Bom resultado eleitoral passa por “não permitir uma maioria absoluta ao PS”

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Segunda parte da entrevista ao candidato da CDU à presidência da Câmara de Portimão, Isidro Vieira, levada a cabo pela Rádio Portimão, em colaboração com o Algarve Marafado.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

Boa parte do estacionamento no centro da cidade foi concessionado a empresas privadas.Há quem defenda que, sendo possível, se deve acabar com essas concessões. Qual é a posição da CDU?

Nós somos contra a privatização e a cobrança do estacionamento no interior da cidade.

Mas se não cobrar tem outro problema que é o de meia-dúzia de pessoas estacionarem os carros de manhã e só voltarem a pegar neles às 7 da tarde e mais ninguém conseguir estacionar em zonas nobres da cidade.

Sim, talvez aí tenha que haver uma renegociação do tipo de pagamento, de forma a baixar o pagamento e também o valor ser fixado em função do tipo de utilização.

Só para dar um exemplo: uma pessoa que vá às compras para o meio da cidade, em que o trânsito é caótico, onde o estacionamento é difícil, se não conseguir lá estacionar ou se tiver de pagar muito acaba por não ir comprar ao nosso comércio local, não vai ajudar a desenvolver aquilo que é nosso, digamos assim.

Temos que encontrar uma forma das pessoas poderem estacionar nessas zonas sem terem de pagar muito por isso.

Acredita que se circularem mais automóveis e houver estacionamento no miolo da cidade o comércio tradicional poderá melhorar?

Acredito que poderá melhorar se as pessoas conseguirem chegar ao centro da cidade, andar pelas ruas e não tiverem a preocupação de terem que ir depressa para não pagarem muito de estacionamento. Se isso não acontecer, se calhar terão mais tempo para entrar numa loja, para ver e apreciar os produtos e gastar mais dinheiro no comércio local.

Mas não acha que o declínio do comércio tradicional em Portimão tem muito a ver com os próprios comerciantes? Temos, por exemplo, a questão do horário de funcionamento dos estabelecimentos, que é o mesmo de há décadas atrás. No Verão, por exemplo, até ao fim da tarde, os turistas estão na praia e se depois quiserem vir ao comércio, ele está fechado. Não lhe parece que a culpa maior será dos próprios comerciantes e não, propriamente, da Câmara?

É óbvio que os comerciantes também terão que ver o que os beneficia. Criar estacionamento acho que poderá ajudar. Incentivar a comercialização de produtos regionais e locais é outra das nossas propostas. Outra é, por exemplo, a criação do cartão de Freguês, com incentivos aos portimonenses residentes, dando-lhes algumas regalias por comprar nos estabelecimentos locais. Nós vivemos cá o ano inteiro e no Verão os preços disparam. Poderia haver algum incentivo, por exemplo, através de um cartão que permitisse que as pessoas que ali vão o ano inteiro paguem o mesmo também no Verão.

Ainda dentro do tema do trânsito, que posição tem sobre a Gare Rodoviária que, recentemente, foi apresentada?

Nós somos favoráveis à construção de uma Gare Rodoviária acessível e com localização central, que é o que esta não tem. Devia ser construída num local central da cidade, que é o mais lógico e, a partir daí, haver uma rede de transportes públicos para ramificar para todo o lado.

Mas tinha que ser num espaço da Câmara para não ter que investir mais.

Exactamente. Não lhe saberei dizer agora qual seria o espaço ideal, mas teremos pessoas para estudar isso. O que também digo é que esta ‘inauguração’ de uma Gare Rodoviária que já estava feita foi um bocadinho show-off, foi uma medida eleitoralista do executivo PS, mais nada.

Recentemente foi também feita uma rotunda em frente ao Mercado Municipal, que faz com que o trânsito possa ir directamente da V6 para o centro da cidade. Foi uma boa obra?

Quero pensar que a ideia seria boa, mas não saiu muito bem porque aquilo não descongestionou o trânsito, aliás, veio complicá-lo. Temos a noção de que as pessoas estão descontentes com aquilo porque não foi muito bem pensado, existe muito dificuldade em fazer o trânsito fluir.

Ainda ao nível do trânsito, o que pensa do resultado da intervenção feita na EN 125, que ficou cheia de rotundas e traços contínuos?

Acho que ficou muito aquém do que seria desejável. Realmente, ficou com muitos traços contínuos, muitos pórticos no meio da estrada, muitas rotundas. Sou enfermeiro, faço muita viatura médica, ando muito na estrada e vejo que aquilo dificulta muito a circulação de trânsito.

O que acha da anunciada intenção de criar uma ligação directa da EN125 ao Hospital para viaturas de emergência médica?

Penso que a ideia é boa, não tenho nada a opor porque é para benefício da população.

E, já agora, que estamos na parte do trânsito, gostaria de dizer que a CDU tem uma ideia para um plano integrado de mobilidade do trânsito, estacionamento e transportes públicos. Além da construção dessa nova gare, também propomos renovar as acessibilidades aos portos e marina e estudar a possibilidade de criação de novos acessos rodoviários, nomeadamente, de ligação da EN 125 e Via do Infante às praias, porque no Verão, como as coisas estão, o trânsito dentro da cidade torna-se caótico.

Não houve evolução positiva no Hospital de Portimão

Há 4 anos, na campanha eleitoral, a actual presidente de Câmara deve ter conseguido muitos votos com a posição que tomou sobre o Hospital do Barlavento. O senhor, que trabalha no hospital, sente que, ao fim deste tempo, houve uma evolução positiva?

Muito sinceramente, não houve evolução nenhuma positiva, está tudo na mesma. Os serviços continuam a ser degradados, continuamos a perder valências, temos ‘n’ dias em que não há ortopedia de emergência, não temos cardiologia de urgência, não temos um cardiologista em Portimão, o que é gravíssimo, é danoso para a população, não temos psiquiatra, não temos urologista.

Acha que, nesse aspecto, Câmara anunciou muito e fez pouco?

Fez pouco. Houve muita publicidade em relação à posição da dra. Isilda Gomes sobre a defesa do nosso hospital mas, no entanto, foi muito pouco feito. Os resultados estão à vista, nós continuámos com um Sistema Nacional de Saúde, nomeadamente em Portimão, muito degradado. O que temos, fazemos bem, o problema é que há pouca oferta.

De certeza que a CDU foi a força política que mais lutou pelo hospital. Temos moções que entraram na Assembleia da República pelo deputado Paulo Sá que são infindáveis relativamente aos temas da qualidade, da quantidade, das valências do hospital, dos cuidados de saúde, a defender enfermeiros, médicos e a qualidade de trabalho.

De uma forma geral, os autarcas e políticos locais, em especial, dos partidos de esquerda defendiam que o Governo acabasse com o Centro Hospitalar do Algarve e fizesse voltar tudo à antiga forma, ou seja, que o Hospital do Barlavento voltasse a ter a sua autonomia. Não foi essa a opção seguida, à estrutura criada, o Ministério da Saúde ainda juntou o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMR Sul) e a Universidade do Algarve. O que acha desta opção?

Acho que foi uma decisão muito lesiva para a população de Portimão. Nós perdemos a nossa autonomia administrativa, financeira, perdemos valências e serviços. Tínhamos um serviço de lavandaria com maquinaria toda pronta, nunca nos faltou roupa e, neste momento, nem isso temos, pois esse serviço foi externalizado. Ao nível dos cuidados de saúde continuamos exactamente na mesma, não houve melhorias com a recente decisão do Governo.

Ao nível da prestação do Centro de Saúde, houve evolução positiva ou negativa?

Evoluiu alguma coisa no sentido positivo, com a reposição de médicos de família para a grande maioria dos portimonenses. Mas queremos ir mais além, queremos lutar para a atribuição de médico e enfermeiro a todas as famílias do município.

A nível social, quais são as situações que, na sua opinião, precisam de uma intervenção mais urgente por parte da Câmara? Tem, por exemplo, alguma proposta para a habitação social?

Há gritantes desigualdades sociais e económicas no concelho. Tem havido um abandono, um desinvestimento por parte deste executivo. A grande resposta é a valorização do trabalho, dos trabalhadores, erradicar o vínculo precário, fazer com que as pessoas tenham condições de trabalho. Isso passa, em parte, pela Câmara incentivar o tecido empresarial a criar essas condições.

Portimão, tal como o resto do Algarve, vive, essencialmente, do turismo de sol e praia. O que é que poderia ser feito para criar mais empresas e mais postos de trabalho, se possível, fugindo um pouco à grande dependência que há deste tipo de actividade?

É óbvio que o turismo é importante, mas queremos diversificá-lo, nomeadamente, através da reactivação da linha de ferries para o Funchal, pela definição de percursos turísticos no concelho, pela criação de um parque de caravanismo.

Mas também temos de combater a sazonalidade do emprego, através do investimento em áreas como as pescas, o comércio e também no turismo, mas num turismo de qualidade, para todo o ano e não apenas para o Verão.

Quase todos os dias se vê barcos de cruzeiro no porto de Portimão. Acha que esse tipo de turismo, que tem grande capacidade financeira, tem sido bem aproveitado, em benefício de Portimão?

Temos um pouco a ideia que esse tipo de turismo não vem a Portimão gastar dinheiro e por isso a CDU defende que haja uma ligação entre o turismo de cruzeiro e o comércio local, no sentido de dinamizar esta simbiose que devia haver, que leve a que quem cá vem consuma aquilo que é nosso e não vá apenas para a praia e as grandes superfícies.

Que propostas tem ao nível da educação?

As nossas propostas passam por criar condições para melhorar as escolas, de forma a garantir uma educação pública, gratuita e de qualidade a todos os jovens do município. Para isso, as escolas devem ser dotadas de funcionários suficientes para o seu normal funcionamento. Vemos que há falta de assistentes operacionais e isso condiciona muito o normal funcionamento das escolas.

Combatemos os mega-agrupamentos porque entendemos não serem boas soluções para o ensino. Por outro lado, há turmas com um número de alunos incomportável, por muito bons que os professores sejam é difícil chegar a todos os alunos. Há também turmas que têm alunos com necessidades especiais que, supostamente, deveriam ser mais pequenas, o que muitas vezes não se verifica.

À Câmara compete interceder junto do poder central, mostrar o que está mal e pode intervir, directamente, ao nível da melhoria das condições físicas das escolas.

O que é que será um bom resultado eleitoral para a CDU?

Um bom resultado eleitoral passará por não permitir uma maioria absoluta ao PS para não ficar completamente liberto para continuar com esta política que esvaziou os cofres da Câmara e que deixou o município sem obra feita, sem jardins públicos, sem parques infantis, um município completamente degradado.

Em termos de eleição de vossos representantes, por exemplo, já seria um bom resultado manter um vereador na Câmara?

Um bom resultado é o reforço da CDU na Câmara, na Assembleia e nas Juntas de Freguesia. Um bom resultado seria ganhar a Câmara ou colocar mais um vereador para além daquele que lá temos. E, sobretudo, um bom resultado será não deixar o PS completamente liberto para continuar com a gestão danosa que tem feito nos últimos anos.

Imaginando que os resultados do próximo dia 1 sejam, no essencial, semelhantes aos de há 4 anos, e que o PS não tenha maioria e precise do apoio de outra força política, a CDU estaria disponível para viabilizar a governação da autarquia?

A nível central existe uma correlação de forças nesse sentido, mas, a nível autárquico, acho um pouco difícil a CDU viabilizar este tipo de gestão porque as nossas ideias são contrárias àquilo que tem vindo a acontecer.

Mas a nível nacional, a CDU também não concordava com tudo o que o PS queria pôr em prática e foi negociado um programa alternativo. Em Portimão isso também poderia acontecer, não?

Isso poderia acontecer desde que as políticas fossem diferentes e desde que o PS ouvisse as propostas da CDU e mostrasse alguma vontade em concretizá-las. Aí, sim, já poderíamos ponderar essa possibilidade.

Leia aqui a 1ª parte da entrevista

(Entrevista conduzia por João Cardoso, Jorge Eusébio e Rui Miguel)

Leia também:

As propostas do «Nós, Cidadãos» para Portimão

As propostas do PS para Portimão

 As propostas da coligação «Servir Portimão» 

As propostas do Bloco de Esquerda para Portimão

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