelho para nadar, apanhar sol ou, simplesmente, passear nos percursos pedonais dos Sete Vales Suspensos e dos Promontórios.

Algarve Marafado (AM) – Que expectativas tem para esta época balnear?

Francisco Martins (FM) – As perspectivas são boas, os indicadores que possuímos, em termos turísticos, são muito positivos e estão reunidas as condições para termos uma boa época balnear como, de resto, tem acontecido nos últimos anos em Lagoa e no Algarve, em geral.

AM – No ano passado houve na região uma quebra do número de visitantes, decorrente, em boa medida, de questões externas, como o Brexit. Não receia que, este ano, essa situação se agrave?

FM – Há dois elementos quantitativos a analisar, que são o número de turistas e as receitas que ficam na região. No ano passado houve, realmente, menos pessoas no Algarve, mas não se registou uma quebra de receita. No caso concreto de Lagoa, este não é um concelho de turismo de massas, nem é isso que queremos, é um turismo de qualidade, de gama mais alta. Provavelmente por isso, não sentimos muito essa quebra de turistas.

Obviamente que o Brexit poderá ter feito com que menos britânicos visitassem a região, mas, entretanto, tem-se registado um aumento de outros mercados, como, entre outros, o norte-americano, o francês e o canadiano.

É, igualmente, verdade que, durante muito tempo, vivemos, de alguma forma, no setor turístico, à conta da instabilidade política de outros países da bacia do Mediterrâneo que tem vindo a ser esbatida. Mas o Algarve tem que estar preparado para este tipo de circunstâncias e apostar sobretudo no turismo de qualidade, até porque temos um produto muito bom.

AM – No arranque desta época balnear, a Câmara de Lagoa assinou alguns protocolos com outras entidades. Que protocolos são esses?

FM – Assinámos com a Agência Portuguesa do Ambiente um protocolo que visa assegurar o reforço da monitorização das águas. Temos seis praias com bandeira azul, o que obriga à realização de um determinado número de análises e nós, com este protocolo, vamos muito além disso, aumentámos bastante o número de análises para acautelar qualquer problema que possa acontecer, uma vez que as praias são o nosso cartão de visita e porque também nos interessa, por uma questão de saúde pública, que as águas tenham qualidade.

O outro protocolo tem a ver com a praia de Benagil, que não tem características para possuir nadador salvador. No entanto, não podemos enterrar a cabeça na areia, pois sabemos que é uma das praias mais frequentadas do concelho e das que, ao seu largo, tem maior proliferação de barcos cheios de pessoas que querem ver a famosa gruta de Benagil, pelo que temos ali um problema acrescido.

Em face disso, assinámos um protocolo com a Capitania do Porto de Portimão e o Instituto de Socorros a Náufragos, através do qual, a Câmara patrocina a presença física naquela praia de um nadador salvador, assim como meios de socorro, nomeadamente, uma moto de água. Paralelamente, também colocamos ao serviço uma segunda mota de água que permitirá aos nadadores salvadores fazer o patrulhamento da linha de costa entre a Praia Grande, perto da Praia de N. S. da Rocha e a Praia do Carvalho.

É, portanto, uma parceria entre estas entidades no sentido da criação de condições para que seja possível acorrer com rapidez e sucesso a qualquer situação que venha a registar-se, de forma a que não tenhamos que vir a lamentar qualquer morte.

AM – Tendo em conta que se pretende esbater ao máximo a sazonalidade na região, é de esperar que, em Lagoa, a época balnear venha, no futuro, a ser alargada?

FM – Oficialmente, o período da época balnear é definido por outras entidades, que não a Câmara, mas obviamente que, na prática, ele é cada vez mais longa e a nossa perspetiva é termos equipamentos nas praias durante o ano inteiro.

Para além das pessoas que, em qualquer altura do ano, vêm ‘fazer’ praia, também temos muitas que procuram os dois percursos pedonais que temos, o dos Sete Vales Suspensos e dos Promontórios, e é, em boa medida, com este tipo de turismo de natureza que é possível à região combater a sazonalidade.

Todos os meses há milhares de pessoas a passear por cima das falésias, com todo o perigo inerente a essa circunstância e daí que tenhamos a preocupação de não de ficarmos restringidos a quatro ou cinco meses do verão, mas sim de manter meios presentes na costa durante o ano inteiro.

 

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