O humor de ‘aço’ de quatro jovens portimonenses

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O grupo portimonense Giletes D’Aço acaba de lançar o seu primeiro álbum musical. É composto por 15 músicas com letras bem-dispostas, cheias de humor e com ‘sotaque’ algarvio, conforme o nome do CD, ‘N T’Apoquentes’, desde logo sugere. Dois dos temas são originais e os restantes 13 adaptações de músicas já existentes.

Este é o culminar de “cerca de dois anos de gravações”, o que foi uma autêntica aventura, pois, dizem os jovens, “não somos cantores”. Os Giletes D’Aço definem-se como “quatro amigos que gostam de se divertir e de divertir os outros; pouco ou raramente desfazem a barba e nada têm a ver com a empresa que fabrica lâminas de barbear”.

O seu objetivo essencial é fazer rir quem segue o seu trabalho, usando para isso os ‘sketches’ que publicam nas redes sociais, os espetáculos que fazem e, agora, este disco. O percurso que deu origem ao projeto arrancou em finais de 2012. Na altura, recorda Joel Duarte, “eu e o Fábio fazíamos teatro na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes e já acompanhávamos um grupo de comédia brasileiro perito em espetáculos e jogos de improviso e gostávamos de pôr em prática esses mesmos jogos nos intervalos dos nossos ensaios”.

Uma surpresa muito agradável

O curioso nome que hoje ostentam nasceu nessa altura, pois, explica Fábio, gostavam de uma “uma banda portuguesa chamada ‘Comme Restus’, que tinha uma música chamada ‘Brutalisame Cuatua Mánica De Pudar’ onde chamavam mulheres com nomes que quase ninguém usa hoje em dia e no final disso diziam ‘Dá-me com giletes d’aço na boca’ e o nome acabou por ficar”.

Por essa altura, “na escola fizeram um concurso de novos talentos e pela primeira vez abriram a categoria de representação. Como já conhecíamos o João Sardinha, juntámo-nos os três com outro elemento que já não faz parte do grupo e concorremos”. Acabaram por vencer na sua categoria e ficaram em segundo lugar da classificação geral, o ‘bichinho’ entrou nas suas vidas e “desde aí nunca mais parámos”.

Pouco tempo depois reforçaram-se com Tiago Carmo e mais tarde um dos outros elementos acabaria por sair, por divergências criativas, ficando assim completa a formação que ainda hoje existe.

No princípio, o que queriam era, simplesmente, divertir-se. Encontravam-se quando calhava e escreviam, gravavam e lançavam vídeos sem qualquer regularidade. Até que João Sardinha sugeriu que começassem a colocar os trabalhos nas redes sociais em dias específicos da semana. Isso “obrigava-nos a gravar logo uns quantos de seguida para que tivéssemos material para lançar caso não conseguíssemos estar juntos nalguma semana para filmar”.

Ao fim dessa temporada optaram por realizar um ano sabático “para perceber o que queríamos realmente fazer com o projeto”. Depois desse período de ‘reflexão’ voltaram à carga, foram fazendo ‘sketches’ praticamente todas as semanas, o grupo de fãs aumentou e começaram a ser convidados para espetáculos, “o que nos obrigou a criar mais conteúdo”.

Valendo-se da habilidade do Tiago com a guitarra e da criatividade dos quatro amigos, um dos meios a que ‘jogaram’ mãos para alargar a duração dos espetáculos foi a adaptação e a ‘tradução’ para algarvio de temas nacionais e estrangeiros.

Muitos projetos

Esta evolução foi “uma surpresa muito agradável, começámos a ver que a brincadeira passou a ser mais uma fonte de rendimento extra para as nossas vidas”, dizem os amigos. No entanto, refere Joel Duarte, “daí a transformar-se numa atividade a tempo inteiro ainda deve demorar algum tempo. Gostávamos e trabalhamos para que isso aconteça, mas temos de ser pacientes”.

Até porque o surgimento e o alastrar da pandemia suspendeu o bom momento que estavam a viver e a ‘onda’ que em seu redor estava a formar-se. Os espetáculos marcados foram cancelados e a dificuldade em reunirem-se, por causa não só dos horários de trabalho diferentes que têm, mas também por medo do vírus levou a que interrompessem a produção regular de conteúdos.

Nesta altura, tal como toda a gente, já se consciencializaram que é preciso trabalhar mesmo com o vírus sempre à espreita. Encontram-se numa fase de “reformulação do projeto e, assim que nos for possível, voltaremos à carga com os vídeos que estão a ser escritos, não sabemos ainda se no mesmo contexto que temos feito até hoje ou se reinventaremos essa parte também”.

O projeto do álbum foi concretizado e agora “queremos fazê-lo chegar ao maior número possível de pessoas”. Entretanto, “estamos a escrever uma série, a planear um livro, a fazer mais videoclips e queremos muito voltar aos palcos”.

Uma das imagens de marca do grupo é a utilização de expressões típicas algarvias que, só por si, são uma forma de colocar os espetadores a rir… mas por razões diferentes, em função de serem ou não naturais da região.

Os algarvios percebem, de imediato, o que pretendem dizer, mas quem não está familiarizado com o nosso ‘vocabulário’ acaba por, muitas vezes, fazer outra leitura das piadas. João Sardinha não se mostra muito preocupado com isso, diz que “não fica mal a pessoas de fora aprenderem mais uma palavra ou outra algarvia e adicioná-las ao seu dicionário”. E, bem-disposto, deixa o repto: “se quiserem aulas particulares de como falar algarvio, contactem-nos”.

(Reportagem também disponível no Portimão Jornal, na sua versão impressa ou online, aqui)

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