Viver da agricultura em terra de turismo

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(Texto originalmente publicado no Portimão Jornal, que pode ler na versão impressa ou online, aqui).

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É por volta das 4 horas da madrugada que começa a jornada de trabalho de Manuel Joaquim da Silva.

Por essa altura, este agricultor de 65 anos de idade sai de casa em direção ao mercado grossista de Portimão, para vender as caixas de legumes que preparou na véspera. Nesta fase, o que mais produz são couves, mas nos seus terrenos, situados na zona das Alagoas, na freguesia de Alvor e com uma área total de cinco hectares, há também salsa, coentros, nabiças, espinafres e diversos outros tipos de vegetais.

Depois de cumprida a primeira tarefa do dia, a de comerciante, regressa ao ponto de partida e ‘veste’ então a farda de agricultor. E, no campo, há sempre muito que fazer. Há que tratar do terreno, avançar com as plantações em função da época de cada cultura, arrancar as ervas daninhas, colher os vegetais e preparar o que vai vender no dia seguinte.

“Farto-me de trabalhar”, desabafa Manuel Joaquim da Silva. A seu lado apenas conta com um funcionário e, de vez em quando, os filhos, que “têm os seus empregos e vêm ajudar quando podem”. Para lhe aliviar a carga podia até contratar mais uma ou duas pessoas, mas tem receio, pois a atividade agrícola não dá muito dinheiro e “provavelmente não poderia mantê-los a trabalhar ao longo de todo o ano”.

Por outro lado, aquela é uma atividade dura, o que faz com que não apareça muita gente com vontade de a abraçar. Assim, sobra para si boa parte das muitas tarefas que o trabalho exige. Tem instalado um sistema de rega automática e algumas máquinas que dão uma ajuda, como um pequeno trator e tudo o mais é feito à moda antiga: com uma enxada, muita vontade e força de braços.

Em tempos, ainda comprou “uma máquina de plantar alfaces”, mas acabou por constatar que, como tem terrenos relativamente pequenos, a rentabilidade não era muita, pelo que acabou por vendê-la.

Praticamente toda a vida de Manuel Joaquim da Silva tem estado ligada à agricultura, com “um intervalo de cerca de cinco anos em que andei nas obras”. Mas, mesmo nessa fase, não fez ‘férias’ completas da atividade, pois todos os momentos livres que tinha consumia-os na labuta do campo, a ajudar o pai.

Às tantas resolveu que mais valia dedicar-se a apenas uma atividade e escolheu a agricultura. Por essa altura, e durante muitos anos, os campos à volta eram todos plantados, havia muita gente que vivia do que a terra dava. Entretanto, o turismo foi ganhando cada vez maior protagonismo e o setor primário passou a ser um parente pobre.

Com a chegada em força das grandes superfícies, também muita coisa mudou, pois em vez de comprarem aos pequenos produtores e às lojas de bairro, as pessoas passaram a fazer as suas compras nas novas catedrais do consumo. Como não tem escala para isso, Manuel Joaquim da Silva não pode fornecer a sua produção aos grandes hipermercados, pelo que vende, no mercado por grosso, aos pequenos comerciantes que aí se deslocam e que “são poucos”.

Como, por isso, a entrada de dinheiro não é muita, para que o saldo no final de cada mês seja positivo, há que poupar, algo que há muitos anos se habituou a fazer.

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