O regresso calculista de Joaquina Matos à política de Lagos

Estamos em tempos difíceis para a política de proximidade como são as autárquicas que têm o condão de mexer até com a mais pequena localidade.

Mas, mesmo em tempos de pandemia, não poderemos ignorar as autárquicas que se começam a aproximar e a movimentar todos os espaços políticos. E o Algarve não é excepção. A avaliar pelo panorama que se nos oferece, há mesmo uma grande ebulição. Para exemplificar, basta apenas citar casos como Albufeira, Lagoa, Aljezur e outros mais. 

Em Albufeira, é Desidério Silva que, como independente e ex-presidente, vai concorrer contra o PSD, o seu partido de sempre. Em Lagoa, Francisco Martins, eleito pelo PS ainda no mandato a decorrer, demitira-se inesperadamente e, contra o que seria de imaginar, vai agora como independente concorrer contra o seu antigo vice-presidente.

Em Aljezur, é Manuel Marreiros que já fora eleito pela CDU. Mas nos seus dois últimos mandatos, foi pelo PS, partido em que se filiara, que viera a dar continuidade à sua presidência de câmara. Agora, como independente, tenta regressar e, de novo, retomar os destinos de Aljezur.

Também em formato independente, Dino Lourenço procura, em Vila do Bispo, dar um salto da presidência da junta de freguesia local para a Câmara Municipal. Já bem mais consensual é a candidatura de Bruno Estremores à Câmara Municipal de Monchique. Segundo tudo indica, vai dar continuidade, também pelo PSD, a Rui André que, por limite de mandatos, não pode continuar e poderá candidatar-se a Portimão.

O momento da verdade para Hugo Pereira

Com toda esta efervescência pelo Algarve adiante, em Lagos parece estar-se a fazer um compasso de espera com os bastidores em preparação para não haver surpresas na eleição que já se avizinha. E todas as cautelas são poucas, com o Chega a intrometer-se e a poder baralhar as contas finais de uma eleição que não parecia oferecer qualquer alteração substancial ao panorama actual.

Mas, para prevenir quaisquer alterações ou surpresas que não entrem nas cogitações das finas análises políticas, o PS, em Lagos, começa a precaver-se e a tentar que Pedro Moreira, do PSD, não lhe possa roubar a maioria ou, a par de outras formações políticas, causar alguns estragos no futuro elenco da câmara. E como tudo indica que Hugo Pereira, actual Presidente, seja o candidato natural do PS, tudo se está a fazer para não se correr riscos que possam alterar o actual quadro autárquico.

Trata-se de uma metodologia que já se começou a desenhar há dois anos atrás com a promoção de Joaquina Matos. Com a sua inserção na lista de deputados do PS pelo círculo eleitoral do Algarve, a Presidente da Câmara deixaria o lugar para Hugo Pereira o ocupar e se ir habituando e estabelecendo uma relação de presidente e, cada vez mais abrangente, com toda a população do território de Lagos.

E assim, durante dois anos, com as funções e o estatuto de presidente, Hugo Pereira lá foi fazendo o seu caminho para enfrentar as eleições que, dentro de meses, visam auscultar o sentido de voto das populações.

A popularidade de Joaquina Matos

Mas, como a popularidade de Joaquina Matos ainda é bastante notória e o seu papel de “mater familias” parece continuar a dar bons frutos, tomou-se a decisão de a chamar para encabeçar a lista para a Assembleia Municipal.

E isto porque o eterno presidente deste órgão, acharam os estrategas, já estaria a cansar e a sua imagem poderia afastar alguns votantes do PS. E, como continua a deter a Presidência da Administração Regional de Saúde do Algarve, há sempre um bom motivo para se dizer que a falta de tempo não possibilitaria estar a desempenhar com suficiente disponibilidade este serviço em prol da comunidade.

E assim, em nome dos votos que se poderão ir buscar, Joaquina Matos, depois de abandonar a Câmara Municipal, regressa, com todo este calculismo, ao seio da política local. Por esta via, Paulo Morgado, há mais de duas décadas à frente da Assembleia Municipal, acaba por ser arredado do espaço da política local.

Com esta estratégia já desenhada, Joaquina Matos, por conveniência política caseira, abandonou a Presidência da Câmara Municipal com o aceno de um lugar de conforto no Parlamento Nacional. Dois anos mais tarde, as conveniências e os cálculos políticos fazem com que Paulo Morgado seja finalmente apeado e, em sua substituição, Joaquina Matos venha dar uma mão a esta eleição que se avizinha.

Com esta espécie de maquilhagem, em jeito de renovação, tudo continua na mesma com o calculismo a determinar que as figuras de sempre, a ir e a vir, continuem a perpetuar-se.

E, para que a renovação e a competência se comecem a sobrepor a estes jogos de bastidores, ter-se-á de aguardar por tempos mais promissores. 

(Opinião, Guedes de Oliveira)

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