Salvador Varela: A queda na falésia e a segurança na noite

(Segunda parte de uma reportagem sobre a vida de Salvador Varela. Pode ler a 1ª parte aqui)

O «Outro Bar» estabelecimento abriu em 1998 e foi desde logo “um sucesso”. Em parte atribui isso ao facto de, ao contrário do que acontecia com a maioria dos bares da Praia da Rocha, aquele ter como foco essencial o cliente português, o que que lhe permite não estar tão dependente dos três ou quatro meses da época alta turística.

O negócio dos bares e da noite é, por vezes, associado a situações menos agradáveis, mas Salvador Varela diz que, no seu caso, nunca se deparou com qualquer problema que não se resolvesse sem grandes dramas.

O único caso negativo que refere foi o de uma queda que teve ao tentar impedir uma turista de se atirar da falésia. Ao longo destes anos já houve vários ‘mergulhos’ naquela zona mas, lamenta, “normalmente ninguém se aleija a sério e eu acabei logo por partir o braço e a omoplata”.

Tal como sempre aconteceu na sua vida, procura focar-se, sobretudo, na parte positiva, nos muitos amigos que fez, da alegria que tem proporcionado a muita gente e às amizades e até aos muitos casamentos que ‘nasceram’ naquele espaço. Agora muitos desses casais têm filhos que também se vão divertir ali e é vulgar pedirem a Salvador Varela que “olhe por eles”, ou seja, que não os deixe meterem-se em confusões nem pisar o risco.

É uma solicitação que entende pois ao longo das últimas décadas a diversão, sobretudo noturna, mudou bastante e não propriamente no melhor sentido, com uma geração cada vez mais nova a ‘tomar conta da noite’.

Antigamente “não havia grande problema ao sair, agora com frequência vamos ouvindo notícias de situações graves”, pelo que é preciso ter mais cuidado e “ler bem os ambientes para onde vamos”.

Videovigilância reforça segurança

No caso da Praia da Rocha, considera que é uma zona segura. Ao longo de todo o ano, a polícia está atenta ao que aí se passa, em especial no verão quando há grandes reforços do seu contingente.

Ainda assim, concorda com a instalação de videovigilância naquela zona, pois entende que isso vem reforçar os níveis e, sobretudo, a sensação de segurança dos muitos residentes e turistas que frequentam a zona.

Um dos problemas principais é a escassez de estacionamento automóvel existente nas redondezas. Salvador Varela diz que, olhando para trás, é hoje fácil concluir que essa é uma questão que deveria desde o início ter merecido um outro tipo de resposta . Teria sido importante que, por exemplo, tivesse, desde sempre, sido obrigatória a criação de um determinado número de estacionamentos por cada prédio construído.

Agora, esta é uma questão muito difícil ou mesmo impossível de se resolver, pois não existem muitos espaços que possam ser utilizados para esse fim e os poucos que existem têm um valor de mercado astronómico.

Ainda assim, foram dados passos que, na sua opinião, são positivos, como a construção de um silo e a utilização, durante o verão, de uma das faixas da V3 para estacionamento. Isso “alivia um pouco o problema, mas está longe de o resolver por completo”.

Menos entusiasmo mostra pelo elevado número de parquímetros que foram colocados naquela zona, embora reconheça que se não existissem, na época alta poucos espaços de estacionamento sobrariam para os clientes, pois seriam ocupados ao longo de todo o dia e noite pelos funcionários dos bares, hotéis e outros estabelecimentos.

Trânsito cortado

Uma das decisões tomadas já há alguns anos pela Câmara foi a do fecho, ao logo de todo o ano, à circulação automóvel de uma parte da Avenida Tomás Cabreira, o que provocou reações positivas e negativas.

Salvador Varela refere que, sobretudo no Verão, não havia condições para compatibilizar o elevado número de pessoas que se concentra naquele espaço com a circulação automóvel. 

Aliás, diz ter sido um dos responsáveis pelo primeiro passo para que essa decisão fosse tomada. Há já bastantes anos, ainda estava no Bar do Xico e em algumas alturas havia grandes problemas em conseguir ter tantos clientes e automóveis a partilhar o mesmo espaço.

Resolveu, então, redigir um abaixo-assinado, a pedir o fecho da rua à circulação automóvel aos fins de semana, feriados e verão. Conseguiu que o documento fosse assinado por 4 ou 5 mil pessoas, foi defendê-lo numa reunião de Câmara e conseguiu os seus intentos.

Nos últimos dois anos, tal como todos os empresários do setor, viveu tempos complicados, devido às restrições provocados pela pandemia. Durante muito tempo teve o interior do estabelecimento encerrado, até mesmo depois das regras terem sido aliviadas, pois “era complicado estar a fazer testes aos clientes à entrada e, como as noites eram fracas, acabei por tomar essa opção”.

Ainda assim, muitos dos seus clientes habituais não desistiram de continuar a passar pela esplanada, e de ali ficar uns instantes a contemplar a praia e o mar.

Agora, as coisas voltaram à ‘normalidade’ possível e Salvador Varela mostra-se optimista em que os próximos tempos sejam de recuperação e que cada vez mais pessoas retomem o hábito de se divertir e passar férias na Praia da Rocha, caso, naturalmente, não apareça uma nova variante da Covid-19 ou que outra circunstância, como uma guerra, venha provocar um novo período de crise.

Mas, optimista como sempre, vai fazendo o que lhe compete para que a principal estância turística de Portimão volte a ter o fulgor de outros tempos. O Outro Bar voltou a funcionar em pleno e, depois de realizar obras, o seu mais recente projeto empresarial, o restaurante Tropical, situado em pleno areal, também reabriu.

Pode ler a 1ª parte da reportagem aqui.

(Pode também ler esta reportagem na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui)

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