Viagem pelo comércio portimonense com Cândido Glória (2ª parte)

Segunda parte de uma ‘viagem’ pela vida de Cândido Glória. Pode ler a 1ª parte aqui. A reportagem também está disponível na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui.

Consciente dos desafios que tinha pela frente, juntamente com vários outros colegas da região, Cândido Glória começou a pensar numa estratégia que lhe permitisse ter alguma margem de manobra para sobreviver na guerra contra as grandes superfícies, que já então se vislumbrava.

No mundo do comércio isso significava conseguir preços mais competitivos. A solução encontrada passou pela formação de uma central de compras, a Uniarme – União de Armazenistas de Mercearias, que “teve dez sócios fundadores, de várias zonas do país, mas à qual aderiram depois muitas outras empresas”. Diz ter sido “um projeto que resultou, a tal ponto que, tendo sido criado em 1986, ainda hoje existe”.

Enquanto presidente da direção desta estrutura, que tinha como objetivo essencial a compra de produtos em grandes quantidades e a custos mais baixos no estrangeiro, foi a muitas feiras e certames internacionais, o que contribuiu para ficar com uma visão mais global do panorama comercial.

Tal experiência permite-lhe dizer que um dos erros que se cometeram em Portugal nessa fase foi “deixar construir as grandes superfícies no centro das cidades, algo que não acontecia nos outros países europeus que visitei”.

Não se mostra contra esta nova forma de chegar aos consumidores, pois “é a evolução natural dos tempos, se aconteceu a nível internacional, também acabaria por, fatalmente, chegar ao nosso país”. Mas entende que, por cá, não houve o cuidado de criar regras que protegessem as formas tradicionais de comércio, evitando que quase todo o mercado ficasse nas mãos da grande distribuição.

Também a nível regional procurou fazer pressão sobre os decisores políticos, tendo mantido uma intervenção relevante na CEAL – Confederação dos Empresários do Algarve que, criada em 1990, procurou dar contributos para a defesa do tecido empresarial algarvio.

Estacionamento é o grande trunfo dos hipermercados

Na sua opinião, mais do que os preços, “o grande trunfo dos hipermercados é a facilidade de estacionamento gratuito que disponibiliza aos seus clientes”.

Mas também entende que, da parte do chamado comércio tradicional, não foi feito tudo o que estava ao seu alcance, ao nível da modernização, do marketing e do horário de funcionamento dos estabelecimentos.

Contudo, admite que era uma luta muito desigual. Numa primeira fase, ainda pensou que as grandes superfícies fossem uma moda, que, mais tarde, uma vez passada a novidade, as pessoas voltassem a fazer as suas compras nos seus bairros, nas lojas e mercearias locais.

Mas à medida que o tempo passava foi ganhando a convicção que muito dificilmente isso aconteceria. Um sinal muito claro era dado pela queda contínua da faturação das suas empresas, o que o levava a temer pelo futuro não só do negócio como das centenas de funcionários que nele confiavam.

Em face de todo este cenário, chegou à conclusão que o melhor seria aceitar a proposta de compra do seu universo empresarial por parte da Alicoop, o que aconteceu em 1995.

Olhando para a evolução que o setor teve desde essa altura, continua convencido que “foi a solução que se impunha, pois permitiu salvaguardar os interesses de todas as parte, em especial, dos trabalhadores”.

Ligação de mais de 20 anos ao Centro de Apoio a Idosos

Cândido Glória foi uma pessoa muito envolvida e empenhada na vida associativa do concelho, procurando sempre ajudar, dentro do que lhe era possível, e responder positivamente aos pedidos de apoio que regularmente lhe eram feitos por associações, instituições e clubes.

Pessoalmente, envolveu-se na Associação Comercial de Portimão, uma estrutura já desaparecida, que tinha como missão defender os interesses dos comerciantes locais e também foi dirigente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portimão.

Teve, ainda, uma passagem pelos órgãos sociais do Portimonense, mas não apreciou particularmente os bastidores do mundo do futebol e rapidamente percebeu que “aquilo não era para mim”.

Em sentido contrário está a ligação de “mais de 20 anos”, que ainda mantém, com o Centro de Apoio a Idosos de Portimão, de que é vice-presidente.

Cândido Glória também possui alguma experiência autárquica, tendo, entre 1972 e 1974, exercido as funções de vereador na Câmara. Depois do 25 de Abril continuou a ser convidado para a vida política, por pessoas ligadas ao PS e ao PSD, mas acabou sempre por declinar os convites.

Segunda parte de uma ‘viagem’ pela vida de Cândido Glória. Pode ler a 1ª parte aqui. A reportagem também está disponível na edição impressa do Portimão Jornal ou online, aqui.

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