Câmara de Portimão vai pagar a especialização de seis médicos

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A Câmara de Portimão pretende financiar seis bolsas de especialização a médicos que, em contrapartida, assumam o compromisso de, durante um determinado número de anos, ficarem a prestar serviço no concelho.

A informação foi avançada pela presidente da autarquia, na quinta-feira à noite, no decorrer de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal dedicada a debater a questão da Saúde no Hospital do Barlavento, que contou com a presença da administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA).

Isilda Gomes acrescentou que essas bolsas serão atribuídas a médicos que queiram especializar-se nas áreas mais carenciadas no concelho: anestesia, ortopedia e pediatria.

A autarca diz que a Câmara está disponível para investir 10 mil euros em cada uma das bolsas, o que perfaz um gasto total de 60 mil euros. A medida poderá vir a ser estendida a outros concelhos do Algarve, uma vez que garantiu ir “apresentar esta proposta na Comunidade Intermunicipal do Algarve, aos meus colegas presidentes de Câmara”.

A noite ficou ainda marcada pelo compromisso assumido pelo diretor clínico do CHUA, Mahomede Americano, de que “não vão fechar serviços no Hospital do Barlavento”.

Esta sessão contou com um nível de assistência raramente visto no salão nobre da Câmara, que ficou a abarrotar. No período de intervenção do público, ouviram-se várias queixas sobre o serviço que é prestado no Hospital, em especial, a falta de material e equipamentos, atrasos na marcação de consultas e escassez de profissionais de saúde.

De seguida foi dada a palavra aos representantes dos partidos políticos, que manifestaram idênticas preocupações e apreensões. Da parte do PS, José Figueiredo dirigiu críticas à antiga administração dirigida por Pedro Nunes e ao Governo da altura que decidiram avançar para a fusão dos hospitais algarvios. A mesma ideia foi defendida por Pedro Mota, do Bloco de Esquerda, que criticou o atual Governo por não ter tido a coragem de acabar com a fusão.

João Caetano, da bancada Servir Portimão, lembrou que já se passaram muitos anos desde que a decisão foi tomada, pelo que, se a fusão é assim tão má, não entende porque é que ainda não foi revertida.

Pela CDU, Lurdes Melo alertou para o que considera ser uma “campanha contra o Serviço Nacional de Saúde” e  defendeu que uma das formas de resolver os problemas de falta de pessoal é exigir-se a exclusividade de médicos.

Carlos Gouveia Martins, do PSD, referiu que “atribuir culpas ao que ficou para trás não resolve os problemas”, pelo que é altura de se definir uma estratégia na qual se envolvam todas as forças políticas. Cristina Velha – que passou a deputada municipal independente, deixando de representar o «Nós, Cidadãos» – defendeu que os problemas da saúde são abrangentes a todo o país, pelo que para resolvê-los há que encontrar estratégias abrangentes.

Exigência para que Governo faça estudo para acabar com a fusão dos hospitais

A atual presidente do CHUA, Ana Paula Gonçalves, assumiu que “a fusão dos hospitais foi feita com os pés, sem nenhum documento estratégico que a justificasse”.

Relativamente à muito falada questão da Maternidade do Hospital de Portimão, um dos principais problemas que enfrenta é a falta de pediatras especializados na vertente de Neonatologia. Para resolver essa questão está a ser dada formação específica, em Faro, a duas pediatras, que depois vão ficar em Portimão.

Esta responsável assumiu que, de uma forma geral, há falta de profissionais médicos que são aliciados pelo setor privado e até pelo estrangeiro ou preferem ficar nos hospitais públicos dos grandes centros urbanos. Na sua opinião, um dos grandes desafios que se coloca à região é encontrar formas de tornar mais atrativa a sua vinda para o Algarve.

A presidente da Câmara, Isilda Gomes, mostrou-se defensora de que se acabe com a fusão dos hospitais. No entanto, dos contactos que tem tido, quer a nível político, quer com os profissionais de saúde, há opiniões diferentes sobre o assunto.

Em face disso, deixou a proposta de que os dois órgãos autárquicos do concelho, Assembleia e Câmara, aprovem um documento através do qual exijam ao Governo que faça, até ao fim do ano, um estudo para avaliar as vantagens e inconvenientes que resultariam do fim da fusão.

 

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