As ‘guerras’ antigas do comércio portimonense contadas por João Antunes

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(Leia a 2ª parte da reportagem aqui)

O comércio de Portimão já foi forte e pujante, mas ao longo das últimas décadas tem vindo a perder força, clientes e faturação.

Nesta altura é a pandemia a principal responsável pelas enormes dores de cabeça dos empresários locais, mas a tendência de declínio começou muitos anos antes da Covid-19 entrar nas vidas de todos.

João Antunes, que esteve cerca de sete anos na direção da, entretanto, extinta Associação Comercial de Portimão (ACP) – quatro como presidente e três como número dois da equipa dirigente – diz que os problemas a sério “começaram com a instalação das grandes superfícies no concelho”.

A novidade, os preços mais baixos e a facilidade de estacionamento cativaram, de imediato, os clientes, que começaram a ganhar novos hábitos, transferindo-se do centro de Portimão para as novas catedrais do consumo.

No tempo em que esteve na ACP tentou lutar para inverter tal situação. Uma das ferramentas a que procurou agarrar-se foi ao programa de modernização comercial, o Urbcom. Tratava-se de um instrumento que tinha necessariamente de envolver a associação, os comerciantes e a Câmara.

Contudo, a primeira conversa que teve sobre o assunto com o então presidente da autarquia, o malogrado Nuno Mergulhão, esteve longe de corresponder às suas expectativas. O autarca parecia estar com pressa, não lhe deu tempo para explicar detalhadamente o que ali o levava, pelo que acabou por sair da reunião “desiludido e convencido de que o projeto não iria avançar”.

Uns dias mais tarde, contou o episódio a outros empresários com quem costumava almoçar semanalmente. Um deles era David Cristina, que, na altura, exercia as funções de presidente da Assembleia Geral da Associação Comercial de Portimão e que era grande amigo de Nuno Mergulhão. Depois do repasto dirigiu-se à sede da associação, onde João Antunes lhe mostrou o projeto e o elucidou sobre todos os aspectos do mesmo.

Mais tarde, o presidente da ACP foi convocado para nova reunião com Nuno Mergulhão que, então, “já teve uma atitude completamente diferente, disse-me que no nosso primeiro encontro não tinha entendido bem o alcance do projeto, mas que depois de David Cristina ter falado com ele percebia o que estava em causa e queria colaborar”.

A partir daí desenvolveram uma série de contactos, reuniões e até encontros fora do âmbito institucional, tendo “acabado por ficar amigo dele”.

Contudo, lamenta João Antunes, “já não foi no meu tempo que veio o dinheiro para implementar o que tínhamos idealizado”.

A polémica da Alameda da Praça da República

Uma das decisões tomadas por Nuno Mergulhão foi a requalificação da Alameda da Praça da República, que implicou a demolição do antigo mercado.

Antes de avançar com o processo, o autarca pediu que a associação se pronunciasse sobre a ideia. João Antunes entendeu que não devia ser a direção a dar a sua posição, pois este era um tema que devia envolver a generalidade dos seus associados.

Resolveu, então, promover uma sessão pública sobre a matéria, na Biblioteca de Portimão, e colocou as funcionárias da ACP a recolher assinaturas dos comerciantes que eram a favor ou contra a ideia. O resultado não deixou margem para dúvidas: “cerca de mil apoiaram o projeto e apenas pouco mais de uma dúzia de empresários manifestaram o seu desacordo”.

Outra das batalhas então travadas foi o da mudança do horário de abertura e fecho dos estabelecimentos. Sendo Portimão um concelho de grande vocação turística, “fazia sentido que, sobretudo no Verão, os comerciantes mantivessem as suas lojas abertas até mais tarde”. Depois de intenso debate e na sequência de uma reunião ocorrida na sede da ACP, foi decidido implementar novos horários, mas, lamenta, “na prática, poucos comerciantes aderiram, por uma questão de hábito ou por outras razões, e os poucos que avançaram, pouco tempo depois acabaram por fazer marcha-atrás”.

(Leia a 2ª parte da reportagem aqui)

(1ª parte de uma reportagem originalmente publicada no Portimão Jornal, que pode ler na versão em papel ou online, aqui)

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