“A situação da Saúde no Algarve é dramática”
João Vasconcelos volta a ser o cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda pelo Algarve nas Legislativas.
Nesta mini entrevista diz que houve avanços importantes ao longo dos últimos quatro anos, mas acusa o Governo de ter falhado ao nível do investimento nos serviços públicos, em especial na Saúde.
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Quais são os objetivos eleitorais do Bloco nestas Legislativas?
Os objetivos que temos são o reforço da nossa votação e, eventualmente, também da representação parlamentar do Bloco de Esquerda.
Os resultados nas Europeias foram bastante positivos para o Bloco. Pensa que se trata de uma tendência e que nas Legislativas isso voltará a acontecer?
Foi um primeiro passo positivo, mas sabemos que as eleições Europeias têm características diferentes das Legislativas. Para além disso, uma das questões que nos preocupa é o elevado nível de abstenção registado, em especial, no Algarve, que foi um dos distritos onde isso mais se fez sentir.
Pensamos que, nas Legislativas, a abstenção vai diminuir e, aliando isso ao trabalho que temos feito, há condições para reforçar a nossa votação, mas trata-se, obviamente, de uma decisão que cabe aos eleitores.
A nível nacional, de uma forma genérica, o seu partido faz um balanço positivo do trabalho levado a cabo pelo Governo, que tem apoiado no Parlamento. No entanto, no Algarve, há sobretudo duas áreas importantes em que as coisas pouco ou nada têm evoluído positivamente: a prestação de cuidados públicos de saúde e as portagens na Via do Infante…
É verdade e nas minhas intervenções públicas tenho referido isso.
No início do mandato, o nosso primeiro objetivo era afastar do poder a direita, que quase deu cabo do país.
Isso foi conseguido e, com o forte contributo do Bloco, foram tomadas algumas medidas positivas, como o corte das propinas, o combate à precariedade e a redução do horário de trabalho para 35 horas na função pública, que queremos estender ao setor privado. Destaco, também, a vinculação de quase 8 mil professores, as novas leis de base, à esquerda, da habitação e da saúde…
Mas no Algarve, pelo menos naquelas vertentes, o balanço não é tão positivo?
Sempre fomos dizendo que o Governo falhou numa matéria importante, que é a falta de investimento nos serviços públicos e isso não podemos admitir, até porque temos muitos milhares de milhões de euros de superávit.
A situação da Saúde no Algarve é dramática e temos sido muito críticos em relação ao que o Governo tem feito ou não tem feito nesta matéria, não se admite que não haja investimento adequado na Saúde. Pela nossa parte, temos apresentado propostas para resolver alguns dos problemas e minimizar outros.
Na vertente dos transportes, apresentámos no Parlamento nove propostas para abolir as portagens na Via do Infante e o PS, conjuntamente com o PSD e o CDS, inviabilizaram-nas. No que diz respeito à requalificação da EN 125, entre Olhão e Vila Real de Sto. António, já há dois anos que apresentámos um projeto de resolução de resgate da concessão, o qual foi chumbado pelos mesmos partidos.
Temos, portanto, feito o trabalho de casa, quem não o fez foi o PS, muitas vezes com o apoio do PSD e do CDS.
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