“Há fortes possibilidades de chegarmos a um entendimento com o PSD”

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Segunda parte da entrevista a João Caetano, presidente da concelhia de Portimão do CDS, em que se fala da possibilidade de formação de uma frente eleitoral nas próximas autárquicas que junte o PSD e a coligação ‘Servir Portimão’, de que faz parte o CDS.

Algarve Marafado (AM) – A coligação ‘Servir Portimão’ é uma estrutura política que surgiu nas últimas autárquicas. Como é que tem corrido esta experiência?

João Caetano (JC) – Genericamente, tem corrido bem, sendo certo que é um movimento que congrega, não só forças políticas, mas, também, independentes. Portanto, é natural que, num momento ou outro, tenha havido situações de divergências, visões diferentes, mas isso é salutar e positivo. Daí vem também o enriquecimento da acção e da perspectiva que o ‘Servir Portimão’ tem tido ao longo deste mandato.

Entendemos que o percurso de abertura dos partidos tradicionais à sociedade civil, aos independentes, a pessoas que não tinham intervenção na política deve continuar a ser aprofundado.

AM – A coligação ‘Servir Portimão’ teve um bom resultado em 2013, mas não lhe parece que aquelas autárquicas foram uma grande oportunidade perdida para a oposição, uma vez que não conseguiram tirar o poder ao PS?

JC – As circunstâncias foram as que foram. A oposição perdeu essa oportunidade porque não houve, da parte de quem estava, na altura, à frente do PSD disponibilidade para pensar numa alternativa política com cabeça, tronco e membros à gestão ruinosa do PS. Houve tentativas da nossa parte, mas verificámos que era muito difícil chegar a um entendimento porque havia uma obsessão da parte da pessoa que liderava aquele partido em Portimão em ser o cabeça-de-lista à Câmara de uma hipotética coligação.

Nós entendemos que essa pessoa [Pedro Xavier], do ponto de vista político, não tinha notoriedade, não tinha capacidade para liderar um movimento desses. E foi só por isso que não  houve coligação com o PSD. Como disse, houve uma obsessão dessa pessoa de ir a votos para garantir o lugar que hoje ocupa [vereador com pelouros].

AM – Nesta altura, as circunstâncias são outras. Há, agora, condições para formar essa aliança com o PSD?

JC – Há, pelo menos, disponibilidade para conversarmos, quer da parte das pessoas que lideram o PSD/Portimão, quer da parte da comissão política do CDS e das pessoas que integram o ‘Servir Portimão’ que são independentes ou militantes de outros partidos.

Já houve conversas e posso dizer que, neste momento, temos as grandes linhas de diagnóstico e de soluções mais ou menos sedimentadas. Essa visão de conjunto é partilhada por todos e, portanto, penso que há um caminho a fazer e possibilidades de, a dado passo, chegarmos a um entendimento sobre uma solução conjunta.

AM – Que probabilidades pensa existirem de conseguirem um acordo?

JoaoCaetano04JC – Tenho que dizer, antes de mais, que, internamente, o CDS vai ter eleições antes das próximas eleições autárquicas, em princípio, antes do final deste ano.

Se os elementos da actual comissão concelhia continuarem, eu diria que o percurso que foi feito até aqui indica que há fortes possibilidades de chegarmos a um entendimento com o PSD, mas também com independentes e outras forças políticas para constituir uma alternativa conjunta que permita pôr fim a estes quase 40 anos de PS na Câmara e, sobretudo, que permita pôr fim a uma visão perfeitamente inadequada daquilo que deve ser o município de Portimão.

A dra. Isilda Gomes, no seu discurso do 25 de Abril, fez críticas muito duras à nossa reacção sobre a apresentação das contas de 2015. Nós agradecemos a atenção que ela nos deu e registamos com agrado que reagiu da forma que reagiu às críticas, mas é preciso olhar para além desta questão circunstancial da troca de acusações e de críticas, às vezes, com algum acinte e azedume.  E o fundamental é que o PS, neste momento, não tem uma visão do que será Portimão daqui a cinco ou dez anos. Não há uma visão programática, a médio e longo prazo, daquilo que poderá e deverá ser Portimão.

Dou aqui alguns exemplos. Há coisa de um mês e pouco, o executivo aprovou a adjudicação da proposta de assessoria técnica para a revisão do Plano Director Municipal (PDM) a um ilustre urbanista deste país. Era uma oportunidade de ouro para debater, do ponto de vista estratégico, o que se quer para Portimão nos próximos dez anos.

Acontece que o tempo que foi delineado para essa adjudicação foram 11 meses. É impossível rever o PDM em 11 meses, se calhar esse seria o período necessário para pensar e debater uma estratégia de desenvolvimento local. Nós entendemos que essa é uma questão fundamental. Temos falado com diversas entidades, nos próximos meses vamos fazer um trabalho mais profundo na base de discussão pública de uma série de questões que interessam aos portimonenses e no sentido, também, de procurar caminhos e consensualizar propostas e soluções que, depois, possam corporizar esse projecto mais abrangente.

Até porque, se houver esse entendimento político, a ideia não é, apenas, somar os votos dos partidos, a ideia é criar um movimento abrangente que congregue o maior número possível de pessoas que não se revêm nesta forma de fazer política, nesta gestão do PS e, sobretudo, que queiram ter uma visão estratégica para o concelho.

AM – Quem é que pode liderar esse projecto, e ser o candidato à presidência da Câmara?

JC – Temos dois ou três nomes em cima da mesa, neste momento, mas, se quer que lhe diga, não estou muito preocupado com o cabeça-de-lista.

AM – Não acha que é importante?

JC – É importantíssimo, mas os alicerces não são os candidatos, os alicerces são, para já, haver princípios e objectivos comuns. Depois, um entendimento consensualizado sobre aquilo que se passa no concelho e sobre as perspectivas e medidas que devem ser tomadas e é esse caminho que estamos a aprofundar e só depois é que vamos chegar à parte de escolher os candidatos, sobretudo, de cabeças-de-lista. 

AM – O facto do ‘Servir Portimão’ ter tido mais votos que o PSD nas últimas eleições não poderá complicar as negociações? Podem achar que, por essa razão, devem liderar a coligação, enquanto que, do lado do PSD, pode argumentar-se que se tratou de uma situação pontual e que o principal partido de oposição é o social-democrata que, por isso, deve comandar?

JC – Não sei o que vai acontecer daqui para a frente. O que posso dizer é que foi exactamente por isso que começámos pelas bases do entendimento de coligação, não começámos por discutir candidatos. Começámos pelos alicerces, por aquilo que queremos para Portimão, que tipo de caminho vamos fazer em conjunto e, depois, a dado passo, começou a falar-se de nomes.

E os nomes que estavam em cima da mesa são dos dois principais partidos, CDS e PSD. Não há aqui, à partida, nenhuma obsessão, nem do PSD nem de nós, de dizer que tem de ser o A ou o B o candidato ou que tem de ser alguma das forças políticas a indicar o primeiro nome. É um caminho que está a ser aprofundado e, a seu tempo, acho que poderá chegar a um resultado satisfatório.

AM – Quando é que este dossier deverá ficar fechado?

JC – Eu entendo que, o mais tardar, até início de Dezembro deste ano, o assunto tem que estar arrumado e, até ao final do ano, deve haver uma declaração pública  a indicar que há uma coligação com determinadas forças políticas e sobre quem serão os cabeça-de-lista à Câmara, à Assembleia Municipal e assembleias de Freguesia.

Na terceira parte da entrevista João Caetano fala da polémica da destruição da rotunda da Praia de Alvor.

(Nota: Esta é uma série de entrevistas a políticos com responsabilidades no concelho de Portimão, que começou com Hélder Renato, líder local do PSD, e pretendemos que inclua representantes de todas as forças representadas nos órgãos autárquicos. Contamos que um dos próximos seja o presidente da concelhia local do PS, Filipe Vital, que, já há algum tempo, foi convidado para o efeito) 

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